01 - Gaia Spanos

1429 Palavras
Gaia Spanos — Hoje será um dia maravilhoso, não tem por que estar em pânico. — Falo me olhando no espelho do meu quarto. Enquanto minha gêmea invade meu closet, para pegar alguma coisa, mas quando passa por mim ela nota que não estou tão bem. — O que houve, porque está com essa cara de quem comeu e não gostou. — Ela fala. Atena é a mais velha de nós duas, fomos educadas entendendo o nosso lugar na organização, sendo que é herança dela a cadeira do meu pai na máfia, então o seu marido foi muito bem escolhido. Meu pai decidiu unir as nossas famílias com a tia Carol, por isso Matheus é o escolhido. Eu por minha vez aprendi a me apaixonar pelo trabalho da nossa mãe no museu. Diferente dela, não serei uma arqueóloga, estou estudando para ser uma administradora, sei que assim que mamãe pedir demissão, posso tentar a vaga. Porque como a senhora Spanos sempre diz, está na hora de descansar, voltar a viajar pelo mundo e conhecer novas culturas. Enquanto aprendi a cuidar do museu da minha mãe, me especializei em cibernética para sempre estar de olho nas coisas para Atena. Hoje é um dia complicado para mim, meu pai insiste nesse casamento arranjado, ele escolheu para mim o Joaquim que cuidará da comunidade no Rio de Janeiro. A mesma que já foi um dia do tio Bruno, que com alguma ajuda se tornou o CEO da “Smoke”. — Houve! — Respondo para a minha irmã. — Não suporto olhar para o Joaquim Garcia e não sentir uma ânsia quando ele me olha com desdém e aquela cara de que não me deseja por perto. — Ela revira os olhos e se senta na minha cama. — Gaia, já falou com a mamãe sobre isso, quem sabe ela não convença o nosso pai a deixar que você fique livre deste compromisso. — Suspiro olhando para a minha irmã. Atena é idêntica a mim, a única coisa que nos faz diferente hoje é a roupa que escolhemos e nossas joias, porque fora isso somos iguais. — Já tentei falar com ela, apenas me disse que não gosta de se meter nos negócios do papai e que há muitos anos eles tiveram uma briga muito feia sobre isso. — Suspiro frustrada. Sento ao lado da minha irmã que me abraça e solto a respiração que nem percebi estar prendendo. Ela faz um carinho em minhas costas enquanto seco uma lágrima antes que ela borre a minha maquiagem. Enquanto nos olhamos no espelho que estava de frente para a minha cama, ouvimos a porta se abrir e quando damos por nós, nosso irmão Apollo se joga em minha cama nos tirando risadas. Apollo está com treze anos e quando nossa mãe descobriu que estava grávida dele quase matou o nosso pai. Todos nos divertimos com a novidade. Só se tranquilizou quando descobriu que era somente um, ficando mais aliviada e tranquila. Apollo entra no nosso meio e percebe o quanto estou triste e me abraça assim como Atena. Sei que se eles pudessem mudar alguma coisa, eles fariam de tudo para mudar meu humor e minha sina. Mas não tem mais como evitar isso, então é melhor descer e enfrentar o problema que está me esperando lá fora. Levanto da cama e meus irmãos me abraçam. Apollo seca minha última lágrima e minha irmã, como sempre unida comigo, segura a minha mão me dando apoio. Descemos a grande escadaria da mansão, tinha vista para a sala de estar onde estavam a minha família e os pais do Joaquim e Thalles. Assim que entramos na sala observo o motivo de meu descontentamento. A sua mãe se levanta e vem ao nosso encontro, fica um pouco em dúvida quem é quem, o que me tira um pequeno sorriso. — Sou a Gaia. — Atena fala rindo e nosso pai olha feio. — Nunca ensinei vocês a mentir, por que começaram agora? — Ouvimos a nossa mãe nos repreendendo. — Desculpa, tia Tânia não quis ofender nenhum de vocês. — Minha irmã se desculpa, então se vira na minha direção, me abraça e retribuo. — Você se mantém exatamente iguais, com os anos Joaquim