Capítulo 6 – O Domínio Sutil
O castelo acordou no dia seguinte como sempre — o som dos sinos, os criados andando apressados pelos corredores, o perfume do pão fresco invadindo os salões. Mas dentro do duque, nada estava igual.
Lorenzo passou a manhã inteira sem conseguir se concentrar nos papéis de negócios sobre a mesa. A caneta tremia em sua mão, o olhar perdido nas cortinas que balançavam ao vento. A lembrança da noite anterior voltava como um golpe no estômago — não apenas pelo prazer, mas pelo que aquilo provocou dentro dele. Algo que nunca sentira antes.
Ela se entregou. Mas não se dobrou.
Ela o quis, mas não o idolatrava.
Isso o desconcertava. A forma como Isabela se movia com elegância pelos corredores, a maneira como conversava com os criados com uma educação natural, sem precisar exibir poder. Havia uma espécie de autoridade tranquila nela. Sem esforço. Sem pretexto. E isso o fazia querer observá-la o tempo todo, ainda que se obrigasse a fingir o contrário.
Quando a encontrou mais tarde no jardim, sentada sob uma parreira lendo, fingiu indiferença.
— Dormiu bem, duquesa? — perguntou, a voz neutra.
Ela ergueu os olhos devagar, os lábios com um leve sorriso enigmático.
— Muito bem. E o senhor?
Ele a encarou, tentando encontrar algo que quebrasse aquele domínio calmo.
— Inquieto.
Isabela fechou o livro devagar. — A inquietude, às vezes, é um sinal de que algo está mudando.
Ele se aproximou, os olhos fixos nos dela. — E você, Isabela... está mudando?
— Talvez. — Ela se levantou, ajeitando o vestido. — Mas não por medo. E sim porque estou aprendendo a viver onde não escolhi estar.
Lorenzo sentiu um arrepio. Aquela mulher não precisava gritar para ser poderosa. E isso o tirava do eixo.
Naquela noite, ele foi até seus aposentos. Bateu, entrou... e não a tocou.
Ficou ali apenas olhando-a se pentear diante do espelho, observando o reflexo dela. Uma bruxa sutil, pensou. Feita de silêncio, força e doçura.
Ela não disse nada, apenas sorriu levemente ao vê-lo, como se já soubesse que ele voltaria.
E ele sabia, com um incômodo crescente, que voltaria muitas vezes.
Porque começava a não suportar a ideia de não vê-la.