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Amanda
Em alguns momentos da vida, nós precisamos sentar e repensar toda a nossa maldita trajetória.
É exatamente isso que estou fazendo agora, sentada na minha cama, na frente do meu notebook velho e desgastado. Passo meus dedos no pescoço e suspiro, fechando meus olhos por um segundo.
Eu estava tão fodida. Meu auxílio da faculdade tinha sido indeferido mais uma vez, mesmo com todas as comprovações da minha falta de dinheiro. Com meu pai ainda como dono da casa que morávamos, mesmo que tenha me abandonado por causa da minha madrasta estúpida, ainda era difícil provar que ele tinha mesmo ido embora.
Precisava entrar com um recurso que retardaria ainda mais, já que o resultado final só cairia em dezembro e eu ainda não teria acesso ao andamento. Respiro fundo, fechando a tampa do aparelho com força e me recosto na cabeceira da minha cama.
Estava exausta, cansada e sentia que estava perdendo o restante da minha sanidade.
Quando meu pai disse que ia embora há dois meses, eu achei que tinha sido uma piada. Minha madrasta não estava feliz com a minha entrada na Federal, alegando que era injusto que eu continuasse sendo sustentada por ele, enquanto sua filha inutil tinha que continuar procurando um subemprego. A grande questão é que ela nunca procurou.
A garota só queria saber de baile, drogas e chegar tarde da noite. Mas mesmo assim, ele preferiu sua nova família e me deixou sozinha, deixando apenas a casa que era da minha mãe junto com a escritura. Os dois primeiros meses foram um pouco mais tranquilos devidos as férias e meu emprego de meio-periodo, mas quando as aulas voltaram e todas as minhas economias começaram a ir embora com as passagens, eu senti o pânico bater em minha porta.
Agora, tenho que lidar com o fato de que minhas duas únicas refeições são feitas com a comida um tanto quanto insossa da UFRJ, que é a única coisa que cabe em meu orçamento apertado. Preciso procurar um emprego logo ou terei que trancar ainda esse período e tenho medo de ter dificuldade para retornar.
Duas batidas na porta da frente me fazem pular e eu suspiro, meus pés quentes entrando em contato com o piso frio do chão. Estava prestes a chorar, mas engoli cada uma das minhas lágrimas e andei em passos rápidos em direção a porta.
Girei a maçaneta e puxei-a para dentro. Encolhi-me quase que imeditamente quando encontrei minha amiga, Maria Eduarda e Guga, um vapor que ficava na boca do outro lado da rua. Ele me analisou dos pés a cabeça por alguns segundos, como se me avaliasse e por fim, voltou os olhos para o meu rosto.
Meu short era muito curto e eu usava um cropped de dormir devido ao calor. Estava uma bagunça completa e agora, envergonhada.
— Eu passo ajudar? — Pergunto, mas não tiro os olhos de Eduarda, um claro questionamento escancarado em meus olhos. O que caralhos está acontecendo aqui?
— Amiga, esse é o Guga. — Ela diz, dando-me um sorriso trêmulo. — Podemos entrar?
A encaro com desconfiança, mas suspiro por fim e abro o restante da porta, deixando-os passar. O homem é mais alto que eu, mas parece bem magro para a sua idade, no entanto, o volume claro em sua cintura o deixa muito mais intimidador que sua aparência.
Ele analisa o ambiente e se senta, não me encarando por mais de dois segundos.
— Eu vou conversar com a minha amiga, Gu, você fica aqui. — Ela murmurou, segurando em meu antebraço e me puxando para dentro do meu quarto, fechando a porta com um solavanco.
Eu a encaro ainda mais desconfiada agora, meus dedos trêmulos. Suspiro.
— O que esse menino está fazendo na minha casa? — Sussurro, desesperada.
— Amiga, você sabe que eu fico com o Guga. — Ela encolhe os ombros.
— Amiga, eu sinto muito, mas não pode t*****r com ele aqui. — Retruco. — Estou estudando.
Ela faz uma careta, negando com a cabeça.
— Eu não quero t*****r com ele aqui, sua maluca — Ela ri, se sentando na minha cama. — Posso ter comentado com o Guga sem querer sobre a sua situação.
A encaro com as sobrancelhas erguidas.
— Porque?
