Dulce Maria
Já era manhã do dia seguinte e nós já estávamos em casa, enquanto dormia no hospital Maria Paula não demorou muito para acordar, então viemos embora logo. Chegamos em casa por volta das 22h e nossa noite acabara por ser muito exaustiva e cansativa, Maria Paula reclamava bastante e demorou para dormir novamente porém acordava o tempo todo dizendo que o bracinho estava doendo
Estava dando o antibiótico para ela, o que não era muito fácil, tive que misturar no Danone que eu havia comprado no Mini mercado, não deixo ela comer doces em dias da semana mas dessa vez não tive escapatória
Dulce – Olha o aviãozinho – Fazendo careta
Ela ria, reclamando de dor mas ria
Era a ultima colherada, joguei o potinho fora e a colher na pia. Em seguida tirei meu bebê do cadeirão e a coloquei sentada no sofá, colocando um desenho para ela assistir. Por ela ser muito pequena e provavelmente não pararia quieta com o braço, os médicos optaram por engessar e colocar uma tipóia para que ela não mexesse aquele braço. Ela gostava? Não!
Ouvi o som de notificação de celular tocar e vi que era uma mensagem da tia Marichello, mais cedo eu havia tentado ligar para ela mas acho que estava ocupada ou dormindo, pois não atendeu
WhatsApp tia Marichello On
Tia Marichello – Oi Dul, o que quer falar comigo?
Dulce – Pode vir aqui em casa por favor? É urgente ☑️
Tia Marichello – Está bem, só vou terminar de tomar café e logo estarei ai
Dulce – Está bem, obrigada ☑️
WhatsApp tia Marichello off
Aproveitei para avisar Parker que talvez me atrasaria alguns minutos quando vi agora uma notificação no meu e-mail pessoal:
Está com saudades da sua amiguinha, não é?
Olha ela aqui, será que um dia vocês voltarão a se ver?
Já avisei e aviso novamente, vocês mexendo com quem não deve!
Att,
M.C.U
Na mensagem havia um arquivo, era uma foto de Anahí sentada no chão, praticamente nua e com um hematoma no rosto, provavelmente havia levado um soco.
Me doeu tanto ver isso, minha amiga deve estar sofrendo tanto. Senti minha garganta fechar e novamente estava eu, chorando. Acho que o que mais fez nessas últimas horas foi chorar. Mas eu não vou deixar me abater, não mesmo. Sou Dulce Maria, investigadora do FBI e eu vou dar a minha vida para tirar Anahi e aquelas meninas de lá
E acho que vocês também não sabem quem é Dulce Maria e quando eu te encontrar acertaremos as contas
Att,
Dulce Maria
Sim, eu respondi o e-mail.
Apaguei o celular e voltei a dar atenção para a minha filha. Ficamos rindo e ela me contava sobre o desenho em seu bebelês até que o som da campainha ecoou pela casa, olhei pelo olho mágico e vi que era a tia Marichello, abri rapidamente
Marichello – Oi Dul, cheguei, o que aconteceu? Tem alguma noticia da minha filha ?
Dulce – Ainda não tia, quero falar sobre uma outra coisa, ou melhor, outra pessoa – Mordendo os lábios
Marichello – Como assim? Que outra pessoa?
Ela perguntou e podemos ouvir as risadas de Maria Paula, tia Marichello olhou por cima do meu ombro e me olhou novamente, afim de entender o que estava acontecendo
Dukce – Entra, vou te contar tudo – Dando passagem
Marichello – Com certeza vai mesmo, pois não estou entendendo nada – Cruzando os braços
Dulce – Senta tia – Apontando para o sofá – Eu vou te contar
Tia Marichello prontamente se sentou, não parava de olhar para a bebê que agora olhava para ela também. Eu peguei Maria Paula no colo e me sentei ao lado dela
Dulce – Tia, quero que conheça a Maria Paula, minha filha
Marichello – Filha? Como assim ?
Ela estava com os olhos arregalados, eu respirei fundo e comecei a falar
Dulce – Eu descobri que estava grávida depois que tive que me mudar e não contei pois sabia que você iria insistir para eu voltar e eu não podia voltar, pelo menos não naquela época
Marichello – Você escondeu ela de todo mundo?
Dulce – Não exatamente, Anahi e Ana Paula já sabiam, inclusive Anahi é a madrinha dela. Mas não fique brava com elas, fui eu quem pedi segredo
Eu falava e passava as mãos no cabelinho da minha filha, que tinha voltado a se concentrar no desenho
Marichello – E porque resolveu me contar agora? – Franzindo a sobrancelha
Notei que ela entrelaçava os dedos, parecia estar um pouco nervosa, agora fitava o bracinho machucado de minha filha
Marichello – Porque ela está com o braço engessado ?
