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4308 Palavras
- Oque foi aquilo? Estavamos colocando as nossas roupas e livros em nossos armários. - Você parecia ter acertado o chacra fraco da Manu. Isa, oque deu nela? - A Ju me perguntou, inconformada. - Não foi nada Ju, é só que... eu não entendo porque ela ainda guarda rancor de uma coisa que aconteceu à dois anos atrás. - Então é verdade? - A Bia arregalou os olhos. - Eu nunca imaginei que a Manu tivesse uma queda pelo Léo! Bem, ela tem uma queda por todos os garotos, mas... de verdade?! - É sim. - Suspirei. - Mas eu só descobri depois de já estar namorando com ele... é por isso que ela me vê como uma inimiga mortal. Eu não tenho nada contra ela, mas ela não aceita minhas desculpas nem se cair um raio naquela cabeça loira dela. As meninas riram. - Mas ela disse coisas horríveis sobre você. - A Ju comentou. - Eu deveria dar uma surra nela... - a Carol disse, quando já estavamos indo em direção à saída. - E vocês deviam ter deixado! - Já disse e repito Carol, não vale a pena fazer isso. - Eu disse. - Você iria levar suspensão, senão expulsão, e para oque? Só para deixar uns roxos na cara dela? - Se fosse só uns roxos! - A Carol riu. - Ainda acho que eu deveria tentar. Quem sabe assim ela deixa você em paz. Todas rimos, mas sabendo que a Carol era mesmo capaz de cumprir oque diz. Depois de dar tchau para as meninas, eu ia indo entrar no ônibus antes que o Ric me visse e viesse me atormentar. - Isa! - O Mateus chegou correndo perto de mim. - Queria saber se você quer sair comigo no sábado? Podemos ir ao cinema, oque acha? - Tenho que ir agora, desculpe... - Eu me apressei para ir, mais ele me interrompeu. - Oque foi? Por que você está me evitando? - Não. E eu não estou... - Olhei atrás do Mateus e vi o Ric entrando no ônibus, então eu respirei fundo e olhei para ele. - Eu não estou te evitando Mateus. - Então... aceita ir ao cinema comigo amanhã? - É que eu tenho compromissos marcados. - Oque por exemplo? - Ele cruzou os braços fortes e definidos, embaixo de uma blusa de malha vermelha que marcava o tanquinho dele. Um garoto tão lindo afim de mim, e eu tão desligada. - Eu... Tenho que... - Eu limpei a garganta, atrapalhada. Não sabendo porque eu iria recusar sair com ele, oque seria ótimo, mas simplesmente não estou com v*****e. - Ir à apresentação de ballet da minha irmã. - Sua irmã, a Sabrina dança ballet? - Ele riu. - Desde quando? - Bom, é como dizem, as aparências enganam. Mas ela é o cisne n***o da peça, só para deixar claro. - Está bem, se divirta então. - Obrigada. Podemos ir outro dia. Ok? - Vou cobrar. - Ele se aproximou devagar e beijou o meu rosto. Eu apenas sorri e quando ele se afastou, eu fui na direção da Ju que estava sentada no banco de cimento, com as pernas cruzadas e concentrada no celular. - Oi ju? - Oi. - ela olhou para mim. - Você perdeu o ônibus? - Não. Eu... resolvi ficar um pouquinho. Cadê as meninas? - A Carol está com o John, estou esperando ela para irmos embora juntas. E a Bia está com o Ian, ela está esperando ele terminar o trabalho. - Onde? - No laboratório. - Bom... então acho que vou esperar com você. Esperei um pouco e mandei uma mensagem para Tati vir me buscar. Eu estava começando a achar que não ia entrar no ônibus por um bom tempo. Assim que cheguei em casa, e a Tati me disse que minha mãe queria me dizer alguma coisa quando chegasse, eu senti que as coisas iriam piorar. Depois do almoço, eu fiquei assistindo um filme de comédia na sala, porque sei que logo que a Sabrina e o Edu chegarem, a sala é totalmente deles. Eu não queria entrar em redes socias, nem conversar com ninguém, pois eu estava condenada. Eu estava condenada a pensar em tudo oque estava acontecendo. Primeiro: o Ric me beija. E eu sei que isso não era