De volta ao Lar

1609 Palavras
Presente....(Cinco meses antes) Fisher/ Indiana, população atual 40.000 habitantes. Numero de crimes de morte nos últimos dez anos, três.... ao menos por enquanto. Onze anos se passaram e nada mudou. A cidade continua exatamente igual. As mesmas pessoas ainda frequentam a mesma praça, que a anos tem o mesmo balanço quebrado e o escorrega com pintura gasta pelo tempo. As mesmas lojas que formavam o centro comercial da cidade ainda estavam lá, provavelmente com os mesmos donos ou quem sabe seus filhos que decidiram assumir os negócios da família, mas quem realmente se importa com isso. Ando pelas vielas que conheço a anos e minha presença parece passar despercebida para todos, pois apesar de ser uma cidade pequena as pessoas daqui se limitam a cuidar de suas próprias vidas, o que é revolucionário para um lugar como esse. Quem diria que um dia eu voltaria a pisar nessas terras por livre e espontânea vontade e principalmente, quem diria que eu estaria feliz por estar de volta? Não que a cidade me traga boas lembranças, ou que eu sinta falta das pessoas ou algo assim. Estou feliz por saber que finalmente terei a chance de mudar as coisas e quem sabe, agitar essa cidade no processo. ▪️▪️▪️ Termino de fazer o check-in em um dos únicos hotéis da cidade e assim que chego em meu quarto temporário descido tomar um banho demorado, mas sou interrompida com o toque incessante do meu celular. **Ligação on** _ pode falar.- atendo nada feliz com a interrupção dos meus planos de descanso. _ seu amor é tão evidente em sua voz que chega a ser cortante.- escuto a voz de Ed e isso me faz sorrir um pouco. _ é bom que tenha boas notícias porque você me interrompeu no exato momento em que eu pretendia tomar um banho quente e descansar de oito horas de um voo, que eu só poderia categorizar como infernal.- falo enraivecida enquanto me jogo na cama nada confortável do hotel. _ você me pediu um voo discreto e foi o que consegui, não existe discrição na primeira classe. Agora para de reclamar e escuta porque temos pouco tempo.- Ed fala sério e eu foco minha atenção, já sabendo do que se trata.- meu contato já está posicionado como o combinado e já te enviou os dossiês básicos que pediu. Você receberá atualizações semanais em seu novo endereço amanhã. _ você conseguiu o apartamento? _ quando foi que eu falhei com você? - ele me pergunta com humor em sua voz. _ quer realmente falar disso?- pergunto com ironia. _ talvez outra hora, agora tenho que desligar, te manterei informada por e-mail. _ tudo bem, até mais Ed. _ se cuida San. _ meu querido amigo, não sou eu quem precisa de cuidado. ▪️▪️▪️ Segunda-feira... Já faz uma semana que cheguei a cidade e tudo tem corrido muito bem. Ed cumpriu com sua parte e me conseguiu um apartamento relativamente confortável, mas para meus objetivos está maravilhoso. Sigo calmamente pelas ruas da cidade até meu novo emprego e sorrio com o brilhantismo do meu plano. O local é de fácil localização, até por que não é todo prédio que tem um símbolo do departamento de polícia pintado bem na fachada. Eu consegui um emprego perfeito, serei secretaria do delegado. Em tese tudo que tenho que fazer é atender o telefone, mas nada me parece mais gratificante do que poder ver de camarote a polícia fazer seu " trabalho", principalmente depois que eu começar o meu. _ com licença, estou procurando o delegado Benjamin Nogueira. Sou a nova secretaria dele. - Digo a uma moça que com toda certeza não está me dando um pingo de atenção.- ei, será que você poderia me atender por favor.- falo, e mais uma vez sou ignorada por ela que está concentrada em sua novela. Depois de muito esperar decido procurar eu mesma a sala, até porquê, não deve ser tão difícil já que a delegacia é bem pequena. Eu já estava me dirigindo ao corredor quando a tal moça resolveu que me daria atenção. Nossa que inusitado... _olá. Aonde pensa que vai?- ela pergunta olhando em minha direção e ajeitando seus óculos redondos rosa choque. _ Como eu te disse a cinco minutos atrás, eu procuro o delegado. Fui contratada para ser.... Ela levanta uma das mãos com unhas pintadas em rosa Pink e fez sinal para que eu me cala-se, depois pegou o telefone e discou o número um. _ Ben tem uma garota aqui querendo falar com você.... Eu não sei o que ela faz aqui nem o nome dela... tudo bem vou mandar entrar.