- Isa! Você foi demais! - A Bia, a Ju e a Carol vieram em minha direção, e nos abraçamos.
Todos ainda estavam eufóricos e curtindo a apresentação do próximo g***o, gritando e aplaudindo o tempo todo e uma boa energia emanava de mim.
- Que isso... todas nós mandamos bem!
- Sim nós arrasamos, mas a sua música é incrivel e todos gostaram. - A Ju disse. - Fala logo, quem é o garoto de sorte?
- Que garoto? - gaguejei.
Ainda bem que o Rick tinha saído com os meninos pra conversar.
- Fala sério... - Bianca revirou os olhos - Todo mundo sabe que sua música foi inspirada em alguém.
- Não é ninguém... Eu apenas escrevi oque sinto, só isso.
Isso não pareceu convence-las, mas ao menos mudaram de assunto, pois estávamos muito ansiosas pra saber quem iria ganhar o concurso.
Meu celular tocou e eu recebi uma mensagem do Rick dizendo: ''Estou te esperando na sala de ensaio, precisamos conversar.''
- Hey meninas, agora eu vou ver oque minha mãe achou da apresentação, e depois vamos ver quem ganhou o concurso okay? Vejo vocês daqui a pouco.
Então eu saí e fui em direção à minha mãe, e vi que todos eles estavam reunidos perto da barraquinha de cachorro-quente. Pra minha surpresa, o Marcelo também estava lá, junto com a Natasha.
- Oi gente! Oque acharam do show?
Minha mãe veio sorrindo e me abraçou, os olhos dela brilhavam de alegria.
- Minha filha é uma estrela! - ela disse, limpando o canto de seu olho lacrimejando. - Nossa! Nunca estive tão orgulhosa.
- Obrigada mãe.
- Então era isso todo aquele barulho de piano de madrugada?
- Era sim. - Eu ri.
- É uma música linda minha filha, parabéns.
Saber que minha mãe estava orgulhosa de mim já era como ter ganhado um prêmio.
- Parabéns Isa, vocês foram incríveis. - O Marcelo disse, mesmo com seu estilo "terno e gravata", ele parecia ter se divertido um pouco. - Diz pras suas amigas que elas foram ótimas, e eu queria dizer pro Rick pessoalmente mas não consigo achar ele...
- Ah, se eu achar ele... Eu digo. - eu disse rapidamente. - Pode deixar.
Ele sorriu.
Então a Sabrina e o Edu vieram de uma vez me abraçando e sorrindo empolgados.
- Isa você é uma estrela do Rock agora?
Eu ri.
- Não Edu, ainda não... mas quem sabe um dia?
- Você e o meu irmão foram ótimos lá no palco Isa. - A Natasha disse, enquanto segurava um copo com refrigerante. - Claro, as suas amigas também.
- Valeu Nati. Vou dizer à elas.
- Isa... - Sabrina me puxou de lado, cabisbaixa. - Acho que eu preciso te contar uma coisa... foi culpa minha aquelas meninas saberem sua música. Eu estava tão empolgada que postei no meu blog, elas devem ter visto. Me desculpe.
- Bem... eu desconfiei disso. - eu sorri pra ela. - Mas não se preocupe, deu tudo certo no final.
- Mas vocês foram melhores do que elas mil vezes!
- Obrigada Sabi, nós estamos felizes por ter participado, não importa o resultado.
- Vocês vão ganhar com certeza! Eu apostei com a mamãe, ela acha que os meninos que dançaram break vão ganhar.
- Mãe! - eu olhei pra ela, não acredito que eles estavam apostando sobre mim.
- Desculpa filha, - ela riu. - Mas seus amigos dançaram muito bem mesmo!
O John, Diego e Ian tinham apresentado a mesma dança sensual de "break" que tinham dançado na festa de boas vindas.
- Okay, é verdade... não dá pra competir com eles sem camisa. - Eu roubei uma pipoca do saquinho do Edu. - Aproveitem a festa, eu vou voltar pro backstage.
***
- John, posso te fazer uma pergunta?
A Carol estava abraçada com o John no corredor, onde estava mais tranquilo e não tinham tantas pessoas.
- Claro amor.
- Você acha que a música que a Isa fez é para o Ricardo?