e Thalles ficaram diferentes, mas vocês não… — Via, o seu olhar fica um pouco mais curioso com o que ela acabou de falar. Ela me puxa para mais perto do seu filho e meus irmãos vão se sentar perto dos meus avós. Ouço Atena sussurrando com a minha avó Maitê que apenas negou com a cabeça e coloca a mão em seu joelho. Minha mãe se aproxima e segura a minha mão, continuo de pé olhando para o Joaquim que ainda estava sentado ao lado de seu pai e seu irmão, que me dava um sorriso gentil. — Júlio sempre fomos todos muito amigos, acho justo que nossa amizade se estreite mais ainda. — Meu pai começa a falar com o pai do Joaquim. — Como sabe sempre prometi a minha primogênita para o Matheus e até então estamos com esse acordo firmado. Nesse momento a minha vida estava sendo realmente atrelada à vida de um homem que deixa claro que também não me deseja. — Sabe que tenho apenas o meu filho Joaquim para oferecer à sua filha, comandará a comunidade no futuro e seu irmão estará com ele. — Tio Júlio diz. Olho para o Joaquim que me olha com uma cara de nojo, ele sussurra algo para o irmão que também o repreende, mas ele parece mais corajoso do que sou, ou pelo menos não respeita os pais como respeito os meus. — Já disse que não quero me casar com ela, que m*l fala o nosso idioma, é apenas uma menina mimada criada para ser uma princesinha e não uma rainha ao meu lado, não aceito esse casamento. — Todos nos viramos em sua direção. Ele continua a me olhar com repulsa, minha única reação é virar de costas e sair daquela sala, caminho em direção ao jardim que fica no lado oposto do mar, vejo Alice lendo algum romance em seu dispositivo. Percebo quando ela acha estranha minha presença ali, já que todos sabiam o que deveria estar acontecendo agora. Me sento perto do seu pé enquanto ela larga seu dispositivo e me abraça. Sinto minhas emoções explodirem quando me sinto acolhida naquele abraço. Queria que minha irmã estivesse aqui fazendo isso, me ajudando enquanto choro e penso em tudo o que o Joaquim me disse. — Alice acha que sou uma princesinha metida, que não posso ser uma rainha? — Pergunto e suas mãos seguram em meu rosto, me fazendo lhe olhar. — Não importa o que te falaram Gaia, você é a pessoa mais nobre e gentil que conheço, meus tios criaram muito bem você e tenho certeza de que aquele i****a vai se arrepender muito do que ele disse. — Sorrio com carinho para a minha prima. Olho para ela que mais uma vez me abraça e me puxa para dentro do seu quarto, me ajuda a limpar a maquiagem borrada do meu rosto. Depois de uns bons minutos fomos surpreendidas pela minha tia Selma que entra no quarto e se assusta ao me ver, mas assim que passa pela porta ela fecha para que ninguém entre. — Estão todos procurando por você meu amor, soube o que aconteceu na sala e vim olhar para ver se estava aqui. — Ela senta ao meu lado e me abraça. — Como está o clima por lá, tia? — Ela não estava com uma cara ótima. — Seu pai está irritado, o Júlio deu um tapa no Joaquim enquanto sua mãe e a Tânia tentam apaziguar as coisas entre eles para resolverem o que devem fazer. — Não imaginei que tudo isso iria acontecer depois que saísse da sala. — Alguma chance de que o meu pai mude de ideia e cancele esse compromisso, não quero ficar atrelada a um compromisso, onde o noivo ache que sou uma menina mimada. — Ela respira fundo e faz um carinho em meu rosto. — Minha doce Gaia, a última coisa que alguém pode falar sobre você é que é mimada, eu sempre quis que você fosse a minha filha. — Caio na gargalhada, depois que a Alice faz uma careta. — Muito obrigada, mãe, por me falar que não me ama. — Abraço a minha prima e seguimos conversando até que minha tia me encoraja a enfrentar tudo o que está me esperando lá na sala.
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