CAPÍTULO 02

1735 Palavras
Dulce Maria No dia seguinte eu acordei bem cedo por volta das 8h, digo bem cedo pois posso dizer que quase não dormi. Fiquei arrumando as malas até as 3h da madrugada e ainda não havia terminado, estava cansada que me rendi ao sono. Mas eu tenho um despertador humano que me acordou apertando minhas buchechas e pedindo mamá. Dulce - Bom dia minha paixão Eu dei um beijo em sua testinha e a coloquei para mamar no peito. Eu havia comprado a passagem para as 17h, queria chegar ainda hoje para arrumar as coisas por lá e amanhã ir conversar com Ana Paula. Enquanto a bebê mamava eu terminava de arrumar as coisas. Quando o armário já estava praticamente vazio, notei que ainda não havia guardado a caixinha, aquela caixinha... Dulce - Eu não deveria levar isso, mas também não consigo desfazer Eu abri a caixinha e algumas lembranças vieram a minha mente, então a fechei imediatamente, respirei fundo e guardei dentro da mala. Vi também o gravador, aquele gravador que tinha informações valiosas Dulce - Não sei se um dia precisarei disso, mas vou levar, afinal posso precisar dele um dia Coloquei ele na mala também, ao lado da caixinha. Alguns minutos depois eu enfim havia terminado e a pequena brincava no chão da sala enquanto assistia televisão. ✨ Era 12h quando nos despedíamos de Ana, a nossa empregada e babá da Maria. Graças a Deus não precisei demiti - la pois ela é contratada do Sr Lewis e ele provavelmente continuaria a precisar de seus trabalhos. Ana - Vou sentir falta de vocês duas, mas desejo uma ótima viagem Nos despedimos com a promessa de nos vermos quando eu vir para cá novamente e enfim saímos. 40 minutos depois chegamos a casa de Sr Lewis e Emiliana, Liliane, a empregada veio nos receber. Era uma casa grande, as paredes eram de mármore e os móveis, em sua maioria eram de madeira. O casal estava na sala quando entramos, conversavam animadamente e quando nos viram vieram rapidamente até nós Emiliana - Que bom que chegaram - sorrindo - pode deixar as malas em um canto Cada um deu um beijo estalado na minha pequena que sorria para eles. Notei que Emiliana estava com uma expressão um tanto quanto cansada e pálida, mas sei que são consequências da doença Se Lewis - Chegaram em uma boa hora, venham Eu deixei as malas ali no canto e os acompanhei, paramos em frente a uma mesa farta de comida. Dulce - Não precisava de nada disso Sr Lewis - Ontem também não precisava do jantar e como é uma despedida espero que você não rejeite Dulce - Está bem, vamos almoçar - Dando de ombros Nos sentamos a mesa, coloquei Maria Paula sentada no meu colo e Liliane veio nos servir. Eu dividi minha comida com a pequena enquanto ouvia mais uma rodada de piadas e histórias daquele casal que nos conquistou e nos adotou. Eu estava admirada em ver o quando eles se amam Eram 14:45 quando eu percebi, tristemente, que havia chegado a hora de ir para o aeroporto Dulce - Eu queria ficar, mas devido ao fato do aeroporto não ser muito perto e eu ter que chegar lá 1hr antes do vôo, eu preciso ir - bico Emiliana - Chegou a hora menos esperada, a da despedida - triste Pude ver ela limpar uma lágrima rapidamente e Maria Paula abrir o berreiro, parece que sentia que estávamos nos despedindo. Fomos quietos até a porta, só se ouvia o choro de Maria, e quando eu peguei o celular para chamar um Uber, Sr Lewis resolveu falar Lewis - Não precisa de táxi, eu mesmo levo vocês Dulce - Não precisa Sr Lewis Lewis - Por favor senhorita Dulce, deixa eu leva- las Dulce - Está bem - bufei Coloquei as malas no porta malas e entramos no carro. Prendi a cadeirinha da Maria no banco de trás e a coloquei lá, em seguida me despedi novamente de Emiliana e partimos para o aeroporto, chegando lá 1h10 depois Estávamos sentados no aeroporto e eu havia acabado de fazer o Check- in quando fora anunciado o meu vôo e a chamada estava sendo feita, era a hora de me despedir novamente Sr Lewis - Bom senhorita, acho que chegou a sua hora de ir Mesmo que ele tentasse disfarçar, eu percebi que ele estava com um olhar bem triste e aquilo estraçalhou meu coração, mas eu não podia desistir, não mais. Dulce - Sim, mas me promete que ficarão bem? Sr Lewis - Sim, pode ir - sorrindo Nos levantamos, Maria Paula estava no canguru, eu rapidamente tirei um cartão do bolso e entreguei a ele Dulce - Acredito que você tenha meu número ainda, mas fica com esse cartão e me ligue para o que precisar, está bem? Sr Lewis - Está bem e não esqueça de mandar fotos dessa baixinha Dulce - Pode deixar, vou mandar sempre Nos despedimos novamente com um abraço terno e longo, ele deu um beijo na pequena e eu me segurei para não chorar, mas Maria Paula novamente parece que sentiu que era uma despedida e abriu o berreiro. ✨ A viagem foi tranquila, Maria Paula dormiu