- Por que você acha isso?
- Sei lá... ela está meio estranha desde quando se conheceram. Acho que ela está gostando dele e não quer nos contar.
- Bom... eu não tenho certeza, mas você acredita agora que aquele nome pintado no caderno do Ricardinho, é o nome dela?
- Acho que não. Além disso, a Isa iria contar pra mim. Ela conta tudo pra mim.
- Então está tudo bem! Confie na sua amiga. Agora vamos continuar de onde paramos...
Ela riu e então eles se beijaram.
- Você não conversou com ela? - o Ian perguntou para a Bia.
- Eu não achei um jeito melhor de perguntar para ela: ''Isa você gosta do Ricardinho?'' isso é constrangedor para ela e pra mim também. E se não for verdade... ela pode acabar ficando ofendida. Sabe como a Isabella é frágil...
- Então como você vai saber se ela fez essa música pra ele?
- Não sei, - ela cruzou os braços. - Mas acho melhor esperar... se a Isa gosta mesmo do Ric... Ela vai me contar. Ela me conta tudo.
- E se ela tiver medo de contar à alguém, para não magoar a Ju?
- Ela sabe que tem que contar... além disso a Ju não gosta dele tanto assim. Quando a gente gosta de uma pessoa, quer ficar junto com ela não importa oque, e a música é bem intensa, é como se ela já tivesse uma história com o garoto à quem ela escreveu a música...
- E você? - Ian olhou pra ela com um sorriso de lado. - Você quer estar junto comigo não importa oque?
Ele puxou a Bia mais pra perto dele.
- Metade do meu tempo sim. Mas a outra metade é com minhas amigas que eu preciso estar. - Ela se afastou delicadamente. - E eu tenho que ajudar elas nesse momento, antes que seja tarde.
- Está bem... - ele protestou, mas entendia. - Oque eu posso fazer para ajudar?
- Você é muito próximo do Ricardo?
- Mais ou menos. Estamos nos conhecendo agora.
- Será que você pode perguntar pra ele oque ele acha da Isa?
- Se ele acha ela atraente? - ele levantou uma sobrancelha, divertido.
- Não! Se ele sente uma coisa mais forte por ela, sabe?
- Está bem... vai ser uma conversa estranha, mas... eu faço isso por você.
- Obrigada. - ela sorriu e deu um selinho na boca dele.
- Eu vou perguntar se ele gosta dela o bastante para r****r ela... e levar ela para um lugar mais reservado... - ele a puxou pela mão.
- Oque? - Bianca riu, enquanto era arrastada em direção a parte do colégio onde não tinha muita gente. - Onde você está me levando?
Ele não respondeu, apenas sorriu.
***
Todos estavam na quadra, então o patio estava escuro e vazio, exceto por um casal ou outro se pegando nos cantos, até fiquei com um pouco de nervosismo. Era muito estranho ver meu colégio assim.
O meu salto fazia um barulho irritante no piso, então eu começei a andar bem devagar, mas quando eu ouvi as vozes da Ju e do Diego vindas de uma sala vazia, eu parei atrás da parede. Eu sei que é muito f**o escutar a conversa alheia, mas ouvi uma parte em que o Diego estava pedindo que a Ju fique com ele e não resisti.
- Não adianta negar Ju, eu sei que você ainda é louca por mim. Se não, então por que veio me procurar?
- Porque eu estou preocupada! Você anda distante dos seus amigos, e muito estranho. Bem o oposto do menino alegre e sorridente que gosta de se aparecer, que você era.
- Estou assim por sua causa, ainda não acredito que você ficou com aquele galinha e******o do Ricardo...
- O Rick não é um galinha, ele é legal.
- Mas eu sei que você não está mais junto com ele... e nem com ninguém. Então, quer dizer que você ainda me ama, por que não podemos ficar juntos de novo?
- Por que você n******e ficar só comigo, você sempre quer ficar com outras garotas, você só me magoa depois. Nós dois não podemos ficar juntos, você sabe disso.
- Se a gente se gosta, vale a pena tentar.
- Eu posso te dizer... que gostei muito de você Diego. No passado. Mas agora eu tenho que dizer, que gosto de outro garoto.
- De quem?
- Não importa...