nada demais para ele, mas talvez seja para mim, estava começando a achar que não era só curiosidade, porque eu até desenhei ele! Segundo: talvez eu perca a amizade de uma das minhas melhores amigas, se caso ele resolva contar pra ela, só para bancar o "pegador do colégio". E terceiro: eu estava sendo a******a, pelo meu ex-namorado, que não quer me ver com outro garoto de jeito nenhum. Bem, ele não tinha falado nada à respeito do Mateus, então eu acho que não devia me preocupar. E ainda tinha a Manu, que ainda guardava mágoas do passado e com certeza não queria me ver feliz. De tudo isso que estava acontecendo comigo, eu fiquei parada no primeiro item: o maldido beijo. Por que será que não conseguia parar de pensar na d***a daquele beijo? Não era para ser assim, não podia ser assim! Ele tinha dito coisas realmente bonitas pelo telefone, que se eu fosse burra, acreditaria, mas eu sabia que era tudo parte do jogo dele para seduzir mais uma garota. Mas... e se desta vez fosse de verdade? eu não podia descartar a possibilidade. E se realmente ele queria a mesma coisa que eu: saber se gosta de mim de verdade, ou só era curiosidade. De qualquer modo, como eu ia saber oque ele achou do beijo? Deixei bem claro que eu nunca mais queria falar com ele. E por que eu não sabia nem oque eu achei? Os sintomas eram claros: fico imóvel quando estou perto dele, sem respirar direito. E o simples modo dele andar me fazia derreter. Doía muito não poder contar à alguém oque eu estava sentindo. Só que para falar bem a verdade, nem eu sabia direito oque estava de fato, acontecendo comigo. Eu tinha que saber que ele não sente nada por mim. Tinha que saber que nada do que ele me disse, era verdade, que ele só queria poder dizer aos amigos que me beijou, isso que eu tinha que colocar na minha cabeça. E esquecer tudo oque aconteceu. Mas como eu ia esquecer dele? Sendo que estudávamos no mesmo colégio, nossos pais estavam juntos e provavelmente estávamos sempre ligados pela familia, e ainda tinha a banda, que ele também fazia parte! Como eu ia conseguir? Me pergunto isso pelo resto da tarde, m*l prestando atenção à TV, onde estava passando um dos meus filmes favoritos: Meninas malvadas. Resolvi seguir em frente! Resolvi ignorar tudo e ser forte sempre, eu tinha que fingir que estava tudo bem mesmo não estando. É isso que eu faço para manter minha autoestima alta. Eu desligo a TV quando ouço o barulho da porta se abrindo, e vejo os meus irmãos entrando correndo pela sala. Eu abraço o Edu, e vejo que ele está normal como sempre, quando ele corre com a mochila nas costas e vai direto para a cozinha, para provavelmente comer todas as balas e doces dos potes. Mas quando olhei para Sabrina, quase não reconheço ela, com os cabelos loiros penteados para trás, um arco de laço metálico no alto da cabeça, usando o uniforme escolar, um short jeans e uma sapatilha azul. Ela estava como uma garota de dez anos normal. Ela estava comum, sem maquiagens ou saia de ballet exageradas. E isso era bem estranho. - Ok... Oque aconteceu com você? - Naaaaada. - Ela disse bem devagar como se estivesse tudo como deveria estar. - Você está... bonita? E acredite, isso não é normal. Ela apenas revirou os olhos e foi para cozinha tomar água, eu segui ela. - Já te falaram que você é patética Bella? - Hmm me desculpe. É só um jeito de uma irmã dizer para a outra: ''Você fica bem de sapatilha'' - Ela apenas assentiu. - E a sua apresentação de ballet? - É no domingo, por que? - Domingo? - Sim. - Ela encheu o copo com água, revirando os olhos novamente, me achando horrivelmente irritante e bebeu a água. - Achei que... bem, eu achei que fosse amanhã. - Nem tudo é oque você acha que é, querida. E ela saiu da cozinha, subindo as escadas e me deixando falar sozinha como costumava