A chuva começou sem aviso. Primeiro tímida, pingando nas folhas grandes ao redor da chácara, depois forte, pesada, batendo no telhado como se quisesse abafar as conversas. O cheiro de terra molhada invadiu tudo, misturado ao de comida quente e risadas soltas. Todos se acomodaram mais próximos à mesa grande do jantar. Sarah sentou-se de um lado. Noah, do outro. Opostos. Era seguro assim. Ou parecia. Ele tentou se concentrar no prato, na conversa cruzada, na avó comemorando cada brinde como se fosse o primeiro da vida. Tentou rir nas horas certas, responder quando alguém falava com ele. Mas falhou miseravelmente. Porque sem perceber ou percebendo demais passou o jantar inteiro reparando nela. No jeito como Sarah segurava os talheres com precisão quase exagerada. Na postura ereta,