- Do Ricardo? Do Lucas? Ou alguém novo? Ninguém gosta mais de você do que eu Juliane...
- Você não gosta de mim de verdade... - senti que a Ju estava prestes a chorar. - Se gostasse, você iria me pedir em namoro quando sabia que eu gostava de você.
- Eu juro que naquele dia eu não sabia. Só fui saber recentemente... você sabe que eu era infantil, mas eu cresci. Eu peço você em namoro, eu faço oque você quiser...
Eu nunca tinha ouvido ele falar tão decidido. Era de partir o coração.
- Eu estou dizendo que eu quero ficar só com você Ju, acredita em mim. Me dá mais uma chance? Por favor.
E então eu ouvi silêncio. Oque ela tinha feito? Eu estava desesperada pra saber o final daquela conversa. Como amiga da Juliane, eu sabia que no fundo, ela ainda amava ele, só estava com medo de se machucar de novo.
E então ou ouvi ela saindo da sala, para minha sorte, ela foi na outra direção, então eu entrei em seguida.
- Oi, Diego.
- Oi Isa, estava aqui desde quando?
Os olhos azuis dele estavam irritados e marejados de lágrimas. Eu nunca o tinha visto tão abatido.
- Eu... hum, acabei de chegar. Está tudo bem?
- Sim, sim... - ele passou as mãos no rosto e arrumou os cabelos dourados. - Eu só estava... conversando com uma amiga... e ela acabou de sair.
- Ah ok. Você e os meninos mandaram muito bem na coreografia. Minha mãe está apostando em vocês.
- Valeu Isa. - ele riu. - Vocês também mandaram muito bem, aliás, acho que vocês vão ganhar.
- Obrigada.
Eu ia virar pra sair da sala, antes que eu chorasse de pena dele.
- Ei, Isa.
- Oque?
- Sabe se a Ju ainda gosta de mim?
Antes eu tinha certeza de que a Ju amava ele. Mas depois do que eu ouvi, não tinha tanta certeza. Ela tinha sido muito machucada com as ilusões e promessas dele, talvez ela tivesse se recuperado. Talvez ela estivesse fazendo isso só para causar ciúmes no Diego, ou se ela gosta mesmo do Ricardinho ou talvez até do... Lucas.
Era difícil entender os sentimentos dos outros.
- Tenho certeza que ela ama você Diego.
Os olhos dele brilharam.
Eu detestava ter que mentir. Ou iludir ele. Mas era um casal lindo, e eu via como ela era feliz quando estavam juntos... se havia qualquer chance de ela ainda amar ele, eu tinha que ajudar.
Então ele saiu da sala, com um sorriso no rosto, e eu finalmente atravessei o longo corredor e abri a porta da sala de ensaio. Estava tudo escuro, só dava pra ver o reflexo das coisas, com a luz que vinha de fora, então eu acendi a lanterna do meu celular e procurei a sala inteira, e não vi ninguém.
Então alguém apertou minhas costelas por trás e me deu um susto tão grande que eu gritei e deixei meu celular cair no chão.
- Nossa, foi m*l mesmo! Não era minha intenção quebrar seu celular. - O Rick estava rindo e então ligou o celular dele para ver o meu rosto.
- Ah tá, e quase me m***r de susto era?
- Calma, me desculpe... - ele foi até o interruptor e acendeu as luzes da sala. - É que eu queria fazer uma brincadeira...
- Suas brincadeiras não são engraçadas, eu já disse. - revirei os olhos.
- Poxa, - ele fez beicinho. - Magoou. Você demorou muito.
- É que parei pra falar com minha família, seu pai está te procurando, a propósito. Está todo feliz comendo pipoca e refrigerante como uma criança...
Ele virou o rosto.
- E então, oque quer me dizer? Diz logo... eu tenho que voltar para a quadra, porque já vamos saber quem ganhou.
- Aquela música... - Ele levantou o rosto e me olhou, com as mãos no bolso e veio mais perto de mim, todo convencido. - Que você compôs e cantou... Era pra quem?
- Por todo mundo acha que tem um "alguém"? - Eu caminhei pra trás, até encostar na parede.
- Qual é Isa, você disse: ''Oh boy'' e não acredito que tirou aquela letra de um filme.