fazer, pelo menos a personalidade dela era a mesma. Uma lâmpada acendeu na minha mente e eu corri para o meu quarto com uma idéia, pra me distrair dos problemas. - Oi, Mateus. Sabe aquele convite que você me fez mais cedo? - Sim. - Ainda está de pé? - Para você sempre princesa. - Que bom! Te vejo amanhã? - Te pego às sete. Pode ser? - Claro. Tchau. - desliguei. É isso mesmo! Meu primeiro passo para seguir em frente e esquecer tudo que tem à ver com o Ric. Eu tinha tudo planejado. Só faltava a parte mais difícil, a permissão. - Tati, a minha mãe já chegou? - Perguntei, porque muitas vezes minha mãe preferia falar comigo só na hora do jantar. - Sim, ela já está no quarto dela. - Ótimo... e ela está sozinha ou com a Sabrina? - Não sei. - a Tati riu. - Isso faz diferença? - Você nem imagina. Eu corri em direção ao quarto da minha mãe, bati na porta e entrei em seguida. - Oi? - Sorri, ao ver que ela estava sozinha. Ela estava sentada na cama, na frente do seu laptop, usando seu abtual robe preto. - Oi... - Ela fechou o computador quando me viu, para olhar para mim. - Filha, esqueci de falar com você quando cheguei, me desculpe. - Não tem problema, eu estava em uma ligação mesmo. E você devia estar muito cançada. Sentei ao lado dela na cama forrada com edredons brancos e travesseiros brancos. Praticamente tudo no quarto da minha mãe era branco, ela adorava a cor: o chão, a cama, as cortinas, os armários, o criado mudo, só escapava uma estante de livros que ela tinha no canto, que era preta. E era tudo sempre tão perfeitamente arrumado e limpo, diferentemente de todos os outros cômodos da casa, que meus irmãos sempre davam um jeito de bagunçar. - Não, eu estou bem. - Ela me abraçou e deu um beijo no alto da minha testa, com um certo ar de preocupação. - Oque você veio me pedir? - Como sabe que eu vim te pedir alguma coisa? - Instinto maternal. - Ela riu. - Então? Oque quer? - Não é nada de mais... eu só quero permissão para ir ao cinema amanhã. - Está bem. Pode ir. - Sério? - Pulei da cama. - Espera aí... com suas amigas, certo? - Não exatamente... - Isabella. - Ela me olhou com desconfiança. - Tem um garoto? - Prefiro não falar sobre ele, só oque precisa saber é que ele é legal e que é só meu amigo. - Então por que suas amigas não vão junto? - Eu não estou descartando a possibilidade... Ela olhou para mim e eu apenas usei o meu ''olhar-de-súplica-adolescente'', e depois ela respirou fundo antes de se render. - Já sabe as regras... - Chegar antes das nove. - Eu sorri, abraçei ela e já ia saindo do quarto. - E? - ela cobrou. - E... não assistir filmes proíbidos? - Sim, mas a Tati vai levar vocês dois. - Não! - Sim. E fim da discussão. Saí do quarto dela, e já corri para a cozinha para resolver este ''probleminha''. Perfeito! A Tati topou fingir que vai me levar ao Shopping, quando na verdade, ela ia para outro lugar e vai me deixar ir com o Mateus. Ela era meu anjo da guarda, sempre me ajuda nessas situações complicadas. Não queria sair com um garoto, acompanhada da babá, isso seria muito estranho, mesmo não sendo um garoto com o qual eu não quero nada além de amizade. Depois que eu jantei com a minha mãe e com os meus irmãos, eu fui para o meu quarto tentar me distrair até dormir para que a noite acabe. E depois que eu apaguei as luzes, tudo ficou estranho. Eu sozinha, olhando para a televisão enquanto tento pregar os olhos. Apesar do filme que estou assistindo, ser O homem de ferro, que é de ação, ele não deixa de ter suas partes de romance. Oque me deixa enjoada porque me faz relembrar o tão-odiado-mas-jamais-esquecido-beijo. Até tentei conversar com os meus amigos no chat, e dar uma olhada do f*******:. E ainda sim, quando vejo as publicações dele, eu saio. Eu não sei porque, mas saio. É difícil, mas mesmo assim, eu