- ela desliga o telefone e simplesmente aponta uma porta com o dedo. - última porta, fim do corredor. Eu sigo pelo corredor e já posso entender porque o delegado precisa de uma nova secretaria, mas descido deixar meus pensamentos de lado quando chego a porta que ela tão "gentilmente" me indicou. Bato na porta e espero por uma resposta... ela não vem, então bato novamente e mais uma vez não tenho resposta, então resolvo me aventurar porta a dentro, porque não é invasão já que de certa forma a moça de unhas rosa Pink me anunciou, mas o receio de ser m*l interpretada fala mais alto que a curiosidade. Eu não posso entrar assim, e se esse tal delegado for do tipo irritado e me demitir antes que eu comece, perder esse emprego seria uma lástima. "Mas e se ele desmaiou? Aquela recepcionista não parece ser do tipo que salva vidas. Ele te deveria uma." - minha consciência ou curiosidade tenta me induzir e devo admitir que nem foi uma tarefa tão difícil... A quem estou tentando enganar, eu entraria de qualquer jeito. Abro a porta, mas não à ninguém ali. Entro sem pensar muito a respeito e eu fico me perguntando quem atendeu o telefone. Vou até a mesa grande no centro da sala, mas não me atrevo a sentar, então fico de pé examinando o interior. A sala não é muito grande nem muito mobiliada de modo que além da grande mesa, só alguns armários e três cadeiras ocupam o resto do espaço. Não há muita decoração, nem muita organização também, todos os objetos decorativos estão sob a mesa, ou seja, material de escritório, um porta-retratos e um boneco comedia de beisebol, desses que balançam a cabeça, e é claro, uma montanha de papeis m*l organizados. _ posso ajudar em alguma coisa.- estou prestes a pegar o porta-retratos quando uma voz me detém. _ eu sou a nova... - me viro em sua direção e as palavras ficam presas em minha garganta. Aquele era o homem mais lindo que já vi. Ele tinha pele clara cabelos negros, ombros largos, olhos castanho, mas com nuances verdes, uma barba por fazer que desenhava seu rosto lhe dando uma aparencia mais mascula e uma boca... aí que boca. "Foco Samanta você não está aqui para isso" -diz meu subconsciente, e ele tem toda a razão, eu não posso me dar ao luxo de me distrair. _A nova...? -Diz ele para me incentivar a continuar, como se eu fosse retardada mental. O que deve realmente estar parecendo já que eu tenho quase certeza de que estou babando, mas me recomponho e forço as palavras a saírem de minha boca, implorando aos céus que minha voz sair normal. _ eu sou a nova secretaria do delegado, a agencia me enviou. -Digo com a voz mais segura que consigo, o que não é lá essas coisas, mas da para o gasto. _ excelente, eu sou o delegado Benjamin Nogueira, ao seu dispor senhorita...- ele me estende a mão e espera que eu diga meu nome, porem isso acaba demorando um pouco de mais, o que só ressalta meus problemas mentais. O que posso fazer se perco totalmente a noção olhando para aqueles olhos. "Foco. Para de passar vergonha Samanta, recomponha-se".- meu subconsciente me repreende e eu reviro os olhos vendo o homem a minha frente adquirir uma expressão confusa. _ Samanta Smith, muito prazer em conhece-lo delegado Benjamin.- estendo minha mão a ele, tentando encontrar a educação que eu recebi dos meu pais e ele a aperta. _ A agencia foi bem rápida dessa vez. Eu estava realmente precisando de uma secretaria pois, como você pode ter notado, eu sou um tanto desorganizado. -Diz indo até sua mesa, que aparentemente foi atingida por um furacão classe 7. _ imagine, nada que um pouco de trabalho duro e uma escavadeira para juntar esses destroços não resolva. - falo e ele dá uma gargalhada que, por um segundo, eu me arrependo de ter feito a piada. Benjamin tem a risada mais atraente que eu já ouvi, mas não só isso, o homem é todo tentação e eu me distraio muito fácil olhando pra ele. Por que ele não poderia ser um velho gordo e careca? _ você é hilária. Venha vou te mostra sua mesa e te dizer por onde começar. - ele me indica a porta e eu sigo em sua frente até o lado de fora.- Há e me chame de Ben, só minha mãe me chama de Benjamin e geralmete não é por algo bom que eu tenha feito.- ele ri e eu me perco mais uma vez naquele sorriso.- chegamos, essa será sua mesa.- olho para a pequena mesa próxima a porta dele e vou até ela colocando minha bolça e ligando o computador. A maquina não é das mais modernas, mas não me dará problemas, já o homem em pé me olhando.... Esse sim é um problemão.
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