Não nasci para ser amada

2021 Palavras
Jô Não é estranho como parece que todo mundo tem alguém especial no mundo? Alguém que realmente a ama, e a protege? Eu não acho que exista esse alguém para mim. Eu simplesmente já fiz de tudo para encontrar uma pessoa legal, que pudesse me amar, assim como vejo tantas pessoas felizes e amadas. Mas o amor parece que não é para mim. Quando eu me apaixono, não é recíproco, e isso me dói e me faz ficar mais fechada para tudo. Creio que cada decepção amorosa me torna ainda mais desiludida. Mas apesar de me sentir r**m com tudo isso, eu ainda acredito no amor e no quanto ele é lindo. Acredito que mesmo não encontrando alguém que vai se apaixonar perdidamente por mim, torço para que alguém se apaixone assim pela minha amiga. Pela minha vizinha. Pelo meu irmão. Pela minha professora. Porquê eu amo ver o amor dos outros e o quanto é puro e verdadeiro. - Você vai sair? - minha amiga pergunta entrando em meu quarto. Moramos juntas há alguns meses, e somos como irmãs uma para outra. - Vou - me olho no espelho arrumando meus cabelos. - Preciso comprar um novo livro. - Será que agora você encontra um garoto legal e simpático na livraria? - Ela sorri sentando em minha cama. Eu tenho uma imaginação maluca para romances. Penso sempre que a qualquer momento posso encontrar o amor da minha vida, igual acontece em tantos livros de romance. Penso que posso o encontrar em um café, em uma praça, em um shopping, e o que eu mais sonho: em uma livraria. Acredito que se eu encontrar um garoto em uma livraria, ele está mais que qualificado para ser o meu grande amor. - Eu parei com essas coisas - digo indo até onde minha bolsa está pendurada. - Parou? Mas por que? - minha amiga parece confusa. Suspiro e olho para ela. - A quem eu quero enganar? Essas coisas não acontecem na vida real, ou se acontecem, não será comigo. Eu desisti disso, se for para encontrar alguém que seja sem expectativas - falo e minha amiga fica em silêncio. Dói saber que há anos eu idealizei algo e nunca nada do que pensei vai ser real, mas é melhor eu ter plena noção disso agora, do quê continuar a empurrar isso para frente. - Então, você vai esperar alguém bacana para conhecer? - Ela pergunta. - Sim, quer dizer, se isso acontecer, sim. Dizem que o amor é inesperado não é? Então eu vou esperar quando ele estiver preparado para chegar. Minha amiga sorri com a minha resposta. Ele se levanta e me dá um abraço apertado. - Eu sei que isso vai acontecer, você é a pessoa que mais acredita no amor e em romance e sei que isso tudo vai chegar logo para você - ela murmura no abraço e eu sorrio pelas suas palavras dóceis, torcendo para de fato tudo isso acontecer. (...) Foleio o livro novo do Nicholas Sparks e não me parece ser algo como eu esperava comprar. Na verdade eu preciso sair dos meus clichês românticos, e procurar algo diferente. Talvez seja isso, se quero parar de idealizar o homem perfeito em um encontro perfeito, preciso mudar minhas leituras um pouco. Olho para a parte de ficção científica e vou até as prateleiras. Olho alguns livros, verificando a capa e sinopse. Assim que decido qual levar, vou até o caixa para efetuar o pagamento. A fila está enorme, e acredito que deve ser por causa do dia dos namorados. Engraçado que dessa vez eu não me importei com essa data igual das outras vezes. Provavelmente é um sinal da minha mudança. E me sinto mais leve quanto à isso. - Desculpa moça, mas essa é a fila para o caixa? - Uma voz soa logo atrás de mim, e eu me viro para encontrar um garoto de boné e óculos. Ele segura alguns livros, que me parecem bastante pesados para uma única pessoa está segurando. - Sim - sorrio fracamente para ele. - Oh, obrigado - ele agradece e permanece ali, segurando a pilha de livros. Pela forma que ele troca o peso do corpo entre um pé e outro, deixa claro que está sendo difícil manter os livros em seus braços. - Hum, você quer que eu segure alguns? - Sugiro e o rosto dele se ilumina como se estivesse feliz demais com minha pergunta. - Se não for incomodar... - Tá tudo bem - tiro três livros dos que ele está segurando, e os coloco abaixo do meu. - Ufa, muito obrigado. Acho que não foi muito inteligente da minha parte comprar tantos livros de uma vez né? - Ele sorri. - Bem, eu acho que você deveria ter tentado usar as cestinhas para isso - digo me referindo as cestas que tem na livraria, para quem compra bastante livros de uma vez. - Isso nem passou pela minha cabeça - ele responde, me fazendo ri pela sua feição de "porquê não pensei nisso?" - Na próxima farei isso - ele ri e tira seus óculos, pendurado eles em sua camiseta branca. Olho para seus olhos, e me perco percebendo o quão lindos são. O azul deles combinam com a sua pele levemente bronzeada, como de quem estava na praia não faz muito tempo. - Gosta de ficção científica? - Ele pergunta olhando para meu livro. - Na verdade, é a primeira vez que eu estou comprando um livro sobre isso - explico. - Sério? - Ele parece surpreso. - Sim, eu sou mais amantes dos romances. Ele sorri. - Isso é muito engraçado, porquê eu amo ficção científica, e hoje decidi comprar apenas romances para diferenciar - ele diz me mostrando alguns livros que estão em seus braços, todos de romances e que já li. - De fato, isso é bem engraçado - falo com meu cenho franzido pela grande coincidência que acabará de acontecer. Não quero colocar expectativas nisso como eu normalmente faria, então penso em algo para