Capítulo 9

1082 Palavras
Nove anos se passaram. E algumas coisas aconteceram. Eu me formei no ensino medio, e logo entrei para a faculdade. Meu grupo de amigos, se desfez porque seguimos rumos diferentes, ficando apenas a Carla, que entrou na faculdade junto comigo. Escolhemos juntas o curso de Administração, e mantivemos a nossa amizade de sempre. Na minha vida mudou pouca coisa. Após atingir maioridade, eu permaneci morando na casa dos meus pais, mas continuei estudando bastante. E sobre o Bruno, algumas fofocas na época chegaram ate mim, dizendo que o Bruno só se casou com a Carina, porque os pais dela, investiram no negocio de seus pais, para que pudessem abrir a empresa. E por isso o Bruno assumiu a responsabilidade de se casar com ela, pois se não o fizesse, poderia abalar as relações entre eles, e como o negocio que abriram era um sonho de família antigo, Bruno decidiu priorizar os negócios, ignorando a felicidade dele. Ele nunca me falou sobre isso, e essa informação chegou ate mim, através do meu irmão, que estava namorando uma moça que conheceu na faculdade, e que tinha amizade com a família de Carina. O Bruno me procurou algumas vezes, para conversar, alegando estar com saudades. E entre uma dessas conversas o questionei, sobre estar com saudade de mim, mas também estar planejando aumentar a família com outra. Ele me disse que quem postava fotos na rede social, era a carina, que tentava ao máximo criar uma imagem de família feliz. Na real, eu nunca soube ate onde ele falava a verdade, então nunca me deixei levar por suas palavras. 
Fazem anos, que não nos falamos, e que não tenho notícias dele. E para falar a verdade, eu acho melhor assim. Meu relacionamento com ele, foi m*l resolvido, por isso eu tenho uma ferida que criou casca, mas nunca secou. Confesso que esperei nos primeiros anos, que ele se arrependesse, e viesse pedir para voltarmos, mas não aconteceu, parece que ele se adaptou a família, e a mim só restou, seguir em frente. Carla assim como eu, entrou na faculdade solteira. Ela estava superando outro termino de namoro, mas para ela parecia tão fácil superar, ela desapegava tão rápido. Porque eu tinha que ser tão sentimental? Em cada oportunidade de festas, Carla sempre estava presente. Era incrível o fato dela estar sempre disposta a conhecer pessoas novas. E por um momento, eu tentei acompanhar o ritmo dela, talvez eu estivesse fazendo as coisas da forma errada, e por isso ainda estava presa ao Bruno. Então decidi me abrir para fazer novas amizades, e assim o fiz, conheci novas pessoas, me permiti me envolver amorosamente algumas vezes. Apesar de não terem dado certo, e eu sei que era por minha causa, pois eu esperava encontrar nelas, alguém que me fizesse sentir como o Bruno me fazia. Mas não rolava, eu não conseguia me sentir como antes, e por isso eu não conseguia levar adiante os relacionamentos. Foi por isso que parei de procurar namorado, porque no final, eu só me frustava, e também frustava outras pessoas. Primeiro, eu precisava, resolver os conflitos internos, para depois tentar abrir meu coração.
Concluímos juntas o curso, e nos formamos bacharel em Administração. Foi um momento muito feliz, curtimos nossa formatura, comemoramos e relaxamos, pois havíamos estudado muito nos últimos anos. 
Meses depois fomos atras de emprego. Não foi tão fácil, conseguir uma colocação no mercado de trabalho, como imaginávamos que seria, mas persistimos, e após alguns meses de procura, ambas conseguimos, vagas em empresas diferentes. Eu fui trabalhar em uma loja que vendia calçados, como Adm da loja, mas continuei a estudar, e fiz pós graduação, de marketing. Carla conseguiu uma vaga semelhante, porem numa empresa de segmento financeiro. Eu trabalhei na empresa por cerca de quatro anos, fiz amizades, obtive experiencias profissionais. E como eu lidava com os fornecedores, em um dos encontros, fui informada sobre uma seleção que haviam aberto, para preencher algumas vagas, em uma empresa de grande porte, do ramo de calçados, a Solar. Solar é uma empresa de roupas e calçados esportivos, onde o principal item de vendas, são os calcados masculinos. Apesar de possuir algumas linhas femininas, não são tão populares quanto as linhas masculinas. Não demorei, e logo enviei um currículo para a empresa, e em pouco tempo, fui convidada, para uma entrevista. 
Eu consegui uma das vagas, por ja ter trabalhado no ramo de calçados, e ter uma ideia do que atrai os clientes. Me direcionaram para atuar na área de planejamento e marketing, na filial de Santos, porem em algumas ocasiões, os funcionários eram encaminhados para a Matriz da empresa, que fica localizada em Peruíbe, uma cidade que fica a algumas horas de ônibus da cidade de Santos, que é a cidade onde eu moro. Alguns meses após eu ter começado a trabalhar, a maioria dos funcionários foram convocados, para participarem do processo de desenvolvimento de um novo produto, que iria acontecer na Matriz. Eu não fui selecionada para participar, por ter entrado a pouco tempo, e por precisarem que alguns funcionários ficassem no departamento. Confesso que achei melhor, permanecer próximo a minha casa. Pois na matriz, os trabalhos vão ate tarde da noite, por isso, a empresa paga hotéis para que os funcionários, possam se hospedar durante a semana. Voltando para suas casas, apenas nos finais de semana. Eu e poucos funcionários ficamos na filial 1. No setor de planejamento e marketing ficamos apenas, eu e o chefe do setor. Que apesar de bonito, é um homem de poucas palavras, ele fala somente o necessário com os subordinados, e dificilmente fica entre nós, normalmente ele permanece em seu escritório, que fica dentro do nosso departamento, porem em um anexo, que esta sempre com as persianas fechadas.. Os funcionários do setor tem um certo receio de se dirigirem a ele, por estar sempre serio, e por parecer que todos os dias, ele esta em um mau dia. Ele nunca participa de happy hours, e nem das confraternizações que a empresa oferece. Ha somente um funcionário, que trabalha a 2 décadas na empresa, que vemos ele conversar. Certa vez ele disse para alguns curiosos, que ele não é r**m como parece, mas nunca entra em detalhes.
Como estou sem ninguém para conversar, e com pouco serviço para fazer, o Chefe Filipe se tornou o alvo da minha curiosidade. Então passei a observa-lo, ja que ele parecia mais disposto a sair de seu escritório, e passava mais tempo no departamento, conferindo alguns projetos.
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