metade dela e na outra metade ficou assistindo desenho pelo meu celular. Eu sentia um misto de alegria, tristeza e medo, sim, medo do que poderia estar por vir mesmo com a morte dele. Eram 22h em horário local quando finalmente chegamos em solo Mexicano e mil pensamentos passavam pela minha cabeça naquele exato momento. Pedi um táxi e eu agradeci imensamente a Deus por morar perto do aeroporto, pois não via a hora de chegar, tomar um banho, dar um banho na pequena, começar a arrumar tudo e enfim dormir. Assim que chegamos o taxista me ajudou com as malas deixando - as no hall do meu andar, sim eu vou voltar a morar no meu antigo apartamento, onde eu já morava antes de fugir. Eu abri a porta e me deparei com o meu apartamento exatamente da forma em que eu deixei. Na sala estava o meu sofá retrátil cinza, tapete Azul, no rack estava todos os meus enfeites da forma que deixei, apesar de saber que ali faltava um porta retrato. Acima do Rack estava a minha tv de 32 polegadas. Ainda com a pequena no colo que olhava tudo com uma certa curiosidade fui até a cozinha, no qual também estava intacta: minha geladeira Brastemp com vários ímãs colados nela, desde ímãs para enfeites como ímãs com telefones de entregador de água, gás e afins, estava ali também meu fogão de 4 bocas, no canto do balcão estavam também minha cafeteira e torradeira, tudo como deixei. E só pra constar, estava tudo perfeitamente limpo, tia Marichello fazia questão de mandar uma pessoa para ir limpar lá há cada 15 dias. A cada canto que eu olhava, várias lembranças vinham a minha mente, quantos momentos bons e ruins eu havia vivido ali. Fui tirada dos meus pensamentos por minha pequena que agora reclamava por estar com a fralda suja Dulce - Aiin mamãe me dá banho - brincando com ela e fazendo voz de bebê Tirei sua fralda e a coloquei sentada embaixo do chuveiro, se ela gostou? Não! Afinal ela amava tomar banho na banheira dela, mas como não trouxe não teria outra opção de como tomar banho. Vou ter que ir às compras logo, pois além da banheira, Maria Paula não tem também a sua cama e um armário Aproveitei para tomar um banho também, fiquei brincando com a pequena durante um bom tempo embaixo do chuveiro até ela esquecer que estava sem a banheira. Saímos do chuveiro e eu a enrolei na toalha rapidamente pois estava frio, por sorte achei rápido o pijama dela de inverno. Minha pequena dormiu rápido e então eu pude começar a arrumar tudo. Mas antes mandei uma mensagem para Ana Paula e para Allan Parker avisando que eu havia chegado no México WhatsApp on Ana Paula Dulce - Aninha, cheguei no México, que horas podemos nos encontrar amanhã? ☑️ Ana Paula - Oi Dul que bom que chegou, pode vir em casa as 9h? É algo bem delicado Dulce - Está bem, estarei aí esse horário, beijos ☑️ WhatsApp off Ana Paula WhatsApp on Allan Parker Dulce - Allan, cheguei ao México, podemos nos encontrar amanhã à tarde? ☑️ Allan - Olá, até que enfim! Chegou bem? Sim, podemos. Peço que converse com Ana Paula antes Dulce - Ok, pode deixar, te encontro que horas?☑️ Allan Parker - Assim que terminar com ela, peço que venha a delegacia Dulce - Está bem só mais uma dúvida, aquela sala onde os agentes deixam as crianças com uma pessoa, ainda tem? ☑️ Allan - Tem sim, se estiver com uma criança pode trazer Dulce - Obrigada, até amanhã! ☑️ Allan - Até WhatsApp off Allan Parker Olhei mais um pouco o meu w******p, respondi algumas outras mensagens, aproveitei para avisar Sr Lewis que havíamos chegado bem e coloquei o celular em cima da cabeceira. O que eu não entendia no momento é como Allan Berker sabia que eu teria que conversar com Ana Paula também, afinal o que estava acontecendo? Mesmo com mil pensamentos na cabeça e várias teorias sendo criadas eu fui até a sala, puxei as malas para o quarto comecei a arrumar as coisas, ou teria começado caso eu não tivesse visto no canto do armário uma certa camisa ali dobrada com um porta retrato. Camisa que eu havia deixado ali junto com a nossa foto, caso quisesse vir buscar. Era a camisa dele, aquele que eu amei durante muito tempo, aquele desgraçado que me fez acreditar que me amava também, mas que dizia " eu te amo" para várias outras além da própria namorada. Sim, ele tinha alguém que não era eu, e sim devido ao fato de estar cega e loucamente apaixonada, aceitei ser uma das " amantes" dele, ou melhor, a " melhor amante" dele, como ele dizia e vocês não sabem o quanto eu me arrependo de tudo, principalmente pelo fato dele ser daquela maldita família Dulce - Filha da p**a! - sussurrei para mim mesma Senti uma lágrima rolar pelo meu rosto mas limpei rapidamente, pendurei algumas coisas, pedi algo para mim comer e logo me deitei na cama para dormir com minha pequena.
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