Marcamos de nos encontrarmos em frente ao cinema, por volta das 19hs. Apesar de eu morar próximo ao local, achei melhor não sair de casa, enquanto não falasse com ele. Eu não sabia se ele iria, e também, não informamos as cores das roupas que estaríamos usando, para nos identificarmos com mais facilidade. Apesar de ja termos nos visto por fotos, pessoalmente somos diferentes, e existe a possibilidade dele ter usado Photoshop nas fotos dele. Quem poderia garantirá que não? Olhei o relógio, que ja marcavam 18:15h, minha espera ja estava perdendo as forças, decidi que quando marcasse 18:30h eu desistiria de espera lo. Enquanto aguardava, permaneci online no Messenger, atenta a cada janelinha de notificação que aparecia, em todas as vezes o frio na barriga batia, mas quando via que não era ele, passava. Ao marcar 18:35 no relógio (sim eu dei 5 minutos de tolerância), desisti de esperar para o encontro, e fui trocar de roupas. Quando volto para desligar o computador, noto que havia algumas notificações apitando com insistência no meu Messenger. Ao abrir vejo que o Bruno havia ficado online, e estava me pedindo desculpas, por ter me feito esperar. Eu me sentei, para saber qual explicação ele me daria, por ter sumido durante o dia todo. Por alguns momentos eu ate me preocupei, com a possibilidade dele ter sofrido algum aborrecimento.
-Oi Pérola, boa noite. Desculpa pela demora para responder, e por ter te feito esperar, eu insisti tanto para sairmos, mas acabei dando esse vacilo.
-Oi, boa noite Bruno! O que aconteceu?
-Eu estava na praia do Guarujá com os meus amigos, e achei que chegaria a tempo, mas peguei muito transito na volta para casa. Ate olhei pela redondeza a procura de uma Lan House para te avisar, mas não encontrei.
-Ah entendi! Mas você poderia ter me ligado pelo menos, para avisar.
-Eu sei, eu ia te ligar, mas esqueci de colocar meu celular para carregar ontem, e quando eu vi, que estava descarregado, eu ja estava na rua.
-Hum.
-Você esta chateada? Não fiz por m*l, eu sei como é r**m fazer alguém esperar. - Eu senti uma alfinetada, embora as situações fossem diferentes.
-Não, esta tudo bem. - Claro que me chateou, me senti em segundo plano, ja que ele aproveitou o dia curtindo com os amigos, enquanto eu estava em casa, nervosa, tentando me preparar psicologicamente, para o nosso primeiro encontro.
-Eu posso ir até a sua casa para te ver? Não quero perder a oportunidade de te encontrar hoje, queria te ver pessoalmente, mesmo que por alguns minutos. O que acha?
-Como assim? Você quer vir agora?
-Sim, eu só vou tomar um banho, e a gente se encontra na esquina de onde você mora, é só me passar um ponto de referencia, que eu conheço bem o centro de Santos.
-Nossa, você me pegou desprevenida.
-Como desprevenida? Você ja não estava se preparando para esse encontro?
-Sim, mas eu ja havia desistido, e relaxado.
-Faz o seguinte, pensa enquanto eu tomo um banho. E quando eu voltar, você me responde. Se for te atrapalhar em algo, nos deixamos para outro dia.
E foi assim que ele me deixou ansiosa novamente.
Após pesar sobre ir ou não, me encontrar com o Bruno, resolvi ir. Já o deixei tantas vezes me esperando, e mesmo assim ele sempre relevava. Não acho que devo ser tão inflexível.
Voltei para o meu quarto e peguei um jeans básico, e uma camiseta na cor preta. não pretendia me arrumar novamente, ate porque não iriamos a lugar algum, os ingressos do filme que ele havia comprado, estava com o horário marcado para as 19:10hs, e ja eram 19hs, ou seja, não conseguiríamos chegar a tempo.
Vou chama-lo para irmos na pracinha, que havia a duas quadras da minha casa, para conversarmos um pouco. É sábado, estamos no começo da noite, e as ruas estão bem movimentadas. O plano de encontra-lo em um local publico, ainda estava valendo, mesmo que não fossemos ao cinema. Combinei com o Kauan de observar de longe por alguns instantes, é mais seguro, pois mesmo que ele pareça inofensivo, nunca sabemos com quem estamos conversando de verdade, quando se trata de internet.
Volto para verificar as notificações no computador, e la estava o Bruno, aguardando a minha resposta.
-E ai, decidiu?
-Sim, vamos nos encontrar, vou me arrumar e já saio.
-Ta ok. Me passa sua localização, pode ser um ponto de referencia, eu sei que você mora nas proximidades do cinema, então fica fácil de encontrar..
- Hum ok! Passando o cinema, conte 5 quadras, e vire a direita, la você vai encontrar uma praça. Vou estar te esperando.
- Ok! Eu chego em 20 minutos. Vou usando uma camiseta vermelha, e uma calça jeans. Eu vou de moto então acredito que não vai ser difícil me identificar.
- Ok, até daqui a pouco.
O frio insistente volta a se manifestar na minha barriga. Não sei porque tanto nervosismo, seria medo de se encontrar com alguém da internet pela primeira vez? Timidez? Não sei explicar. Acho que se tratava de uma mistura de emoções.
Avisei minha mãe, sobre a mudança de planos, e ela pediu para que meu irmão supervisionasse o encontro de longe, somente por segurança. Ele ja havia concordado.
Me dirigi para o ponto do encontro, e ao me aproximar do local, olho para todas as direções, a procura de um cara usando uma camiseta vermelha. Quando chego na praça, ela estava bem movimentada, haviam crianças brincando, pais conversando, musicas tocando. Aquilo me fez sentir um alivio no nervosismo. Avisto do outro lado da rua, em frente a praça, um rapaz encostado em uma moto, usando uma camiseta vermelha, como ele havia informado. Ele me olha de longe, mas parece envergonhado demais para me chamar, então apenas acena. Eu dou um leve sorriso de nervoso, e vou caminhando até ele. A cada passo que avanço, sinto o suor escorrer friamente, em meu corpo, respiro fundo e sigo.