Capítulo 17 – O Eco do Pecado

600 Palavras
Capítulo 17 – O Eco do Pecado O duque acordou antes da alvorada, os lençóis ainda marcados pelo calor do corpo dela. Isabela dormia profundamente ao seu lado, os cabelos espalhados como seda escura sobre o travesseiro, a respiração tranquila, alheia à tormenta que o consumia por dentro. Ele se sentou na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos esfregando o rosto como se pudesse apagar o que haviam feito — como se a pele dele ainda queimasse pelo toque dela. E queimava. Nunca planejara aquilo. Não com Isabela. Ela era o erro que ele jurara não cometer. A mulher que prometera proteger de si mesmo, de seu passado, de suas obsessões. E ainda assim, ali estava ele: quebrado e rendido, vítima da própria fraqueza. Na penumbra do quarto, a consciência era mais c***l que qualquer carrasco. Aquela noite — doce, febril, inevitável — tinha gosto de pecado e promessa. E isso o aterrorizava mais do que qualquer batalha travada no campo político ou nas alcovas da corte. Isabela não era uma amante qualquer. Ela o via. E isso era perigoso. “Você está perdido, Lorenzo.” A voz da sua falecida mãe ecoava em sua mente, lembrando-o de que todo homem que se permite sentir... um dia cai. Ele se levantou, caminhando até a janela. A luz pálida do amanhecer começava a pintar os telhados de Florença com tons dourados. Mas ele só via sombras. E nelas, o rosto dela. Ele ainda estava de pé diante da janela quando ouviu o suave movimento dos lençóis atrás de si. O som foi sutil, mas o suficiente para fazer seu corpo enrijecer como se tivesse sido apunhalado pela realidade. — Lorenzo…? — a voz dela era rouca pelo sono, mas carregava algo a mais. Cautela. Vulnerabilidade. Um fio de dúvida. Ele não se virou de imediato. Seus olhos estavam fixos no horizonte, como se o mundo lá fora pudesse lhe oferecer uma resposta. Como se pudesse fugir. — Está tudo bem? — ela insistiu, agora sentando-se na cama. O lençol deslizou, revelando parte dos ombros nus. Ele percebeu pelo canto do olho e amaldiçoou a si mesmo pela onda de desejo que ainda o atravessava, mesmo no meio da culpa. — Você deveria dormir mais um pouco. — Sua voz saiu mais áspera do que pretendia. Isabela hesitou, sentindo que algo havia mudado. Aquilo não era apenas o desconforto do dia seguinte. Era algo mais fundo. Uma barreira erguida entre eles, feita não de palavras, mas de tudo o que não foi dito. — Você se arrepende? — A pergunta veio como uma flecha certeira, atingindo-o no único lugar onde ele ainda se julgava invulnerável. Ele se virou lentamente, os olhos encontrando os dela. Havia tanta verdade no olhar de Isabela que ele sentiu-se pequeno diante dela — pequeno e exposto. — Eu… não sei — ele respondeu por fim, com brutal honestidade. — O que aconteceu entre nós… não deveria ter acontecido. Mas não posso fingir que lamento. Isabela abaixou o olhar, apertando o lençol contra o corpo como se fosse uma armadura improvisada. Seus dedos tremiam. — Então por que está me tratando como se fosse um erro? O duque não respondeu. Apenas cruzou o quarto de volta até ela, ajoelhando-se à frente da cama, como um pecador diante do altar. Ele segurou a mão dela entre as suas, firme, mas com cuidado. — Porque eu sou o erro, Isabela. E foi nesse instante que ela entendeu: ele não a afastava por desprezo… mas por medo. Medo de destruí-la como destruíra tudo o que tocara antes.
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