deixo de falar com minhas amigas, por causa dele. Mudo o canal da TV até encontrar um filme que não tenha muito romance, e prefiro assistir Valente. É um filme de uma princesa da Disney que a minha irmã adora... Sabrina, é isso! Eu saio correndo do meu quarto e abro a porta do quarto dela, mesmo sabendo que ela pode já estar dormindo, eu entro no quarto dela mesmo assim. - Sabrina? Eu vejo ela mechendo no tablet - provavelmente -, está postando fotos mostrando lingua, que recebem mais likes que as fotos da Manuelly mostrando parte dos s***s. - Estou assistindo Valente no meu quarto, quer... hmm... assistir comigo? - Eu arrisquei, esperando ser expulsa neste momento. Mas para a minha surpresa, ao invés dos sapatos que eu achei que ela jogaria em mim, ela levantou da cama, vestida com seu pijama de estrelas e pantufa roxa, e veio na minha direção segurando um travesseiro. - E aí? Oque está esperando? Vai me deixar passar ou não? - Ah! certo... - eu saio. - Pode ir entrando... eu vou buscar sorvete para a gente. Eu desci as escadas rapidamente, enquanto a Sabrina entrava no meu quarto. Eu não esperava que ela aceitasse. Fazia muito tempo que não assistiamos filmes juntas como sempre faziamos antes de eu entrar no ensino médio. Mesmo eu sabendo que, ela resolver mudar de uma hora para outra, é muito estranho, tenho que aproveitar o momento, porque é o único jeito de me destrair e não pensar nele. Quando entro no meu quarto, eu vejo a Sabrina sentada na minha cama, assistindo ao filme debaixo dos meus edredons e com o travesseiro dela. - Toma. - Dou uma colher para ela. Eu tiro minhas pantufas de coelhinhos e subo na minha cama, entrando debaixo dos edredons ao lado da Sabrina. Eu abro o pote de sorvete e coloco entre nós duas. - Por que aceitou assistir o filme no meu quarto? - Eu gosto de Valente, - Ela não desgrudou os olhos da TV quando disse - E é o único jeito de eu assistir depois das nove que a mamãe não brigue. Ela continuou assistindo ao filme, e tomando colheradas do sorvete de chocolate e creme. Depois de rir disso, eu fiz a mesma coisa. *** Eu acordei e vi que a Sabrina não estava mais na minha cama, ela devia ter acordado mais cedo para ir dormir na cama dela, só para manter a imagem de durona. Eu sinceramente sei por que ela fazia isso. Depois de tomar um banho matinal, de lavar a preguiça e escovar os dentes, eu vesti um vestido rodado com estampa floral, de mangas cumpridas, eu desci para tomar café da manhã com a família. Tudo bem até agora. - Bom dia pessoas que eu amo. - Eu disse, sentando na minha cadeira, e me servindo com as delícias da Tati. - Até que em fim a Bela Adormecida acordou! - Sabe que eu prefiro a Cinderela, não é Sabrina? Ela foi maltratada e humilhada, mas mesmo assim teve seu final feliz. - Lá vem esse papo de princesa! Olho para ela, e vejo que ainda está usando pijama. - Foi você quem começou. E você gosta da princesa Merida, não gosta? - Eu provoquei, sabendo que era a princesa do filme que ela assistiu comigo, ela apenas me mostrou lingua e ignorou. - Mãe? - Pode falar. - Ela já estava usando seu terninho de trabalho e toda arrumada para o trabalho enquanto toma uma caneca com café, mas de olho no tablet. - Oque tinha para me falar ontem? - Ah...sim. - ela olha para mim. - Tenho coisas importantes para discutir com você, mas podemos deixar para depois. Fica tranquila que eu não vou tomar decisões sem antes você ficar sabendo. - Ok.