Capítulo IV

1894 Palavras
O tempo tem passado rápido, parece que foi ontem que fez a entrevista para esse emprego e já trabalhou aqui a oito meses. Mas pense em um tempo de tribulação como diz a minha sábia mãe. O meu chefe é o homem mais arrogante, e******o, preconceituoso que conheço. A cada dia que passa ele parece piorar, e eu tenho uma grande impressão que é principalmente comigo. São gritos e humilhações gratuitas. Cada dia que chego no escritório imagino o que vou enfrentar, ele parece bipolar e com um humor diabólico. Fora aquele estranho dia do almoço, ele me trata m*l sempre que tem uma oportunidade. Hoje é sexta-feira e eu levanto para encarar mais um dia de batalha. Hoje temos uma reunião muito importante com alguns sócios e clientes antigos, e eu estava a quase um mês organizando tudo para nada dá errado. Escolhi uma roupa bonita e profissional para essa ocasião. Chego no escritório e logo me encontro com a Alicia que é uma mulher incrível e virou uma grande amiga. _ Amiga o Vitor deu notícias? _ pergunto para ela que está organizando a sala de reuniões comigo _ ele disse que talvez o tempo para a reunião. _ Ele me ligou avisando que houve um imprevisto lá em São Paulo e que só vai chegar amanhã. _ Que pena, mas vai dar tudo certo.  _ Vai sim amiga, mesmo assim boa sorte! Saímos e cada um foi pra sua mesa. Eu dei dois toques na porta do meu chefe para avisá-lo que a reunião já ia começar. _ Entre! Ele estava extremamente lindo no dia no seu terno de "um milhão de dólares". Sorriu dos meus pensamentos e falo: _ A reunião já vai começar senhor Montenegro, os sócios já chegam e está tudo pronto. Ele me olha de cima a baixo e escuto pragajar algo e depois fala: Vamos! Nos encaminhamos para a sala de reuniões e encontramos os outros participantes no caminho. Alguns eu já conheciam de outras reuniões, sendo em sua grande maioria senhores já velhos e muito bem casados, havia poucos negros entre eles, infelizmente como sempre em qualquer grande empresa, algumas mulheres extremamente lindas em suas roupas de executivos sexys. Entramos todos na sala e eu comecei o organizar as massas para cada um, quando me deparei com um lindo loiro que eu olhava profundamente. Nossa senhora das calcinhas encharcadas, que homem era esse?! É verdade que eu sou muita coisa, mas cega com certeza não é uma delas. Ele sorri lindamente para mim e fala: _ Não me apresentar a mulher mais bonita dessa sala. Muito prazer eu me chamo Marcelo Miller e a senhorita? _ disse com um sorriso 'molha calcinha'. Se eu pudesse ser vermelho sem sombra de dúvidas, mas ele era o primeiro que estava sendo simpático comigo naquela sala, e por isso lhe reponde: _ Eu sou Elisabete Santos. _ falei alisando a saia lápis preta. Ele pegou a minha mão e deu um beijo que sinceramente me deixou arrepiada, caramba.   _ Com toda certeza é um prazer conhecer uma mulher tão linda.  Sorri sem graça e quando levantei o rosto me deparei com o meu chefe que me encarava com a cara de quem estava louco para bater em alguém. Terminei de distribuir as massas e a única cadeira vaga estava justamente do lado do Marcelo, sem escolhas me sentei ao seu lado e ele como resposta me deu um lindo sorriso. A reunião começou e depois de um tempo todos começaram a analisar as massas distribuídas e o Marcelo me chamou e me perguntou baixo, perto do meu ouvido algo sobre as planilhas, começou a explicar e afirmou algumas dúvidas quando uma voz grave e extremamente irritada se fez estrondar na sala. _ Senhorita Santos eu não sei se a senhorita sabe mais isso aqui é uma reunião de negócios e não um cabaré onde você se joga e faz charme para qualquer com a carteira recheada que aparece. Então faça o seu trabalho, porque é exatamente por causa dele que você está aqui e é paga. Um silêncio esmagador se formou na sala. Eu fiquei em choque, entre tudo o que ele já tinha feito comigo aquilo foi de longe a coisa mais c***l que poderia ter feito. Eu não conseguia falar nada, como lágrimas começaram a rolar do meu rosto e a única coisa que conseguiu fazer foi levantar e sair correndo da sala. Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida. Prostituta foi do que ele me chamou na frente de toda essa gente. Saiu-me arrastando para o banheiro, onde entro e tranco a porta. Eu não consegui engolir o choro e me sente no chão e corei tudo o que estava preso dentro de mim. Fecho os olhos e lembro de cada humilhação, cada palavra que ouvi ao longo dos últimos meses aqui. Uma dor tão grande toma conta de mim que a minha vontade e fugir para qualquer lugar longe daqui. Eu levanto e olho o meu reflexo no espelho, o que vejo é uma mulher destruída pelas palavras cortantes de um homem e******o. Respiro fundo e lavo o meu rosto tirando toda a minha maquiagem e com ela a minha dor que foi se transformando em raiva. Decido que dessa vez vai dar um basta em tudo isso, agora chega! Ele vai ouvir tudo o que está entalado dentro de mim. Vou em direção a sua sala e quando chego a minha mesa começo a arrumar tudo dentro de uma caixa, todas as minhas coisas que eu fiz sentir um pouco melhor ali agora estava sendo embalado. Se dependesse de mim nunca mais voltaria ali. Espero até que ele apareça e quando isso acontecer eu me preparar mentalmente para esse momento de confronto.     