Capítulo 3 – O Duque de Corações Feridos
O duque Lorenzo di Ravello era um homem acostumado a ter o mundo a seus pés. Filho de uma linhagem antiga, conhecido por sua inteligência afiada e charme perigoso, colecionava amantes como troféus e palavras cortantes como moedas de ouro. Para ele, o amor era apenas uma distração — até ser prometido a Aurora De Santis.
Aurora, com sua beleza reluzente e fama entre os salões nobres, parecia à altura de seu nome e posição. Lorenzo não nutria por ela um sentimento verdadeiro, mas via nela uma companheira à altura de sua vaidade e ambição. Uma duquesa digna de seus banquetes e vitórias.
Mas tudo mudou com a carta discreta que chegou às suas mãos uma semana antes do casamento. Um bilhete seco, com a caligrafia do conde De Santis, explicando que, por motivos "delicados", sua filha mais nova, Isabela, tomaria o lugar de Aurora no altar. A honra da família estava em jogo, e esperava-se que Lorenzo compreendesse.
Compreender? O orgulho de Lorenzo ferveu como vinho quente. Fora traído. Humilhado. E o pior — enganado. Por um capricho apaixonado de uma jovem que se jogara nos braços de outro homem, seu nome agora estaria ligado a uma desconhecida. Uma sombra da irmã.
Ele pensou em romper o acordo. Em recusar. Mas havia algo no desafio que aquilo representava que despertava sua natureza mais sombria. Um homem como ele não recuava diante da afronta. Ele aceitaria o casamento. Mas faria questão de mostrar que ninguém o enganava impunemente.
Foi com esse pensamento que subiu ao altar, sob os arcos floridos da igreja em Ravello. Mas quando os portões se abriram e ele viu Isabela pela primeira vez... o mundo pareceu parar.
Ela caminhava com a serenidade de uma rainha, o vestido claro fluindo como bruma sobre o chão de pedras. Seus olhos, grandes e intensos, cruzaram os dele com firmeza — sem medo, sem vergonha, mas também sem submissão. Havia algo nela que o desarmou.
Isabela não era como as outras mulheres que conhecera. Não era uma boneca para enfeitar festas, nem uma cortesã a ser domada com promessas e ouro. Ela era... perigosa. De uma delicadeza que não era fragilidade, mas controle. Uma beleza mais sutil, mais fina, que o atraía como nenhuma outra jamais atraíra.
Pela primeira vez em anos, Lorenzo sentiu o imprevisível: curiosidade genuína. Desejo real. Um fio de fascínio envolto em algo que ele não soube nomear.
"Então esta é a irmã esquecida", pensou, observando cada passo que ela dava até ele. "A que me foi imposta."
E, no fundo, como um segredo que ainda não ousava admitir, sentiu um arrepio incômodo: e se ela fosse a única capaz de domá-lo?