- Pode ser pra qualquer um garoto...
- Vai... Diz logo. - Ele mordeu o lábio inferior, e me cercou na parede, com os braços acima da minha cabeça. - Facilita... Ou você não sai daqui.
Ele ficava absolutamente gato quando fazia seus joguinhos. Eu também sabia jogar.
- E se eu disser que é para o meu ex namorado?
- Aquele que está tocando na banda da garota que te odeia? Mentira!
Ele continuou me prendendo, muito perto de mim, eu m*l conseguia respirar de tanto que meu coração estava acelerado. Eu nem sabia onde focar meus olhos. Por que meu corpo me traía assim, na presença dele? Era frustrante.
- Pro Mateus. Nós dois tivemos uma história e tanto...
Seu cheiro era maravilhoso, então eu podia continuar presa assim por muito tempo.
- Qual é? É mentira. - ele revirou os olhos, impaciente. - Sei que essa música você fez pensando em mim, diz exatamente oque nós dois passamos para adimitir que gostamos um do outro. Eu só quero que você diga em voz alta.
- Pra que? se você já sabe?
- É linda... - Ele olhou fixamente em meus olhos, sério. Eu me arrepiei.
- É linda, oque?
- A música... - ele deslisou um dedo pela lateral do meu rosto. - Você... Tudo relacionado a você...
- Fico feliz que você tenha gostado. - engoli seco.
Ele fechou os olhos, eu olhei pra baixo, minha respiração estava muito acelerada. Era como se não fosse certo. Por que eu me sentia tão culpada?
Me afastei dele, ofegante e segurei meu cabelo pra traz. Minha cabeça estava começando a doer.
- Por que você está tentando fugir do que você sente? - ele me olhou, surpreso. - Isso não é bom, sabia?
- Não podemos ficar juntos Rick. Eu ouvi a Ju falando agora mesmo no corredor com o Diego, e ela disse que gosta de você. E se eu ficar com você... sinto que estou traindo nossa amizade.
- Você deve ter ouvido errado, deve ser impressão sua. Eu e a Ju não temos nada além de amizade...
- Talvez só você ache isso.
- Então vamos lá! - Ele passou por mim rapidamente e foi em direção à porta, ele parecia nervoso. - Vamos perguntar pra ela agora, vamos resolver isso logo de uma vez por todas!
- Não é tão simples assim.
- É muito simples pra mim!
- Por que você não tenta entender o meu lado?
- Eu entendo o seu lado, você quer estar comigo, tanto quanto eu quero ficar com você.
Ele trancou a porta e tirou a chave.
- Oque você está fazendo?
- Nós não vamos sair daqui enquanto você não confessar que me ama.
Ele não parecia estar brincando. Mas ele não podia estar falando sério.
- Me dá essa chave seu louco!
Eu tentei pegar a chave da mão dele, mais ele se afastou e colocou ela dentro da calça, com certeza na cueca.
- Você é tão... i****a! - Levantei minha mão em um gesto de frustração e ele puxou meu braço e ficamos centímetros de distância um do outro.
- Vamos ficar juntos, é oque nós dois queremos. Depois veremos oque acontece... não era só uma semana?
Eu sorri. Eu tinha dado uma semana para ele enjoar de mim e me trocar por outra. Só de pensar nisso, meu coração doía. Quem eu queria enganar? Aqueles olhos e aqueles lábios rosados e macios... eu jamais podia imaginar viver sem beijar aqueles lábios.
- Quer que eu te diga uma coisa? - ele colocou uma mecha do meu cabelo pra trás, enquanto segurava minha cintura com uma mão. Meu coração estava quase saltando pra fora do meu peito. - Eu... Te... Amo... Isabella Collins.
Meu Deus.
- Você me ama? Patricinha!
- Por que você não me beija agora seu idio...
E foi oque ele fez.
Ele me calou, colando seus lábios nos meus. Eu não sei se é porque ele beija super bem, ou se é porque eu estava amando ele, só sei que era uma sensação maravilhosa.
Quando nossos lábios se tocaram, sua lingua busca a minha, sugando, mordiscando, numa junção de calor e frio, de formigamento e de calafrio... Suas mãos segurando meu rosto, minhas mãos em seu cabelo.