mudar o assunto e meus pensamentos. - Então - nós dois falamos juntos e depois sorrimos. - Pode falar - eu o incentivo. - É que pensei que esse livro você iria dar não sei...para seu namorado de presente - ele parece desconfortável com o que disse, o que me faz achar muito fofo. - Não - eu rio - eu não tenho namorado. - Então veio aqui passar por esse sufoco em um monte de pessoas apaixonadas, para conseguir um livro pelo qual o tema você desconhece? Eu rio balançando a cabeça negativamente pela forma debochada que ele falou. - É isso. Não é tão r**m quanto parece - jogo o sarcasmo de volta e ele sorri. - Agora é a sua vez - ele me lembra. - Eu iria perguntar seu nome. Estamos conversando há algum tempo, e ainda não nos apresentamos um para o outro, o que por um momento me fez perguntar se isso era mesmo preciso. - Oh! Perdão, eu me chamo Niall, e você? - Ele me estende a mão que não segura os livros para mim. - Eu me chamo Jô - aperto sua mão. - Muito prazer Jô - ele fala lançando seus olhos bonitos para os meus. - O prazer é meu - minha voz quase não sai, por eu está hipnotizada pelo azul de suas íris. - Próximo! - A mulher do caixa diz, me fazendo perceber que chegou o meu momento de ser atendida. m*l percebi que a fila estava diminuindo enquanto eu conversava com o Niall. Ele fica ao meu lado no caixa, e coloca os seus livros sobre o balcão, assim como eu. - São todos na mesma conta? - A atendente pergunta olhando para os livros. Abro a minha boca para responder, mas o Niall me corta: - Sim, todos. Olho confusa para ele que sorri antes de se inclinar colocando sua boca em minha orelha. - É o meu presente - sussurra me fazendo ficar arrepiada dos pés à cabeça. Não parece que isso tudo está acontecendo comigo, quer dizer, eu entrei na livraria atrás de um livro, e acabei conhecendo uma pessoa tão legal igual ao Niall. Assim que a conta é finalizada, saímos da livraria e começamos a caminhar para a escada rolante do shopping, enquanto Niall me conta que gosta do dia dos namorados, porque alguns restaurantes capricham bem na comida nesse dia. - Você gostaria de ir comer algo enquanto você me fala mais sobre romances? - Ele me convida já na escada rolante que sobe para a praça de alimentação. - Eu acho que já estamos fazendo isso - sorrio para ele que ri. - Então isso é um sim? - Uma sobrancelha dele se ergue em humor, me fazendo sorri ainda mais. - Totalmente - o respondo, enquanto me pergunto como um garoto tão bonito está interessado em me conhecer melhor, e me ouvir falando de livros melosos e clichês. Geralmente os garotos com quem eu saio, não se importam com isso, na verdade um chegou a me dizer que era tedioso demais me ouvir contando as histórias. Mas Niall não me parece ser desses garotos, ele é gentil, engraçado e realmente gosta de livros. Passamos muito tempo sentados em uma mesa. Após um lanche divertido com Niall me falando coisas engraçadas que já o aconteceu, ele insistiu para eu o falar sobre meus livros favoritos. Eu o contei sobre vários, e ele não me interrompeu em momento algum, apenas sorria e me escutava atencioso. Eu me senti especial e encorajada em o contar ainda mais sobre as obras literárias. - Sabe de uma coisa jô? - Niall me pergunta enquanto caminhamos para o estacionamento do shopping. - O que? - O olho antes de lamber meu sorvete de casquinha. - Você é uma garota muito especial, e eu de verdade poderia passar o resto da minha vida ouvindo você me contando dos seus livros - Niall responde me fazendo ficar parada no meio do estacionamento, boquiaberta e segurando meu sorvete que derrete em meus dedos. Ele disse mesmo isso? Quer dizer, ninguém nunca me disse isso antes. Ninguém nunca se mostrou interessado em ouvir essas histórias, nem mesmo a minha amiga, que apesar de ser a melhor do mundo, não tem paciência para isso. Pode ser algo pequeno e insignificante para algumas pessoas, mas para mim isso significa muito. - O que foi? - Niall sorri ficando de frente para mim. Eu fico o olhando em silêncio por alguns instantes antes de jogar o sorvete no chão e com minha mão melada mesmo, coloco em sua bochecha. Levo meu corpo para perto do dele e então pressiono meus lábios nos seus. Com a força que faço no beijo, a cabeça de Niall fica inclinada  sobre mim, e meu corpo fica envergado para frente, mas eu não me importo, o beijo compensa. A língua quente dele se une com a minha gelada pelo sorvete, e eu gemo baixo com o contato. Posso parecer maluca demais em beijar um garoto que conheço há menos de 3 horas, mas não me importo. Ninguém nunca me tratou como ele, e isso tudo foi inesperado, assim como o amor é. Se eu vou ou não ficar com Niall, eu não sei, mas sei que nesse dia dos namorados eu tenho uma história real para contar, uma história que está fora dos livros. Uma história que começou com a minha frustação, e depois com a minha decisão de fazer algo diferente. Eu não estava com expectativas dessa vez, e as coisas fluiram melhores. Talvez seja esse o segredo: Não criar expectativas, e deixar que a vida nos guie. - Uau - Niall sussurra após pararmos o beijo. Eu sorrio. - Estraguei tudo? - Pergunto receosa. - Não - Niall enfia sua mão em meus cabelos para colocar ela em minha nuca. Ele olha em meus olhos. - Você melhorou tudo - diz antes de voltar a me beijar. Então isso tudo aconteceu como e quando eu menos esperava. Mas foi o melhor. Tudo está bem agora. Fim.
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