O som das batidas na porta ecoaram não apenas no corredor, mais também na sala do apartamento, Andrea abriu a porta ficando estática no lugar.
— Não irá me convidar para entrar, Andrea? — A morena sentiu o corpo tremer com a voz séria e cortante da mais velha.
— Mira, o... O que faz aqui? — Mira entrou seguindo para o sofá, jogou a bolsa e virou para a morena começando a retirar o casaco.
— Vim saber o que aconteceu para que tenha sumido do desfile, ter vindo embora sem mais, nem menos e ainda por cima, não ter ao menos me ligado.
— Mira, eu... Nós — Se corrigiu — Não podemos, eu não posso fazer isso, você é casada, eu uma simples assistente que deu sorte, mais o fato nem é eu ter sido sua assistente, é o fato do seu casamento, eu havia me esquecido, estava tão submersa no meu desejo, em tudo o que você me provoca que simplesmente não lembrei, caso contrário não teria beijado você, nem ido a Paris, eu sinto muito — Mira suspirou aliviada e sentou-se no sofá.
— Pensei que fosse algo grave, Andrea.
— Como?
— Venha, sente-se aqui — Andrea a olhou desconfiada fazendo com que a mais velha revisse os olhos — Venham, precisamos conversar — Andrea aproximou-se ainda desconfiada e sentou um pouco afastada, Mira riu nasalado.
— Mira, nada do que disser vai me fazer...
— Não estou mais casada — A interrompeu, Andrea a olhou.
— Perdão? — Disse incrédula.
— Eu e Stephen não estamos mais juntos.
— Olha, se você me quiser como amante, não irá acontecer, pois eu acho errado, sei que não parece, por eu ter beijado você e ter ido para Paris, mas eu não me recordava disso.
— Acha mesmo que eu aceitaria passar mais uma noite longe das minhas filhas se a quisesse como uma simples amante? Eu sou Mira Priestly, Andrea, posso conseguir quem eu quiser para amante, eu não saíram de um avião depois de horas apenas para procurar uma amante, achei que me conhecesse melhor.
— Mas ele estava lá no coquetel e na sua casa.
— Aparências Andrea e Stephen sempre está na minha casa, as meninas o adoram, nós conversamos bastante, mas isso não quer dizer que continuamos juntos, ele não mora mais lá e eu não daria satisfação da minha vida há um amante.
— Está mesmo separada? — Perguntou incerta.
— Você pode me beijar quantas vezes quiser.
— Vou considerar isso como um sim — Disse sorrindo de canto, Mira repetiu seu ato e afirmou com um aceno de cabeça.
— Deveria ter me dito e não, fugido dessa maneira.
— Eu sei e sinto muito.
— Tudo bem, eu irei perdoa-la, com certas condições.
— Quais seriam?
— Eu preciso de um banho e estou faminta.
— Eu vou te mostrar o banheiro e depois preparar algo para comermos — Disse se preparando para levantar, Mira a puxou para si, beijando-a com saudade.
Andrea cedeu espaço para que a língua de Mira adentrasse sua boca e a apertou na nuca, afastaram-se quando o ar se fez necessário.
— Senti saudade — Mira sussurrou sem acreditar em suas palavras.
— Eu senti ainda mais — Sussurrou dando-lhe um selinho — Vem, eu vou te mostrar onde é e ver algo para que você vista — Disse ficando de pé e puxando-a para o pequeno corredor que havia ali, abriu a porta do quarto e entrou sem soltar a mão de Mira.
A editora olhou em volta, a decoração era sofisticada e rústica, as paredes em tons creme, a grande cama de madeira envernizada em tom de uma marrom avermelhado, os lençóis em tons de musgo e creme, com uma mesa de cabeceira a cada lado, as cortinas eram em tons de um verde mais claro, mas ainda sim podiam ser igualado ao verde musgo.
O grande guarda-roupa no mesmo tom da cama e uma poltrona uma pequena mesa redonda em frente com um pequeno jarro de flores, tulipas vermelhas, haviam apenas três delas, Mira sentiu Andrea soltar sua mão fazendo-a sair de seus devaneios.
A morena seguiu para a única porta que havia ali e a abriu entrando em seguida.
— Tem toalha limpa no gancho, eu vou pegar uma roupa e colocar aqui na cama, te espero na cozinha.
— Tudo bem — Andrea pegou uma roupa e colocou sobre a cama, depois saiu do quarto enquanto Mira seguiu para o banheiro, observou o ambiente.
As paredes brancas com azulejos em três tons de azuis, as toalhas bem postas, o espelho oval colado na parede, o Box de vidro e alguns detalhes na pia, começou a despir-se, deitando as roupas dobradas sobre a pia e adentrou o Box, abrindo a água e deixando que caísse sobre seus cabelos molhando-lhe o corpo, suspirou satisfeita, estava realmente precisando relaxar um pouco.
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Assim que saiu do banheiro, pegou as roupas sobre a cama e após analisar o moletom que considerou horroroso, vestiu saindo do quarto e indo procurar Andrea pelo apartamento, analisou cada detalhe, tudo remetia a morena, cada simples detalhes mostrava o quanto ela era encantadora.
Mira escutou uma música não muito baixa, vinda do cozinha e logo a voz de Andrea cantando-a, sorriu de canto e aproximou-se, cruzou os braços apoiando-se no vão da porta, de onde estava não nada para ver o que a morena fazia, mas quando Andrea seguiu em direção a geladeira, ela pode observar os sanduíches que haviam ali.
Andrea inclinou o corpo para frente, enquanto procurava algo que Mira não preocupou-se em perder tempo querendo descobrir por está totalmente atenta as nádegas pouco cobertas da morena pelo pequeno short, sua língua deslizou entre seus lábios e ela deu uma leve mordida logo em seguida, seu corpo reagia aquela imagem.
Andrea levantou-se e notou que estava sendo observada, olhou para Mira que continuava parada no lugar e sorriu de canto.
— As roupas ficaram confortáveis?
— Apesar de serem uma roupa que ninguém jamais me viria vestida, sim, são bem confortáveis.
— Fico feliz por ser ninguém — Disse divertida, Mira revirou os olhos — Venha, sente-se aqui, eu fiz uma coisa leve, por causa do horário.
— Pensei que fosse por ser a única coisa que você sabe fazer — Disse passando a língua nos lábios de forma divertida enquanto sentava.
— Sei fazer muitas coisas, senhora Priestly e todas muito boas.
— Espero que sejam tão boas quanto diz — Disse em um sussurro encarando os lábios da morena, Andrea sorriu de canto e inclinou-se um pouco mais sobre o balcão.
— Muito boas — Sussurrou olhando os lábios e depois os olhos da mais velha.
Afastou-se indo pegar os sanduíches, colocou em frente a Mira e as serviu com suco, Mira encarou os sanduíches e o suco.
— Tudo é natural, Mira, não se preocupe.
— Pensei que só comia coisas gordurosas.
— Pois fique sabendo que eu não faço isso a um bom tempo — Disse sentando-se ao lado da mais velha e sorriu tomando um gole de seu suco logo depois, Mira a observou em silêncio por longos segundos.
— Não sei se posso acreditar — Andrea revirou os olhos e sorriu mordendo o sanduíche, Mira sorriu de canto e bebeu um pouco do suco.