- Eu deixei quieto, mas eu sabia que devia ser mesmo importante, por ela querer conversar comigo ''depois'', para que o Edu e a Sabrina não ouvissem. Depois do café da manhã, eu fui no meu quarto escrever as coisas que tinham acontecido comigo nos últimos dias, e depois disso eu coloquei um biquíni, e fui nadar na piscina com os meus irmãos. - Vamos Sabrina, entra, a água está uma delícia! Eu chamei a pequena, que estava sentada na espreguiçadeira de madeira usando um maiô roxo, - que caiu bem no corpinho magrelo e branco dela - mas se negando a entrar na água. - Pode perguntar para o Edu, não está Edu? - Sim! - O Edu respondeu, batendo os braçinhos na água, enquanto mergulhava com os óculos de mergulho. - Viu? Se você não vir eu vou jogar água em você! - Você não ousaria! - Ela me desafia, sentando na cadeira e abaixando os óculos escuros como uma celebridade muito rica e chata. Eu espirrei água nela com as mãos, até ela desistir e entrar na piscina para jogar água em mim também. Nós estavamos nos divertindo na piscina, até a campainha tocar e a Tati vir acompanhada até a piscina, com a Natasha e logo atrás da Natasha, o Ricardo. Quando vejo ele meu coração fica acelerado, e a minha respiração também, mas senti um ódio tão grande que eu era capaz de dar um t**a na cara dele. Ele estava usando um short casual, chinelos de borracha, e uma camiseta branca, escrito: Já sei, mandei m*l. Perfeito. A Sabrina saiu da piscina correndo de encontro com a Natasha e as duas se abraçaram. - Que bom que você veio, obrigado por trazer ela Rick. - A Sabrina disse. - Ah, não foi nada. - Ele respondeu ela, mas estava olhando pra mim, enquanto eu saía da piscina. - Quer entrar na piscina? Eu te empresto um biquini. - A Sabrina disse para a Natasha que sorriu, e seguiram juntas para o quarto dela. - Oque você está fazendo aqui? - eu olhei pra ele, com os olhos apertados. - Eu vim... Ele parou de falar um segundo, para me olhar dos cabelos molhados, aos pés descalços e enrugados de tando tempo que eu fiquei na piscina. Ele mordeu o lábio. - Eu vim trazer a Nati para brincar com a Sabrina, sua mãe disse para fazer isso. - Já fez isso. Agora já pode ir embora. - Eu passei por ele, entrei pela porta, peguei uma toalha branca, e me enrrolei nela. - Calma, eu acabei de chegar! - Ele me seguiu até a cozinha. - Não quer me convidar para mergulhar na piscina com você? - Quer falar mais baixo? - Eu me certifiquei de que a Tati não tinha ouvido isso lá de fora. - E jamais vou fazer isso, agora, vai embora. Por favor. - Está bem, mas eu tenho que falar com você sobre aquele beijo. O nosso beijo. - Não é o nosso beijo. É o seu beijo. E eu não quero falar sobre isso, então tchau. Eu me afastei dele praticamente correndo. Subi as escadas e entrei no meu quarto, achando que ele jamais teria a coragem de entrar lá. Só que eu vi que me enganei, quando ele entra e fecha a porta atrás dele. - Sai daqui! - Eu disse empurrando ele pra fora, só que meu esforço não valeu de nada, quando ele segurou meus pulsos. - Espera. Eu só quero conversar. Eu não vou te morder. - Ele disse e eu olhei brava pra ele, com raiva. - Bom, depende do rumo da nossa conversa. - Ele sorriu, aquele sorriso quase perfeito, e irresistível. - Sai do meu quarto agora! - Eu mantive a minha voz controlada. - Senão eu vou gritar! Tati... - Eu ia gritar, mas antes que eu fizesse isso, ele colocou a mão sobre a minha boca, segurando os meus braços, e me pressionando contra sua barriga. - Será que dá pra me deixar falar? E parar de agir como uma criança mimada? - Eu tentei escapar dele, mas ele era mais forte. Bem mais forte que eu. - Se eu te soltar, prometa que não vai gritar? Eu confirmei com a cabeça. Não queria que a Tati visse isso e tirasse suas próprias conclusões. - Tudo bem... - Ele afrouxou as mãos e eu pulei pra longe dele, arrumando minha toalha no corpo, ainda com a respiração acelerada. Mas ainda com mais raiva. - Olha... - Lutei pra não sair correndo. - Eu não sei oque você tem pra me dizer... mas seja oque for, eu não quero saber ok? Então por favor... vai embora. Se você tiver ao menos, um pingo de decência, você vai