— Porque ele... ele pode te ajudar. — Eduarda murmura, olhando para baixo.
Minha boca se abre e fecha como se eu fosse um peixe fora d'água. Ajuda? Que tipo de ajuda um vapor pode me dar?
— Eduarda... — digo entre dentes, apertando os lençóis da cama. — O que você contou para ele?
Ela suspira, ainda sem coragem de me encarar.
— Ele falou de alguém... alguém que tá preso. Um cara grande, perigoso, mas que paga bem pra ter companhia. — Ela faz uma pausa. — Você sabe que na cadeia não pode entrar qualquer uma, tem o lance da união estável e tals...
Meu sangue gela. Não preciso que ela diga o nome dele, só de pensar já sinto o estômago revirar.
— Não... — minha voz sai fraca. — Você não tá falando do VH.
Bile sobe a minha garganta, o gosto amargo na minha língua. Tremulo e juro que consigo sentir meu olho piscando. Eduarda baixa os olhos, em silêncio. Seu silêncio é a confirmação que eu mais temia.
— Você enlouqueceu, Duda?! — sussurro, quase gritando. — Esse cara não é qualquer um pulga de b***a. É o VH!
Ela aperta minha mão com força.
— Amiga... é dinheiro de verdade. Dinheiro suficiente pra resolver tudo.
— Mas eu não quero morrer, Eduarda!
— Você não vai. É só visita intima.
— PIOROU! — Grito e travo por um segundo, meus dedos tremendo.
— Só fala com ele, amiga... — ela insiste, quase implorando. — Escuta o que ele tem a dizer.
Antes que eu possa responder, a porta range. Guga aparece, calado, com o celular na mão. O olhar dele não desgruda de mim quando estende o aparelho.
— É pra você. — diz apenas.
Meu estômago despenca. Eduarda engole em seco. Eu sei exatamente quem está do outro lado, mesmo sem ver a tela. Demora dois segundos para que ela saia e feche a porta atrás de sí.
Estou morrendo de medo. Acho que nunca tremi tanto assim em toda a minha vida. Puxo o ar, inspiro e expiro e tento afastar da minha cabeça a imagem de todas as mulheres mortas por traficantes da minha cabeça. Aperto o celular contra a orelha.
É só um não, Amanda, e tudo vai ficar bem!
— Ahn... alô?
O silêncio dura só dois segundos, mas parece uma eternidade. Então a voz grave, calma e cortante chega, carregada de autoridade.
— Amanda, né?
Meu corpo inteiro se arrepia.
— Hunrum. — Começo, organizando meus pensamentos. — Olha, VH, eu... eu acho que houve um m*l entendido.
— Eu não acho que tenha tido m*l entendido, linda. Você tem o que eu quero e eu tenho o que você quer. — Murmura.
— Eu não sei se consigo... — minha voz sai falha, quase implorando. — Eu não sou esse tipo de pessoa.
Do outro lado, ouço uma risada baixa, rouca, que me deixa ainda mais gelada.
— Esse tipo de pessoa? — repete. — Você tá só vivendo, Amanda. Todo mundo vende alguma coisa... uns vendem tempo, outros vendem silêncio. Você só precisa estar comigo por algumas horas.
Engulo em seco. Meu corpo inteiro tremendo.
— E... o que eu ganharia com isso? — minha pergunta sai baixa, quase sem querer.
— Vou te dar uma pensão mensal pra se manter aí no morro, se você quiser uma casa nova, um carro se você souber dirigir e ajudo nos custos da tua faculdade. Enfermagem, né? — ele responde, simples, direto, como se não fosse nada. — O suficiente pra resolver os seus problemas. Talvez até mais.
Meu coração dispara.
— Eu não... não sei.
— Não precisa responder agora. — a voz dele suaviza, mas ainda tem peso. — Me passa seu número, vou mandar uma mensagem amanhã. Se você topar, a gente conversa direitinho.
Minha respiração falha. Ele sabia da minha faculdade. Ele sabia demais.
— Tá bom... — murmuro, sem perceber que já havia cedido um pouco.
— Vou desligar agora. Passa seu número pro Guga e ele me devolve. — ele diz, calmo, antes da linha cair.
Fico com o celular na mão, o coração disparado.
Acho que estou perto de ter um infarto!
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