AIDEN FOX
No momento em que coloquei os pés na mansão Trajano, soube que esse trabalho seria… diferente. E não no bom sentido.
Já tive que proteger filhas de políticos, esposas de empresários, celebridades mimadas, e todas elas tinham uma coisa em comum, acreditavam que o mundo girava ao redor delas.
Mas Lívia Trajano não era apenas mimada, ela era… irritantemente encantada com a própria birra, e na verdade ema era encantadora daquela forma.
Primeira impressão? Uma garota de olhos azuis absurdamente claros, cabelos pretos que caíam como seda sobre os ombros, e um vestido leve, estampado com borboletas, que moldava curvas que eu não deveria notar, mas notei., aquele decote não era escandaloso, mas o tamanho de seus s***s eram, e isso era difícil de não notar.
E me odiei por isso.
Ela tinha lábios carnudos, vermelhos como se tivesse acabado de morder um morango, e um nariz arrebitado que, de alguma forma, combinava com aquele jeito de falar em terceira pessoa como se fosse um personagem de desenho animado.
E, sim, eu reparei em tudo, e sim, me repreendi imediatamente.
Não importa quão bonita ela seja, e ela é, meu trabalho não é gostar dela, meu trabalho é manter a filha de Rubens Trajano viva, e pelo que vi, isso não seria fácil.
Em menos de cinco minutos de contato, ela já me comparou a um velho rabugento de desenho animado e colocou um cachorro babento no meu colo, eu não gosto de cães, nem de gatos, nem de pessoas que insistem em invadir meu espaço pessoal, e ela conseguiu fazer as três coisas ao mesmo tempo.
Sei lidar com criminosos armados, mas aquela garota… Aquilo era outro nível de desafio.
Passei a primeira hora avaliando o perímetro, a mansão é grande, ampla, cheia de janelas que não deveriam estar sem reforço, a cerca elétrica tinha pontos de oscilação e havia duas câmeras de segurança posicionadas em ângulos mortos.
Passei instruções rápidas para os homens da minha equipe, reorganizando as rotas de patrulha e aumentando a vigilância nos fundos.
Trabalhar para Rubens Trajano exige perfeição, o homem comanda uma das maiores exportadoras de alimentos do Brasil e tem dinheiro o bastante para transformar qualquer problema em solução, qualquer… menos uma filha imprevisível.
Enquanto analisava os jardins laterais, ouvi um som agudo, um assobio vindo de cima.
Levantei o olhar, e vi.
Ela.
Apoiada na sacada, segurando um balde nas mãos, sorriso travesso estampado no rosto.
— Não faça isso. — falei, firme, mesmo sabendo que mesmo sendo uma garota diferente, não seria tão abusada a ponto disto.
Ela inclinou a cabeça, fingindo inocência.
— O quê? Isso?
E antes que eu pudesse dar mais um passo, uma enxurrada de água gelada despencou sobre mim.
O impacto me fez fechar os olhos e segurar a respiração por um segundo. Quando voltei a olhar para cima, ela estava com o balde vazio na mão e aquele sorriso, o tipo de sorriso que diz “vale a pena morrer pelo que eu acabei de fazer”.
— Ops… não te vi. — disse, como se o ato fosse acidental.
Meu maxilar travou.
— Senhorita Trajano…
— É a Liv.
— Senhorita Trajano. — repeti, limpando o rosto com a mão. — Se fizer isso de novo, não vai gostar da minha reação.
Ela apoiou o queixo na mão, fingindo pensar.
— Você vai sorrir?
— Não, não mesmo.
— Então não tenho nada a perder. A Liv, vai gostar muito. — ela disse entrando de volta para o quarto, respiro fundo, em outra ocasião, simplesmente teria ido embora, largado tudo, mas não nesse caso, não posso fazer isso, não agora, p***a, que garota dos infernos.
Puxei o rádio do bolso e continuei dando ordens, ignorando as risadinhas que ela soltava lá de cima.
A água molhou minha camisa inteira, mas eu não ia dar a ela a satisfação de me ver irritado de verdade.
Só que, por dentro, eu já sabia, essa garota vai testar cada limite que eu tenho, e senão fosse meu propósito, eu teria dado uma boa lucoa nesta peste de garota.
Mais tarde, quando a noite caiu, estava na sala monitorando as câmeras quando ela apareceu, descalça, carregando algo nas mãos.
— O que é isso? — perguntei.
— Pipoca. Quer?
— Não como durante o serviço.
— Então você nunca come?
Suspirei.
— Não quando estou em missão.
— Missão… — ela repetiu, rindo baixinho. — Parece que você é de filme de ação.
— Não estou aqui para divertir você, Senhorita Trajano.
— Aff, me chamo Liv.
— Não, você se chama Lívia, mas sou seu segurança e tenho que manter o respeito.
— Que chato.
Ela deu de ombros e se sentou no sofá, exatamente no campo de visão da câmera interna.
Um vestido curto demais para ser confortável e pernas nuas cruzadas de forma nada inocente, mas que parecia um imã para meus olhos, aqueles s***s, eram uma visão e tanto, p***a, mesmo sem decote algum, era convidativo demais.
Eu desviei o olhar.
A cada cinco minutos, ela soltava comentários para me provocar.
— Aiden, você sempre fica com essa cara de que alguém roubou seu doce?
— Você tem certeza que é humano? Não é um robô?
— Aposto que você dorme com a arma embaixo do travesseiro.
Ignoro ela cometimento, e finalmente ela se cala,n fim da noite, ela se levantou, aproximou-se e parou na minha frente.
Seus olhos azuis me analisaram como se tentassem encontrar uma fresta na minha armadura.
Seu cheiro doce me invade como uma força que me deixa quase desnorteado.
— Você vai sorrir algum dia? — perguntou, séria.
— Não conte com isso.
Ela mordeu o lábio inferior, e por um instante, juro que senti algo apertar no meu peito, mas foi rápido, perigoso, e eu empurrei aquilo para o fundo da mente.
— Boa noite, sr. Wilson. — disse, antes de subir as escadas.
Fiquei olhando até ela sumir no corredor.
A cada passo que dava, mais certeza eu tinha:
Esse será o trabalho mais longo e mais insuportável da minha carreira.
E, de algum jeito, também o mais… perigoso.