Dulce – Tia, eu havia contratado uma babá que ficou menos de uma semana em minha casa, pois ela bateu em minha filha e por isso ela está com o bracinho engessado
Marichello – Meu Deus – Colocando as mãos na boca – Como pode alguém fazer isso com uma criança?
Dulce – Pois é tia, aconteceu. E é por isso que te chamei aqui e resolvi te contar tudo, preciso da sua ajuda
Marichello – O que você precisa, meu anjo?
A tia agora passava as mãos em meu cabelo e fazia carinho em meu rosto
Dulce – Eu não confio em deixar minha filha com mais nenhum estranho e gostaria de saber se você poderia cuidar dela nos horários em que eu estiver trabalhando, Olha, minha filha é muito tranquila e...- Me interrompendo
Marichello – Não precisa pedir duas vezes, eu fico com ela sim. Eu me sinto tão sozinha e com tanta falta da minha filha, com certeza a companhia dessa pequena vai me ajudar
Ela pegou Maria Paula em seu colo e minha filha não reclamou em nenhum momento, pelo contrário já queria começar a tagarelar sobre o desenho com ela
Maria Paula – Ó titi – apontando para a tv
Marichello – Você é uma princesa muito linda, sabia?
Bom, eu devo dizer a vocês que minha filha só responde quando quer, não é? Acho que puxou a mim. Ela só assentiu a cabeça para responder e voltou a se concentrar no desenho
Marichello – E como ela se chama ?
Dulce – Maria Paula, tem 1 ano e quase 4 meses
Marichello – Dulce, quem é o pai dela?
Dulce – Tia, isso é algo que não posso dizer agora, quando estiver em um melhor momento eu juro que eu vou contar para todo mundo
Marichello – Você é cheia de segredos, não é?
Dulce – Por favor só espera mais um pouco
Marichello – Está bem – Me fitando – A respeito da bebê, você prefere que eu venha cuidar dela aqui ou você leva ela lá em casa ?
Dulce – Eu preferia que fosse aqui pois minha vida é muito corrida, mas se você quiser que eu leve ela lá todos os dias eu levo, não tem problema
Marichello – Fica tranquila, eu venho sim, aliás hoje já ficarei por aqui
Dulce – Não tenho como te agradecer, sério
Abracei ela de lado e beijei – lhe a testa. Em seguida olhei para o celular e vi que estava mais do que atrasada, Parker vai me matar.
Expliquei para ela como funciona as regras e horários da minha filha, seja para comer, dormir e também para tomar os antibióticos
Marichello – Eu já entendi Dulce, pode ir – Sorrindo
Dulce – Obrigada novamente, eu te amo tia
Me arrumei rapidamente com meu conjunto social de calça preta e camisa Branca, coloquei um terno cinza por cima, guardei minha arma, arrumei minha bolsa no ombro e me despedi delas, enchendo as duas de beijos.
✨
Já no caminho eu agora não parava de pensar naquele salão, algo me dizia que eu deveria ir lá averiguar logo, até que reparei que eu estava passando por uma rua próxima dali
Dulce – Eu já estou atrasada, Parker não vai achar r**m se eu me atrasar um pouquinho mais, possivelmente levando algumas provas.
Rapidamente me disfarcei colocando meu boné com o cabelo preso por dentro e óculos de sol, dirigi por mais duas quadras e estacionei o carro, eu não poderia estacionar muito perto e nem muito longe.
O local parece estar abrindo agora, até então estava tudo muito calmo, ou até ver o primeiro cara entrar e sair poucos minutos depois com uma loira muito bonita
Dulce – Talvez ela já estivesse lá dentro e ele é o marido dela que veio busca – la – Sussurrei para mim mesma
Me acomodei no banco e continuei ali por alguns minutos ou até mesmo horas, já estava perdida no tempo, tinha visto vários homens entrando sozinhos e saindo acompanhados de mulheres que eu não tinha visto entrar. As que eu havia conseguido reparar no semblante, não pareciam estar nada felizes e aquilo estava me incomodando.
Parker já havia me ligado várias vezes e mandado várias mensagens perguntando sobre o meu atraso.
Eu olhava o celular pela milésima vez para responder a mensagem dele de que já estava a caminho e quando olhei novamente vi um homem sair do local sozinho, ir embora e eu não acreditava no que via
Dulce – Meu Deus, é ele! Eu não acredito! – Sussurando para mim mesma, desesperada
Agora eu tinha certeza: Não era um salão e sim um bordel de mulheres traficadas
Peguei meu rádio rapidamente
Dulce – FBI, Agente Dulce Maria, achei um dos bordeis que traficam mulheres e vou invadir, Preciso de escolta!