03 - Gaia Spanos

1279 Palavras
Gaia Spanos Saio da casa e Thalles vem ao meu lado rindo, ele chama um motorista e pede para que me leva até a casa da tia Carol, quando saímos da comunidade entramos no mar de carros que havia, mesmo com trânsito pesado não demoramos a chegar até a sua casa, dei sorte que a Laís estava lá, ela me recebe na porta e me puxa para o seu quarto, ela estava arrumando as malas para seu mochilão que fará daqui a alguns dias. — Oi, Gaia, o que faz aqui? — Ela me abraça e me sentei ao lado da mala que ela estava tentando fechar, deixo uma lágrima escorrer. — Estou fugindo do louco do meu pai. — Ela começa a rir e caio na sua cama e me abraço ao seu travesseiro. — Espera aí que trarei algo para melhorar o seu humor. — Ela sai rindo e grito para ela em português. — Espero que seja uma panela de brigadeiro. — Puxo a minha bolsa e tiro o celular de lá e havia várias mensagens e ligações dos meus pais, abro somente a primeira. Papai: Assim que pôr meus olhos em você, pode ter certeza de que a sua mãe não conseguirá abrandar a raiva que estou sentindo de você agora, Gaia Spanos. Reviro os olhos para a mensagem e penso no que responder e apenas digo a verdade. Gaia: Está decretando a minha morte, me forçando a me casar com quem não amo, apenas para que não se preocupem, estou com a Laís comendo brigadeiro. Resolvo desligar o celular porque sei que agora eles vão ligar até se cansarem, consegui chamar a atenção deles, isso tenho certeza. Começo a ouvir passos se aproximando, mas como estava de costas para a porta não faço ideia de quem chegou. — Cadê o brigadeiro Laís? — Pergunto tentando aplacar a dor do meu coração. — Ela está fazendo e pediu para que descesse comigo, meu rubi. — Me viro rápido assim que ouço a voz do Arthur na porta. Me levanto num pulo e corro até os seus braços que me agarram com força. Sinto o beijo na minha testa, ele levanta meu rosto e seus lábios encostam nos meus, nosso beijo sai com carinho e me derreti completamente por ele. — Por que está aqui e não no Suíça? — Pergunto curiosa. Ele começou a trabalhar com a tia Carol por meio período, já que estuda no período noturno, está quase terminando a sua faculdade de engenharia aeronáutica, o que estava me deixando tão orgulhosa. — Vim trazer uma coisa para a Laís que a minha tia mandou, estava na cozinha quando chegou, agora me diz o que houve? — Respiro fundo e falo baixinho. — Viemos para que meu pai encontre um meio para que esse casamento aconteça… — Ele me abraça mais forte. — Me perdoe Gaia, por não estar nessa vida. — Vejo seus olhos tristes. Sempre soube que seus pais nunca quiseram se envolver com nada disso e hoje estamos aqui sofrendo com as escolhas que Cláudio e Juliana tomaram para si. — Não tenho que perdoar nada, meu pai que precisa ceder… — Antes que termine de falar algo, a Laís entra no quarto. — Seus pais e minha mãe estão vindo, acho melhor você ir Arthur. — Ele concorda. — Assim que você estiver perto de se casar, se ele mantiver essa ideia faremos algo, não se preocupe. — Ele fala e me beija mais uma vez. — Daremos um jeito para ficarem juntos, podem contar comigo… — A porta do quarto se abre e vejo a minha irmã na porta e sorri para mim. — E comigo, não perderei a minha irmã para a morte. — Todos me olham preocupados e tento explicar. — Meio que disse que me mataria se me casasse forçada. — Dou de ombros e vejo a expressão assustada deles. Arthur se vira em um rompante na minha direção. — Nunca mais fale isso, ouviu? — Arthur eleva meu rosto com carinho. Seu olhar ficou sério e preocupado naquele momento, então apenas concordo com a cabeça, ele me abraça e nos despedimos. Volto para a cama e a Laís mostra a panela de brigadeiro. Quando nossos pais aparecerem diremos que passamos a tarde deitada comendo o doce e assistindo algo interessante. Atena nos explicou que pediu permissão para que viesse logo atrás de mim, por isso chegou antes dos meus pais. E como previa, eles não demoram muito para surgir cuspindo fogo, como a vovó Maitê fala sempre quando a tia Carol aparece brava lá em casa. Eles tentaram conversar comigo de todas as formas, mas não quis ouvir e pela raiva que meu pai ficou de mim e pela raiva que o pai do Joaquim ficou dele, eles se acertaram e decretaram meu casamento para quando fizesse 21 anos, não tenho mais o que fazer, agora é viver um dia por vez até esse maldito dia. Agora estou aqui nos braços do homem que realmente amo, sentindo o carinho dele em meu braço e seus beijos em meu pescoço, me tirando suspiros como uma adolescente apaixonada. Arthur com seus vinte e oito anos é formado em engenharia aeronáutica. Para conseguir ficar mais perto de mim tirou as permissões necessárias para que se tornasse piloto e com uma certa ajuda ele foi contratado para ser o piloto da família, então sempre conseguimos ficar um tempo sozinhos. Sei que meu pai sabe disso, que ele se arrepende de decretar essa prisão para mim, mas infelizmente ele não quer voltar com a sua palavra. — Não sei o que pensar Arthur. — Me deito em seu peito e olhamos para o mar que estava na nossa frente. — O que me preocupa em tudo isso é que o Joaquim toque em você meu rubi, isso é a pior coisa que passa na minha cabeça… Ouço suspirar, acredito que para ele como homem isso deve ser o pior em sua cabeça, sempre imaginei que a minha primeira vez fosse com ele. Nunca passamos dos limites, até porque sei o que me cabe na organização sendo filha do meu pai, então o Arthur sempre me respeitou muito. Mas na noite da festa dos meus dezoito anos meu pai fez uma festa enorme e todos ficaram muito embriagados. De madrugada fui surpreendida com o Arthur entrando no meu quarto e me mostrou o que teria com ele. Ele fez com que conhecesse o meu corpo e me deu uma pequena amostra do que era um orgasmo, mas sei que ele só fez isso porque havia bebido muito. Antes de amanhecer o ajudei a voltar para o seu quarto e fiquei sozinha pensando em tudo o que podia ter com ele. — Ele não vai me tocar nem que tenha que matá-lo nas nossas núpcias. — Ele começa a rir. Suas mãos traçam um caminho por minha barriga, seus dedos chegam a tocar a pele dos meus s***s, suspiro apenas por começar a sentir t***o com seu toque. — Sua avó tem uma ideia melhor para o seu casamento, acho que deve conversar com ela sobre isso. — Ele diz e me surpreendo. Me viro de frente para ele com a testa franzida, me questionando sobre o que a minha avó pode estar planejando. Sendo que minha avó Maitê nunca se mostrou interessada em proibir esse casamento. — Não percebeu nada nos últimos anos? — A sua pergunta me intriga. Nego com a cabeça e vejo um sorriso surgir em seus lábios. Deixando claro que estava acontecendo algo que não fazia ideia do que seria. Mas sinto um pouco de esperança…
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