Capítulo 11 - Ótima Festa.

1733 Palavras
Carolina Smith Depois de dançar por um bom tempo e terminar minha bebida, percebi que precisava ir ao banheiro. Avisei Jenifer, que acenou distraída, entretida demais conversando com alguém que havia acabado de conhecer. O caminho até o banheiro era um pouco afastado, e as luzes mais baixas da área davam um ar mais reservado ao ambiente. Estava quase alcançando a porta quando senti uma presença atrás de mim. Antes que eu pudesse me virar completamente, ouvi uma voz baixa e rouca que já reconhecia: — Fugindo da festa ou só precisando de um momento longe de toda aquela agitação? Eu me virei, e lá estava ele. Louis Beaumont, com aquele sorriso meio inclinado que fazia meu estômago dar voltas. Ele estava próximo, talvez mais perto do que o necessário, e seu olhar, como sempre, parecia me ler completamente. — Acho que não devo explicações para você, devo? — retruquei, tentando soar confiante, mas sentindo minha voz trair a leve ansiedade que a proximidade dele causava. Ele arqueou uma sobrancelha, como se achasse graça na minha tentativa de manter a postura. — Certo, justo. Mas posso arriscar um palpite? — Ele se inclinou levemente, e sua voz baixou um tom. — Está tentando escapar, mas sem sucesso. — Escapar do quê? — perguntei, cruzando os braços, mesmo que meu coração estivesse disparado. — De mim, talvez? — Ele deu um passo mais próximo, e eu não consegui evitar o arrepio que percorreu minha pele. — Não que eu culpe você. Às vezes, até eu tento escapar de mim mesmo. Tentei não sorrir, mas não consegui. Ele era tão confiante, tão despretensiosamente provocador, que era impossível não ser arrastada pela energia dele. — Não acho que você seja o tipo de homem que deixa alguém escapar tão fácil — provoquei, tentando virar o jogo. — Não sou mesmo. — A resposta dele veio rápida, com uma intensidade que fez meu fôlego falhar por um segundo. — Especialmente quando é algo que eu quero. O ar ao nosso redor parecia mais denso, e eu senti meu corpo reagir de forma involuntária à proximidade dele. Quando dei por mim, ele estava ainda mais perto, os olhos fixos nos meus, como se esperasse minha permissão para o próximo movimento. E eu não resisti. Antes que pudesse pensar nas consequências, nossos lábios se encontraram. Foi intenso desde o primeiro momento. Louis não era o tipo de homem que hesitava; sua pegada era firme, dominante, como se ele estivesse completamente no controle. Uma de suas mãos foi direto para a minha cintura, puxando-me para mais perto, enquanto a outra segurava a lateral do meu rosto, mantendo-me onde ele queria. Eu deveria estar surpresa, talvez até hesitante, mas, ao contrário, me senti tomada por um misto de adrenalina e desejo. Minha própria reação foi instintiva, envolvendo meus braços ao redor do pescoço dele, puxando-o ainda mais para mim. O beijo era uma dança entre firmeza e provocação. Ele explorava, dominava, mas também deixava espaço para que eu o desafiasse, como se estivesse testando até onde eu iria. Quando finalmente nos separamos, ambos estávamos ofegantes. Ele ainda segurava minha cintura, e seus olhos me examinavam como se tentasse decifrar o que eu estava pensando. — Se eu soubesse que seria assim... — Ele deixou a frase no ar, sorrindo de forma provocante, enquanto eu tentava me recompor. — Você não sabe de nada ainda — respondi, surpreendendo até a mim mesma com o tom atrevido. Ele riu baixo, um som grave que reverberou entre nós. — Então me mostre, Carolina. Eu m*l conseguia acreditar na intensidade daquele momento. E, ainda assim, algo dentro de mim sabia que, com Louis Beaumont, esse era só o começo. Não sei o que me deu, mas, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, fui eu quem o puxei dessa vez. Minha boca encontrou a dele novamente, e o que começou como um beijo impulsivo logo se tornou algo ainda mais intenso. Louis não hesitou. Ele assumiu o controle no instante em que percebeu minha iniciativa. Suas mãos deslizaram pela minha cintura, mas, dessa vez, ele foi mais ousado. Senti seus dedos apertarem minha bund@, firmes, como se quisesse deixar claro o quanto ele estava gostando do momento. Um arrepio percorreu meu corpo, e eu me senti perdida na intensidade daquele beijo, esquecendo completamente onde estávamos. Quando finalmente nos separamos, ainda ofegantes, ele sorriu daquele jeito cafajeste que parecia ser sua marca registrada. — Você não é nada do que eu esperava — ele disse, a voz baixa e rouca, enquanto seus dedos ainda tocavam minha cintura, como se não quisesse me soltar completamente. — Isso é bom ou r**m? — perguntei, tentando soar confiante, embora meu coração ainda estivesse acelerado. — Definitivamente bom — ele respondeu, o olhar fixo no meu. — Você é cheia de surpresas, Carolina. — Você também não é exatamente o que parece, Louis — retruquei, recuperando um pouco da minha coragem. Ele riu baixo, aquele som grave que fazia minha pele formigar. — Talvez você esteja começando a descobrir. Antes que pudesse responder, ele deu um passo