sair. Porque pra mim, você é só um louco, viciado em garotas, um s****o, e um galinha e que não me deixa em paz. Por favor... sai daqui agora. - Eu disse com a voz baixa, e decidida. Eu estava tremendo. - Se é isso que você quer mesmo... Eu não conseguia olhar direto pros olhos dele. Não podia ver a expressão de surpresa e desapontamento, que percebi pela voz dele. - É sim, isso que eu quero. - Esperei ele sair para eu fechar a porta e me jogar na minha cama, exausta, assustada e muito... muito confusa. Eu não saí da minha cama o resto da tarde, nem para comer a deliciosa torta de chocolate que a Tati fez. Quando olhei no meu celular, vi que já eram seis e quinze, então eu disse para mim mesma: esquece esse garoto e siga em frente! então corri para o banheiro e tomei um banho, coloquei um shorts branco de cós alto e um top básico de mangas cumpridas preto. Sequei os cabelos molhados, contornei meus olhos com o deliniador e apliquei máscara de cílios, esfreguei um pouco de blush nas bochechas, e passei um gloss lábial. Depois de colocar minhas sandálias e pegar a minha bolsa, eu mandei uma mensagem para o Mateus: ''Me espera na esquina quando vier'' e desci as escadas. - Onde você vai tão tão arrumada? - Minha mãe passou por mim, indo para sala de jantar. - Ao cinema? - Ah, sim. Eu já ia me esquecendo... boa sorte para você e a Tati, e se cuidem. - Está bem. - Dei um sorriso de lado, e segui atrás da Tati. *** - Tati, ela ainda está olhando da janela. Eu vou ter que entrar no seu carro. - Eu abri a porta do carro e entrei. - Tá. E onde o garoto está? - Ele está na esquina me esperando. - E quantos anos ele tem mesmo? Ela seguiu dirigindo até a esquina, e avistamos um garoto escostado em uma moto, olhando alguma coisa no celular, distraído. Ele estava usando calças de couro pretas e muito justa nas pernas, botas, e uma camiseta preta por baixo de uma jaqueta jeans retrô. O Mateus ficava ainda mais gato fora do colégio, e eu já estava me esquecendo disso. Ual. Que gato. - Hamm, - eu desperto do meu devaneio. - Dezesseis. - Oque?! Eu não posso deixar você ir de moto com ele para o shopping, ele é menor de idade. - Mas ele sabe pilotar... eu acho. - Desci do carro, antes que a Tati resolva mudar de idéia. - Se acontecer alguma coisa... - Aiii, para de falar besteira Tati! - Eu acenei para o Mateus e olhei para Tati pela janela do carro. - Eu sei me cuidar. Fica tranquila. - Confio em você. - ela piscou e sorriu. - Obrigada, te amo. Beijo. - Eu também. Se cuida! - ela grita, quando se afasta com o carro para ir à algum lugar. Eu caminho até a moto parada perto da calçada. - Oi. - Ele beijou o meu rosto. - Tudo bem? - Sim. E você? - Estou melhor agora... nossa você está linda, sua mãe deixou você sair com esse short tão pequeno? - Ele sorriu - Porque eu adorei. Eu corei. Eu não me sentia envergonhada diante de um elogio, mas desta vez eu estava. - Você também está lindo com esse seu visual Bad boy, destaca a cor dos seus olhos. - Obrigado. - ele piscou seu olho azul piscina e riu. - A sua casa é tão longe que precisou vir de carro? - É uma longa história. Mas e aí? Sabe pilotar essa coisa, não sabe? Eu olhei para a moto dele, toda cromada e guidão alto. Eu geralmente, não era chegada à motos, mas aquela era bem legal. - Você vai descobrir se subir nela. - Ele me ofereceu um capacete, enquanto sorria de uma forma sedutora. - Vai bagunçar todo o meu cabelo! - Eu peguei, mas não coloquei o capacete. - Vai, coloca logo meu anjo. - Pedindo assim... - Eu coloquei o capacete e subi na moto atrás dele, pedindo mentalmente para que ele saiba mesmo pilotar. Mais tarde descobri que ele sabia, e muito bem. Só que ele acelerou tanto que eu quase tive um ataque no meio do caminho.
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