Eu saí do apartamento de Léo antes do sol nascer. Não era digno de um adeus. A urgência de fugir superava o prazer de tê-lo ao meu lado. Tínhamos transado, e tínhamos terminado. Eu tinha salvado a vida dele. Era um bom motivo. A culpa estava ali, mas era pequena, engolida pelo calor da sua boca e pela certeza de que estava excluindo todos os motivos para Victor descobrir sobre isso e querer tomar uma atitude impensada. Eu estava percebendo que ele não me queria com outras pessoas. Ele gostava de exclusividade. Eu peguei o ônibus com a roupa amassada, o cheiro de Léo grudado na minha pele. Não era o perfume dele, era o cheiro de liberdade. O peso no peito não sumia, mas estava diferente. Estava menos culpa, mais medo do futuro. Mas pelo menos eu havia vivido. Cheguei em casa, trancando

