- Finalmente muié. - Diz Marina. Sempre impaciente.
- Calma. Se seu irmão não tivesse me dado carona eu teria chegado mais tarde. - Digo me sentando ao lado dela. - Oi Lucas.
- Oi. - Ele retribui.
- O que você estava fazendo com o meu irmão? - Pergunta Mari.
- Assistindo série. Já que a irmã me abandonou. - Lucas ri do meu comentário e Mari apenas revira os olhos. - Enfim. O que faço aqui?
- Eu quero falar com você. - Diz Lucas.
- Ok. Mas antes vamos pegar o sorvete. - Diz Mari. É incrível o quanto essa menina come e não engorda, antes eu e Henrique chamávamos ela de Magali por causa disso.
- Ixi. Esqueci minha carteira em casa. Mah você pode pagar pra mim? Depois te devolvo o dinheiro. - Digo.
- Eu pago. Afinal foi eu que convidei. - Diz Lucas. Depois que todos escolherem os sabores fomos nos sentar nas mesas do lado de fora da sorveteria para apreciar a vista do mar.
- Então. Sobre o que exatamente você quer falar? - Pergunto pra Lucas.
- Bom... Eu queria pedir desculpa pra você. Eu acho que você tem uma impressão um pouco errada de mim. Eu quero falar que eu mudei. - Eu levanto uma sobrancelha.
- Um pouco? Além de você ter ficado com quase todas da escola, você vivia xingando eu e Mari. - Digo. Ele faz uma pequena careta.
- Eu sei que que meu passado não é bom. As meninas também não são as melhores. Você sabe a fama delas. Elas não queriam compromisso. E o fato de xingar vocês é que eu sempre gostei da Mari. Bonita e inteligente. Ela é diferente. E eu não podia pegar no pé dela e deixar você. Você poderia desconfiar. - Ele diz olhando para Mari, que nem está prestando atenção na conversa, está se ocupando com o sorvete. - Eu não sabia como expressar o que sentia por ela.
- E como posso saber? E como posso confiar em você? - Pergunto. Ele abaixa a cabeça.
- Olha, eu sei que é difícil acreditar em mim agora, mas eu mudei e se você me der uma chance você vai ver. Por favor. - Ele parece que realmente está falando a verdade. Eu fico um pouco pensativa. - A Marina é a única pessoa que eu quero. Ela me fez mudar. E ela me deu uma chance. Se você não me aceitar, tudo bem, eu entendo, mas eu e ela vamos continuar juntos. Mas você é muito importante para ela. - Nós dois olhamos para ela de novo, que continua distraída.
- Tudo bem! Eu te dou uma chance. - Ele sorri. - Maaas. Se ela chorar por alguma coisa que você fizer, você é um homem morto. Ouviu?
- Sim. Não vou deixar ela chorar. Só de felicidade pelo menos. Obrigado. - Eu sorrio.
- De nada. - Eu até me sinto melhor.
- Mô? O que tem de interessante aí? - Lucas pergunta para Mari que está concentrada na colher.
- Nada. Só estava esperando você. Eu quero mais sorvete. - Ele ri.
- Você quer mais Lah? - Lucas me pergunta.
- Não obrigada. – Respondo.
- Eu quero o de sempre. Pega lá pra mim por favor. Vou ficar aqui com a Lah. - diz Mari.
- Ok. - Ele dá um selinho nela e entra na loja. - Que foi? Que cara é essa? - Pergunta Mari.
- Estou com saudade de você. - Faço um biquinho.
- Aaah. Para de drama! Só faz um dia, ciumenta. - Ela sorri e abraça meu pescoço.
- Mesmo assim! Um dia é muito. - Digo abraçando ela também. - Vamos assistir o filme ainda?
- Era sobre isso que eu queria falar. Não vai dar. Minha tia está doente, meus pais vão viajar e eu vou com eles. - Eu me endireito na cadeira e fico séria.
- Qual tia? A de minas?
- Sim. Vou ficar uma semana. Vou sair daqui a pouco. - Ela diz meio triste.
- E a escola? E o Lucas já sabe? - Pergunto triste. Ela põe a mão na testa.
- O meu pai vai falar com os professores e... O Lucas vai comigo.
- O quê!?- Eu me levanto da cadeira. - Mas... Como assim? Era eu que sempre ia com você!
- Eu sei... Mas ele é meu namorado. - Ela diz baixo.
- Mas isso não é desculpa. Ele é seu namorado a dois meses e eu sua melhor amiga a cinco anos!!! Tem muita diferença! - Mari está com aquela cara que ela sempre faz quando estou exagerando, mas eu não vou parar!
- O que está acontecendo? - Pergunta Lucas.
- Nada!! - Eu falo um pouco alto. Eu estou chamando a atenção das pessoas da loja. - Quer saber é melhor eu ir embora antes que fique tarde. - Marina segura minha mão.
- Espera! Não fique com raiva.
- Eu vou ficar bem. - Digo para ela. - Boa viajem pra vocês. - Assim que digo isso um sinal de entendimento surge no rosto de Lucas. Eu saio da loja e Lucas vai atrás de mim.
- Ei. Você está com raiva por eu ir?
- Não! É normal levar o namorado no lugar da amiga né? Eu só tenho que me acostumar. - Digo sem olhar pra ele. Ele para e apenas me vê indo embora. Agora a única coisa que eu quero é minha casa e minha mãe. Ninguém mais.
Abro a porta de casa emburrada. E começo a subir as escadas.
- Oi pra você também. - Ouço uma voz desconhecida, me viro e vejo um menino jogado no sofá assistindo televisão.
- Quem é você? - Pergunto para ele.
- Quem é você? - Ele pergunta pra mim.
Agora pronto!!! Estou vendo que esse dia não vai acabar bem!!