Era macio, doce, quente.
Era muito bom estar nos braços dele, me sentia protegida, mesmo sabendo que ele era o caminho para o meu pecado... ele era o meu pecado.
***
Todos cruzamos os dedos enquanto os jurados votavam, o g***o dos meninos dançando break ficaram em terceiro lugar, na última rodada a nossa banda estava empatada com a banda da Manu, com dois votos cada. Então faltava só um jurado, o professor de música, para escolher a banda favorita.
Ele então fez um pequeno discurso, agradecendo à todos pela participação, que estava orgulhoso de todos que prestaram atenção às suas aulas etc, e falou que a banda da Manu foi ótima, mas que faltava originalidade. Então ele disse que simplesmente amou a The Amity, que fomos incríveis, além da música ser original, disse que todos da banda tocam, e cantam super bem.
Todos gritaram e aplaudiram quando ele nos chamou no palco para ir receber os certificados como prêmio. Eu m*l podia acreditar que nós ganhamos, depois de tudo que passamos pra chegar ali. Aquele era um prêmio e tanto.
Todas nós nos abraçamos uma por uma e abracei o Ric também, afinal ele era da banda, e eu estava muito feliz. Quando nos íamos descer do palco, o professor pediu que cantássemos outra música, e o público concordou. Então voltamos, e nos posicionamos nos instrumentos.
Eu peguei o microfone.
- Se você não se emporta Manu, vamos cantar a sua música, porque achamos bem legal.
Eu não via ela, mas tinha certeza que ela tinha me ouvido, e que estava morrendo de raiva. Que ótimo.
Então nós apresentamos a música que a gente tinha ensaiado tanto, e que já estava perfeita, mostrando à todos mais ainda nosso talento. E eles pareceram ir à loucura, cantando junto e gritando nossos nomes. Quase me senti como uma estrela do rock mesmo.
No fim da noite, todo mundo estava aos poucos indo embora, então no caminho pra encontrar minha família, eu vi o Léo. Eu queria passar reto por ele, mas ele me puxou pelo braço com i********e.
- Meus parabéns pelo prêmio.
- Obrigada. - Eu ia saindo mais ele me puxou mais uma vez.
- Eu sei que você está chateada por eu estar na banda da Manu, mas eu juro que... foi só porque elas estavam precisando de alguém, e eu sei tocar bateria. Então eu aceitei. Mas foi só por causa disso.
- Você não me deve explicações. - Eu disse com a voz mais normal e tranquila, que eu conseguia, mas por dentro eu estava muito chateada.
- Eu sei de tudo que ela te fez, e as coisas que ela fez para tentar separar nós dois. Eu sei que não devia nem falar com ela Isa, oque nós tivemos foi único. Eu respeito oque tivemos, por isso queria pedir desculpas.
Ele me olhava com os olhos tristes, eu quase fiquei com pena, mas eu lembrei que por trás daquele olhar há uma pessoa que já me ameaçou uma vez. Eu já não confiava mais nele.
- Tudo bem. É sério, sem mágoas.
- Jura? - ele sorriu. - Então que tal um abraço?
Ele abriu os braços, e eu sabia que não estava realmente brava com ele, e não tinha motivos verdadeiros para estar. Então deixei que ele me abraçasse.
- Tchau Léo.
Eu saí, e continuei meu caminho até as barracas de comida, onde estava se enchendo de gente faminta.
- Aquela era a Isabella? - a Manu se aproximou do Léo, e cruzou os braços. - Olha só, já vou avisando que se você for ser meu amigo, não quero ver você falando, olhando, e muito menos abraçando ela de novo.
- Eu sei. - ele passou um braço sobre os ombros dela. - Só faz parte do nosso plano, fazer ela confiar de novo em mim.
Ela deu um sorriso satisfeito.
- E ela acreditou no seu papo?
- Ve viu ela me abraçando, isso te responde?
- Acho que gosto dessa versão malvada, do Léo bonzinho que eu conheci.
- E você ainda nem viu o começo. - Os dois sairam abraçados.
***
- Mãe, eu vou pra casa da Bianca pra comemorar nossa vitória com as meninas, tá bom?
- Quem vai estar lá?
- Fica tranquila, só meninas vão estar lá.
