CAPÍTULO 5

1070 Palavras
AIDEN FOX A festa estava a poucos minutos de começar e eu já estava farto. Mansão cheia de funcionários, garçons, arranjos de flores gigantes ocupando corredores estreitos, caixas de som em lugares que dificultavam a visão… para mim, aquilo era um campo minado. Minha equipe estava posicionada nos pontos estratégicos, dobrei o perímetro de vigia, o dobro de homens a servico, eu mesmo fiquei próximo da entrada principal, onde poderia ter visão de 180 graus e reagir rápido a qualquer ameaça. Meu foco era total. Até que… — Oi, ursão m*l-humorado. — A voz doce veio do meu lado, como uma agulha perfurando a concentração. Virei a cabeça e quase perdi o ar. Lívia estava de vestido azul claro, o mesmo que escolhemos no shopping, cabelo preso em um coque frouxo, alguns fios caindo pelo rosto, maquiagem leve que só realçava o que já era bonito. Ela me olhou de cima a baixo e sorriu. — Estou bonita com o vestido que escolheu pra mim. — ela roda de forma tão adorável, seu perfume se espalha e aquele momento me parece irreal, de tão bonito. — Volte para perto do seu pai — ordenei, não querendo prolongar assu tô desnecessário, essa garota está mexendo comigo, e tenho que reverter isso. — Nossa, que m*l humor. — Ela riu e deu um passo para o lado, como se fosse sair. — Ah, Liv só ia pegar um pouco de ar lá fora. — Não vai. — Dei meio passo à frente, bloqueando o caminho. — Fica aqui dentro. — Você é muito mandão, sabia? — ela retrucou. — E eu não sou uma criança. — Mas se comporta como uma. Ela estreitou os olhos e sorriu de um jeito que eu aprendi a temer. — Então tá, senhor segurança. Vou ficar “quietinha”. E sumiu pela multidão antes que eu pudesse responder. Durante quase meia hora, consegui vê-la à distância, conversando com alguns convidados, rindo com Tia Sam, tirando fotos com o pai. Tudo aparentemente sob controle. Mas então Fletcher veio até mim. — Você não vai gostar de saber disso… — Fala. — Sua “protegida” acabou de entrar na cozinha. Com uma bandeja de… não sei… mas parecia ter cara de confusão. Meu estômago afundou. Fui até lá e encontrei exatamente o que imaginei, Lívia, rindo com dois garçons enquanto enchia taças de champanhe. Não para os convidados, para ela mesma. — LÍVIA. — Minha voz cortou o ar. Ela congelou, taça na mão, e me olhou como se eu fosse exagerado. — O que foi? É só um golinho. Aproximei-me rápido, tirei a taça dela e coloquei sobre o balcão. — Você não pode beber. — Aff, é só um golinho. — Seu pai me diz que toma remédios, nao vai beber. — Segurei firme no braço dela. — Volta para o salão. Agora. — Ai, para! Tá me machucando. — Ela tentou puxar o braço, mas não forcei mais. — Você não tem noção do que tá fazendo. A cozinha é uma área sem controle total de segurança, você não devia estar aqui. Ela bufou. — Meu Deus, Aiden, é só uma cozinha! Você age como se a Liv fosse sequestrada toda vez que saio de um cômodo. — Porque é exatamente esse o risco. — Minha voz estava baixa, mas dura. — Você acha que isso é brincadeira, mas tem gente lá fora que te quer machucada. Ela cruzou os braços, me olhando com desafio. — Talvez eu não queira viver como uma prisioneira. Foi aí que perdi a paciência. — Então cresça. — As palavras saíram afiadas. — Pare de agir como se o mundo fosse um parquinho e todo mundo estivesse aqui para te divertir. Seu pai gasta uma fortuna para te manter segura, e você faz questão de dificultar o trabalho de todo mundo. O rosto dela perdeu o sorriso lindo de sempre. — Eu não pedi segurança. — Não, .as precisa. Porque é mimada demais para perceber que não é invencível. Eu sabia que estava passando do limite, mas não consegui parar. — Você acha que ser fofa e sorridente vai te proteger? O mundo real não liga para o seu sorriso, Lívia. Ela piscou rápido, como se quisesse afastar algo dos olhos. — Você é um bobão. Virou-se e saiu da cozinha. Atravessou o corredor rápido, mas vi a mão dela passar pelo rosto, disfarçando. Chorando. Porra, real.ente odeio ver ela chorar. Passei alguns segundos parado, respirando fundo. Parte de mim queria deixar para lá, ela precisava ouvir. A outra parte, a parte que eu odiava admitir que existia, sentiu um peso no peito. Fletcher apareceu na porta. — Bonito, hein? — Cala a boca, Fletcher. — Você fez ela chorar. — Ela fez por merecer. — Será? — Ele me olhou como quem sabe mais do que diz. — Porque do lado de fora pareceu só um brutamontes gritando com uma menina que nunca fez m*l pra ninguém. Não respondi. Só voltei para minha posição no salão. Cerca de quinze minutos depois, vi Lívia no andar de cima, no corredor que levava aos quartos. Estava sentada no chão, encostada na parede, abraçando os joelhos. O trabalho exigia que eu fosse até lá, não porque ela era frágil, mas porque qualquer vulnerabilidade dela podia ser explorada. Subi as escadas devagar. Ela não me olhou quando parei à frente. — O que você quer? — perguntou, a voz baixa. — Garantir que está segura. Ela riu, sem humor. — Segura? De quê? De você? Aquilo doeu mais do que deveria. — Do resto do mundo. Ela levantou o rosto, e os olhos estavam vermelhos. — Sabe o que mais me assusta, Aiden? Não são os sapos, nem as ameaças. É que você fala comigo como se eu fosse um peso pra todo mundo. Engoli seco. — Não é isso. — É exatamente isso. — Ela se levantou, mantendo distância. — E sabe? Talvez eu seja mesmo. Então pode ficar tranquilo, vou facilitar o seu trabalho. Não vou sair mais do quarto hoje. E entrou no quarto, fechando a porta, fiquei parado no corredor por alguns segundos, com um nó no estômago. Eu devia estar satisfeito, problema resolvido, ela no quarto, zero risco imediato. Mas não estava. A verdade é que ver ela chorando mexia comigo mais do que qualquer ameaça física. E eu não sabia como lidar com isso.
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