Quando eu era adolescente a escola foi um verdadeiro campo de sobrevivência. Uma menina n***a e gorda na escola é um prato cheio para babacas preconceituosos que te faz sentir pior que qualquer coisa e faz migalhas de sua alta-estima. Como eu imagino tantas meninas que passaram por essa fase que deixou por tanto tempo marcas profundas, e foi apenas quando na faculdade eu comecei a entender o mundo em que vivemos que entendi que o problema não sou eu, o meu corpo ou a minha cor, o problema está uma sociedade desesfaça que e humilha quem não se enquadra em seus padrões. Foi nesse momento que começou a me aceitar, a me julgar menos e a perceber que sou uma pessoa bacana. Que o que importa é o que eu sei que eu sou e não o que as pessoas pensam. Na maioria das vezes esses pensamentos me ajudam, mas em momentos como esses eu me sinto como uma menininha novamente, e o garoto mais popular da escola me humilhando na frente de todos. Respiro fundo e limpo as lágrimas que encistem em cair do meu rosto. Ele caminha em minha direção, eu olhar nos olhos e depois seguir para sua sala como se não tivesse nada acontecido. Filho da, isso não vai ficar assim mesmo. Entro em sua sala e bato a porta com força. Ele se vira para mim e eu começo a falar: _ Eu pensei muito em qual atitude tomar, eu me questionei o que eu diria a você agora e malditomente as palavras parecem esconder dentro da raiva que estou sentindo _ ele se aproxima e eu me afastou um pouco mais, preciso de espaço para falar tudo o que desejo _ mas decidir que não vou fugir como se fez alguma coisa errada aqui , e que você vai escutar tudo o que está entalado dentro de mim durante todos esses meses que trabalhou aqui. Ele fica calado me encarando e eu mim e continuou a falar: _ Desde que passou por aquela porta pela primeira vez você só me tratou com ódio e preconceito. A cada dia esses oito meses que trabalho aqui eu ouvi você me insultar, humilhar, gritar e gritar pelo simples prazer de mim ferir. Eu nunca te fiz nada, nunca te tratei com qualquer forma de desamparador e juro que dei o meu melhor em cada tarefa que cumprir aqui _ nesse momento as lágrimas se intensificam e eu realmente não me importei com isso _ mas isso nunca foi o suficiente pra você. Mas acredite que de tudo o que já você fez, absolutamente nada foi tão c***l como o que fez hoje. Você me chamou de PROSTITUTA na frente todas as pessoas aquelas, me humilhou de um jeito que consigo nem explicar. Agora eu te pergunto quem é você? Você não sabe nada da minha vida. Não sabe tudo o que passou para chegar até aqui, cada luta vencida, cada noite virada estudando, cada coisa que abri mão. Ele me encarava sem dizer nada, eu já não conseguia disfarçar o choro. Comecei o andar pela sala enquanto falava tudo o que estava no meu coração. _ Eu não preciso dormir com ninguém para chegar até aqui Fernando, mas acredito que se tivesse feito isso você seria a última pessoa que poderia me julgar, e sabe por quê? Eu vou te dizer, porque enquanto você fica aí em cima do seu pedestal, as pessoas como eu estou lutando para sobreviver, trabalhando de sol a sol para ter um teto para pôr a cabeça e comida na mesa e mesmo assim enfrenta um leão pelo dia, sendo humilhada e vendo aqueles que ama passando necessidade que você não pode suprir. Enquanto fica ostentando a sua riqueza e poder, a maioria de nós temos que lutar para conseguir algo. Eu não tive, e não tenho uma vida fácil como a sua e mesmo assim não desconto a minha frustração nas outras pessoas. Ele se vira para a parede de vidro que mostra a Salvador agitada, repletas de pessoas correndo de um lado para o outro. Ele sussurra algo: _ Eu sinto muito... Eu sorri amarga enquanto limpava o meu rosto. Resposta: _ Não Fernando, eu que sinto muito pela pessoa desprezível que você é, eu lamento profundamente que mesmo cercado de riqueza e de pessoas que te bajulam, no fundo é apenas um homem solitário, que não sabe o que é amar e ser amado por ninguém. Que vive tão prezo ao seu preconceito e arrogância que não é capaz de oferecer algo de puro e bom a ninguém. O que tem a oferecer é apenas a dor que consome a cada dia. Tem razão, eu realmente lamento muito, porque apesar de todas as dificuldades que enfrento eu sei que tenho pessoas que me ama exatamente pelo que sou, e porque posso oferecer amor e não dor a quem está ao meu redor. Ele continuou de costas para mim, e eu me perguntari se ele se importava com o que eu estava dizendo. Talvez, talvez! Mas não importa, me sinto mais leve agora, pronta para recomeçar. _ Estou indo, vai finalmente se ver livre de mim, mas eu quero que saiba que vou orar por você, para que Deus mude o seu coração e te der amor e paz. Adeus, adeus! Saiu da sala deixando pra trás qualquer mágoa e dor que eu tenho passado aqui. Eu ia começar de novo, e quantas vezes mais fosse possível até encontrar o meu lugar no mundo. O meu lar.                      
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