- Então tá. Eu preciso te levar?
- Não. É bem ali, na outra rua. Nós vamos andando.
- Ok, tomem cuidado! E não durmam muito tarde!
- Pode ficar tranquila. Estou indo. - Dei um beijo no rosto da minha mãe e corri na direção da Bia, da Carol e da Ju que estavam abraçadas, já caminhando em direção à casa da Bianca.
***
- Bia, a sua mãe não vai surtar se a gente fazer uma bagunça? - A Ju perguntou, enquanto terminava um pote de sorvete de chocolate com avelã sozinha.
Estávamos todas sentadas na cama de casal da Bianca, seu quarto todo era muito grande, e bem organizado, decorado no estilo inglês britânico do século passado, assim como toda a casa.
Seu pai tinha deixado uma boa herança, então sua mãe e ela viviam muito bem.
- Eu não contei? Minha mãe não está em casa essa noite.
- Sério? Quer dizer que temos essa casa enorme só pra nós?
- Sim senhora.
Os olhos da Ju brilharam.
- Então tá... Estou vendo que essa noite vamos nos divertir muito, isso se a Carol não dormir cedo, igual a última vez.
- Hoje eu estou com a energia de uma Rock Star. - a Carol se jogou pra traz no colchão. - Oque significa que não vou dormir tão cedo!
Todas rimos.
- Meninas, estamos comemorando a vitória da banda sem o Rick, e ele é da banda também, vocês não acham isso injusto? - A Bia perguntou.
- Oque? Você quer que ele venha aqui dormir com a gente? - A Carol riu.
- Ele já sabe meninas, eu falei com ele quando estávamos vindo pra cá. - A Ju pegou o celular. - Ele disse que está tudo bem. Ele vai pra casa e vai estar comendo pizza, pensando na banda.
Todas rimos juntas.
- Eu até gosto dele... ele pode até ter fama de galinha, pegador, mas ele é bem legal. - A Bia disse.
- É, ele é mesmo muito divertido. - A Ju disse. - Só não entendo porque a Isa odeia tanto ele...
Todas olharam pra mim.
- Oque? Eu não odeio ele... é uma palavra muito forte. Só não... Nos damos bem.
- Ah entendi, porque os pais de vocês estão saindo né? - a Ju continuou. - Isso é até aceitável. Ninguém gosta dos filhos do padrasto.
- Ele não é meu padrasto!
Carol e Bianca me olharam desconfiadas.
- Não, ainda. - concluí.
Nós passamos alguns minutos só discutindo sobre o concurso e tudo oque aconteceu, e depois assistimos um filme de terror na TV do quarto da Bia, as quatro debaixo de um edredom, comendo pipoca, e morrendo de medo.
- Meninas, não estão com sede? - Bia perguntou.
- Estou. Mas eu não tenho coragem de descer pra cozinha nem morta. - Ju disse.
- Nem eu. - Eu disse.
- Meu Deus como vocês são medrosas! Estão com medo de achar uma garotinha morta lá em baixo? - Ela riu e desceu da cama, indo em direção à porta e acendeu as luzes. - Vamos todas juntas, ou eu pego água só pra mim.
Ela riu e saiu logo nós também fomos, mais morrendo de medo.
Quando nós três saímos, a Carol tinha se escondido e apagado as luzes, e deu um susto na gente que me fez dar um grito. Então depois de rir muito, nós voltamos ao quarto com mais potes de sorvetes, e brigadeiro.
- Bia, espero que você tenha pijamas pra todas nós, a ideia da festa do pijama foi sua. - A Ju disse.
- E você não me deixou passar em casa pra pegar o meu. - Eu disse.
- Vão no meu closet, eu acho que tem pra todas. - ela riu.
Então nós toda sentarmos no closet da Bia, que era duas vezes maior que o meu. Isso era um dos privilégios por ser filha única. Um sonho que eu tinha de vez em quando.
- Qual vai ser o próximo filme?
- Romance? - sugeri.
- Nem pensar. - A Carol disse, tomando o controle remoto da mão da Bianca.
A noite foi muito legal, nós sempre nos divertíamos muito quando estávamos juntas. Ficamos tomando sorvete e assistindo filme até tarde e depois dormimos.