Maurice estava encostado em uma das colunas do salão improvisado, um galpão amplo no alto do morro, onde luzes coloridas estouravam nas paredes descascadas ao som grave do funk. De terno escuro e camisa branca impecável — um contraste gritante com o ambiente — ele mantinha o olhar firme, sem sorrir, como sempre fazia quando estava em território alheio. Seus homens espalhados discretamente entre os convidados garantiam sua segurança. Mas mesmo ali, cercado de olhares desconfiados e atentos, Maurice parecia inatingível. Até que Violeta entrou. Ele a viu de longe, antes mesmo de perceber que era ela. Um clarão de brilho e pele no meio da multidão. Quando finalmente seus olhos se encontraram, Maurice sentiu o chão ceder — não sob seus pés, mas dentro do peito. Uma sensação que ele odiava. El