para trás, me soltando, mas seus olhos permaneceram nos meus por mais alguns segundos. — A gente se vê por aí — ele disse, como se fosse uma promessa, antes de virar e se afastar, desaparecendo pelo corredor. Eu fiquei ali por alguns segundos, tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Minha mente estava um turbilhão, mas uma coisa era clara: Louis Beaumont tinha acabado de bagunçar minha noite, e, de alguma forma, eu gostava disso. Finalmente entrei no banheiro e encarei meu reflexo no espelho. Meus lábios ainda estavam um pouco inchados, e minha respiração demorava a voltar ao normal. Passei um pouco de água no rosto, tentando me recompor antes de sair. Quando voltei para onde Jenifer estava, ela me olhou curiosa ao ver minha expressão. — E aí, o que aconteceu? Você tá com uma cara estranha — ela perguntou, levantando uma sobrancelha. — Você não vai acreditar — comecei, sentando ao lado dela. — Lembra do Louis? Ela assentiu, interessada. — Claro que lembro. O que tem ele? — Aconteceu de novo... A gente se encontrou lá no corredor, e, bom... — Mordi o lábio, tentando conter o sorriso. — A gente se beijou. Os olhos de Jenifer se arregalaram, e ela soltou uma risada alta. — Você tá falando sério? — Completamente. E, olha... ele tem uma pegada... — Não terminei a frase, mas ela entendeu. — Carolina! Isso tá parecendo roteiro de filme! — Ela riu, claramente animada. — Tá vendo? Eu disse que isso parecia coisa de comédia romântica! Eu ri junto, ainda surpresa com tudo. — Talvez tenha um pouco de drama também. — Pelo que você tá me dizendo, parece mais uma história bem quente. Eu dei um empurrãozinho de brincadeira nela, mas, por dentro, sabia que ela estava certa. Louis Beaumont não era um homem comum, e, de alguma forma, eu sentia que essa não seria a última vez que nossos caminhos se cruzariam. A festa estava em seu ápice quando Jenifer e eu continuamos a aproveitar. A música parecia mais alta agora, ou talvez fosse o efeito das bebidas que me deixava mais solta. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava realmente me permitindo aproveitar. Paris era para isso, afinal — uma promessa que fiz a mim mesma de viver cada momento intensamente. Rimos, dançamos e brindamos com desconhecidos que se tornaram amigos por uma noite. Jenifer parecia estar se divertindo tanto quanto eu, e, por alguns instantes, esqueci completamente de tudo que não fosse o presente. Mas, como tudo, a festa começou a se esvaziar. As pessoas foram saindo, as risadas diminuíram, e o clima agitado deu lugar a uma calmaria típica do fim de festa. Quando Jenifer olhou ao redor, fez uma careta e disse: — Acho que tá na nossa hora, hein? Eu concordei, olhando para o relógio no meu celular. Já era bem tarde, e o cansaço começava a aparecer. — Você tá certa. Vou chamar o Uber. — Beleza, eu vou pegar minhas coisas. Te espero lá dentro, tá? Assenti, saindo para uma área mais afastada da festa, onde o sinal era melhor. O silêncio ali fora era quase estranho, quebrado apenas pela música distante e o som de algumas vozes que ainda se divertiam. Enquanto esperava o aplicativo carregar, senti algo. Uma presença. Antes que pudesse me virar, um braço forte puxou meu corpo de repente. Soltei um suspiro assustado, mas ao olhar para cima, vi quem era. Louis. Ele estava parado ali, mais perto do que eu esperava, e com aquele olhar que parecia desarmar todas as minhas defesas. — O que você tá fazendo aqui fora, sozinha? — ele perguntou, o tom casual, mas os olhos atentos em mim. — Chamando um Uber pra ir embora — respondi, tentando soar firme, mas o efeito do álcool e a proximidade dele dificultavam. Ele arqueou uma sobrancelha e deu um passo à frente, reduzindo ainda mais o pouco espaço que havia entre nós. — Indo embora sem se despedir de mim? Eu soltei uma risadinha nervosa. — A gente já se viu hoje. — Mas não como eu gostaria — ele disse, com um sorriso malicioso que fez meu coração disparar. — Eu acho que preciso de uma despedida melhor. Antes que eu pudesse responder, ele me puxou para mais perto e, sem hesitar, colou seus lábios nos meus. O beijo foi tão intenso quanto os anteriores, mas dessa vez havia algo mais. Era um beijo de posse, um que me fez esquecer tudo ao redor. Suas mãos seguraram minha cintura com firmeza, e, por um momento, me senti completamente perdida nele. Quando o beijo terminou, ele encostou a testa na minha, ainda segurando meu corpo. — Agora sim — ele murmurou, sua voz baixa e rouca. — Pode ir embora. Eu não consegui responder. Meu coração estava acelerado demais para formar qualquer palavra. Ele deu um passo para trás, me observando com aquele olhar intenso antes de virar e desaparecer na escuridão. Fiquei ali por alguns segundos, tentando recuperar o fôlego e, talvez, um pouco do controle que ele tirou de mim. Então, lembrei que Jenifer ainda me esperava e terminei de chamar o Uber, tentando ignorar a sensação de que Louis tinha acabado de virar minha vida de cabeça para baixo novamente.
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