Capítulo 11

1083 Palavras
Ao voltar para o meu setor, vou até a minha mesa, deixar as minhas coisas, e me dirijo para o escritório do Sr. Filipe. Olho pelo vidro que ele já está concentrado em algumas papeladas, quando eu me aproximo da porta. Timidamente bato pedindo licença, mas como ele ja havia me visto, me interrompe e diz: “Pode entrar!” Abro a porta, e entro com um sorriso acanhado, peço novamente licença, e aguardo suas instruções. Ele esta sentado segurando algumas folhas, com os braços apoiados em cima de sua mesa. - Pode se sentar, fique a vontade. - Ele diz, enquanto aponta para a cadeira, que fica em frente a sua mesa. Eu me sento, e confesso que estou tão sem jeito com a situação, que se eu pudesse, cavava um buraco no meio desse chão nesse momento. - Pérola! Eu preciso que você me ajude a revisar todos esses relatórios, para garantir que não tenham mais erros. - Enquanto ele explicava sobre as tarefas, eu não consegui deixar de notar que ele não usava aliança de casamento, e nem de compromisso. O que despertou um pouco mais de curiosidade, sobre sua vida pessoal. - Claro senhor! Vou tentar fazer o mais rápido que conseguir. Pego algumas folhas em sua mesa, e tento me concentrar, para não cometer nenhum erro. Seria h******l, fazer algo errado diante dele. - O que esta achando de trabalhar aqui, ja tem mais de 3 meses na empresa, não? - Ele pergunta, mas mantém os olhos nas folhas. - Sim, completei 4 meses na semana passada, estou gostando, o pessoal do departamento, foram muito prestativos quando entrei, e me ajudaram a me adaptar com facilidade. - Fico um pouco nervosa com perguntas sobre o trabalho, é como se eu estivesse sendo avaliada novamente. - Hum isso é ótimo. Essa é a intenção do trabalho em grupo. Mas notei uma certa tensão na sua resposta! - Ele para de olhar as folhas, e me direciona seu olhar. - Não é uma entrevista, só estamos jogando conversa fora, para ajudar a quebrar o tédio. Eu sei que não é apropriado conversar durante o expediente, mas não tem ninguém aqui além de nós dois, para nos supervisionar. Ficamos por horas, revisando folha por folha. Não era uma tarefa difícil, porém, confesso que foi cansativo. Mas fiquei surpresa, que ele trocou algumas palavras comigo, Aquele homem serio, que m*l da bom dia, para os funcionários, se dirigia a mim, de forma gentil e espontânea. Ouvir suas palavras, me fizeram quebrar a rigidez, que a timidez estava causando ao meu corpo. Então para que o tempo passasse de forma menos tediosa, nos mantivemos conversando. - Quando os outros funcionários voltarão a trabalhar aqui? - Pergunto. - Humm, creio que somente no mês que vem, considerando que ja estamos no dia…- Ele confere no pequeno calendário de mesa, a data, e continua. - 22, então acredito que eles voltem em menos de 10 dias. Por que, está se sentindo sozinha? - Não é isso! É apenas por curiosidade mesmo. - Sorrio sem graça, com sua pergunta inesperada. Passado algumas dezenas de minutos, ele olha no relógio e diz. - Bom por hoje terminamos. - Paro e olho a quantidade de folhas que ainda sobraram para conferir. - Mas senhor, ainda sobraram muitas folhas, eu posso ficar um pouco mais para ajudar. - Agradeço por se oferecer, mas não será necessário. Podemos dar continuidade amanhã. - Ok, ja sei que vou ter que passar mais tempo com ele no escritório. - Tudo bem então, senhor Filipe, até mais.. Entrego as folhas que havia conferido, me despeço, e saio do escritório. Vou ate a minha mesa, pegar minhas coisas, e sigo para casa. No caminho vou pensando em como havia sido tenso passar a tarde com o meu chefe, sem falar no tanto que eu suei, só por estar la. Apesar de não termos conversado tanto, senti que mudou alguma coisa, na forma como eu o via. Ele parecia ser tão frio, e sem paciência, mas não foi o que eu vi hoje. 
Eu vou caminhando ate a minha casa, como de costume, pois moro a 20 minutos andando, da empresa, e ao me aproximar de casa, recebo uma ligação de Carla, que diz estar me esperando em frente ao meu portão. Apresso os passos e vou ao seu encontro.
Ao me aproximar, noto uma certa impaciência em seu comportamento. - Até que enfim você chegou. Preciso falar com você. - Eu vim caminhando, não esperava que viria hoje! - Ta! Eu vim direto do serviço, porque estou um pouco nervosa. - Ja vi que você quer conversar! Vamos subir, para você me contar o que esta acontecendo. Entrando em casa, minha mãe, me recebe na porta e se surpreende com a presença de Carla. - Veio jantar conosco Carlinha? - Na verdade não tia, mas posso ficar para jantar sim, obrigada. Seguimos para o meu quarto, e Carla começa a falar. - Casamento? - Minha voz soa alto, ao me surpreender com a palavra que ela diz.. - Pois é, ele me pediu, e eu estou quase aceitando. - E você vai mesmo se casar, sem ter certeza? - Carla franzi a testa. - Como sem ter certeza? Eu sei que eu quero.ficar com ele. - Se realmente soubesse, teria aceitado na hora em que ele fez o pedido, e não estaria aqui com essa cara de confusa. - Ela me olha mais confusa ainda. - Amiga, eu só acho que sou nova demais para casar, acabamos de começar a namorar, tipo temos apenas 8 meses juntos. Me ajuda. - Mas ele quer se casar imediatamente, ou só quer ficar noivo? As vezes ele só fez o pedido para mostrar as verdadeiras intenções dele. Tipo se você também estiver com os mesmos objetivos de se casar, enquanto vocês forem juntando a grana para alcançar esse objetivo, vocês vão se conhecendo, para ter certeza se é isso o que você quer. Ela pensa um pouco e responde. - Ê mesmo né amiga, parece melhor pensando dessa forma. - Ela fala, enquanto considera a situação. - Sim, e outra, ate lá muitas aguas vão rolar. 

Quando ela falou a palavra casamento, me senti ficando para trás, enquanto os anos passam voando. Parece que foi ontem que eu estava no ensino medio, e olha hoje, a minha melhor amiga, esta pensando em se casar.
Passamos o resto da noite conversando sobre as novidades que tínhamos e etc.
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