A madrugada avançava quando os primeiros sinos de vigia anunciaram que os portões de Enoque se abririam. As tochas ao longo das muralhas projetavam sombras longas e inquietas sobre a estrada principal, ainda húmida do sereno. O som dos cascos ecoou nos paralelepípedos — Lucifer à frente, seguido por Baal, Cain, Demóstenes e Leviatã e vinte cavaleiros fechando a retaguarda. Entre eles, amarrado a uma sela, vinha Gabriel, abatido, a cabeça pendendo de vergonha e dor. Baal puxou o cavalo para mais perto de Lucifer, inclinando‑se na sela: — Espero que tenhas preparado uma boa cela para o nosso “príncipe” — sussurrou, lançando um olhar de escárnio a Gabriel. — Ele ficará exatamente onde merece — respondeu Lucifer sem desviar os olhos da estrada. — Depois explicará, diante de todos, por que su

