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3063 Palavras
- Filha, você vai se atrasar para o colégio! - Eu pulei da cama. - Que horas são? - eu perguntei, enquanto tento procurar meu celular no meio do amaranhado de edredom. - Faltam trinta minutos para os portões do colégio se fecharem. - minha mãe gritou pela porta. - Mãe, por que não me acordou? - Eu corri para o banheiro sabendo que tenho pouco tempo para me arrumar. - Você sempre acorda sozinha, e eu achei que você já estivesse acordada. Que horas você foi dormir ontem? Eu me lembrei que dormi muito tarde porque os pensamentos invadiram minha cabeça. Eu me mechia de um lado para o outro na cama mas mesmo assim, eu não conseguia dormir. - Muito tarde. Fiquei no celular. - Mais uma dessas, e eu confisco seu celular Isabella. Se arruma em dez minutos que eu vou te levar, ou então você não vai conseguir entrar no colégio. Dez minutos? - Eu pensei. - Dez minutos eu levo para escolher meus sapatos. Mal deu tempo de eu terminar de me arrumar, e minha mãe me arrastou para o carro. Eu tive que ir calçando os tênis, e ainda pentear os meus cabelos, porque nem deu tempo de fazer isso. - Caramba! - Hey, que linguagem é essa? - minha mãe me repreendeu, da frente do carro. - Desculpe. - Oque aconteceu? - Esqueci de pegar minha pulseira. - Calma, não é o fim do mundo. - Mãe, desde quando eu ganhei ela, nunca deixei de usar. Precisava de tanta pressa? - Sim, ou eu chegaria atrasada no trabalho. - ela estaciona na frente dos portões do colégio. - Chegamos, tchau. Beijo. Depois de dar um beijo na bochecha da minha mãe, e desci do carro correndo para entrar no colégio. Quando cheguei na sala, a professora de Matemática já estava citando as páginas do livro de questões à ser resolvidas. Eu entrei de fininho dizendo um "bom dia professora" bem discreto, mas mesmo assim não deixei de chamar atenção mesmo quando me sentei na cadeira. - Por que chegou atrasada Isabella? - a professora perguntou. - Tem mesmo que saber professora? - Sim. Gostaria muito. - Bem... hamm... - Tentei disfarçar, porque todos da sala estavam olhando para mim. - É que eu não estava achando o outro par do meu tênis... Que a Belinha pegou. - Ah, nossa! Bela história. - a professora voltou a olhar para o livro com ironia. - Tudo bem, espero que você deixe seus sapatos longe da sua cadelinha da próxima vez. Turma, vamos continuar com a nossa aula... - Isa... - A Carol cochichou perto de mim. - Por que você de atrasou? De verdade. - Dormi tarde. - Eu cochichei de volta. - E acordei tarde, por consequência. - Por que você não está usando nossa pulseira? - Porque minha mãe me arrastou de casa, e eu não lembrei de pegar ela. Me desculpe. - Ah, legal. Tudo bem. Uau, eu adoro minhas amigas. *** Na aula de Matemática eu não tenho tempo para conversar porque a professora não dá trégua. A próxima aula era de química, então, todos nós fomos para o laboratório, pegamos os óculos de plástico, os jalecos brancos, e sentamos em duplas. Eu sentei com a Carol e a Bianca e a Ju sentaram atrás da gente. Em nossa mesa tinham vários recipientes, e uns líquidos frios e quentes, azuis e brancos, soltando fumaça gelada. Eu já estava com muito sono, e quando a professora Angélica chegou, e começou a explicar, as palavras dela foram se contorcendo dentro da minha cabeça, e tudo estava ficando embaçado diante dos meus olhos. De repente ouço a professora se dirigir à mim, com a maior normalidade: - E tudo isso, é porque você está apaixonada por ele... essa química é formada pelos elementos de amor e você mistura com o sódio... - Ela não estava dizendo coisa com coisa. - Você não para de pensar nele... Porque isso vai virar uma tinta azul. E vocês poderiam estar juntos, se você der uma chance à vocês... Isabella! Isabella Collins, você está me ouvindo? Acorda garota! Parecia que eu estava voltando de uma dimensão totalmente diferente, ou saindo de um poço muito fundo, e a voz da professora me chamando estava ficando cada vez mais real, até que eu abri os olhos e quase caí do meu banco, quando percebi que estava sonhando esse tempo todo. - Hã? - Eu levantei minha cabeça da mesa, assustada, e todos da sala olharam para mim. - Você estava dormindo durante a minha explicação? - a professora Angélica me olhou, irritada. - Não! Claro que não. Eu prestei muita atenção... na sua explicação. - Eu ajeitei o meu cabelo, e passei a mão na boca para checar se eu não tinha babado. - Então prove. - Ela cruzou os braços. - Faça a tinta! - A tinta? Ahn... claro! A tinta. - Eu olhei para Carol, que estava rindo baixinho ao meu lado, e dei uma cotovelada nela. Depois peguei um frasco com um líquido azul dentro, e despejei dentro do frasco com um líquido branco. - É só misturar esse aqui... com este troço de cor branca... e... Os líquidos começaram a borbulhar, e a fumaça começou a se espalhar pela mesa. Eu tentei tampar o frasco com as mãos, mas isso só fez piorar, porque o líquido explodiu em mim, me deixando toda, e completamente pintada com uma tinta gosmenta, azul cobalto. - Aaahh! - Eu dei um grito agudo, e a sala inteira explodiu de tanto rir. Eu olhei para a professora, depois de tirar um pouco da tinta do meu rosto com as mãos. - Professora, me diz por favor, que essa tinta não é permanente. - Acho melhor você correr para o banheiro agora, ou seu lindo rostinho, vai ficar azul para sempre Isa. - até a professora estava tentando esconder uma risada. Eu ignorei alguns que estavam me chamando de Smurf, ou Avatar e corri para o banheiro. A Carol pediu a professora para vir comigo, e a professora deixou, mas disse para a classe que isso servia de lição, para não dormirem na aula dela. - Por que essas coisas só acontecem comigo?! Eu estava esfregando o meu rosto com as toalhas do banheiro, com água e sabão, na frente do espelho. O meu rosto já estava limpo, mas a tinta se recusava a sair de algumas mechas no meu cabelo. - Por que não com outra? Eu sempre fui uma boa menina, nunca falo palavrão, sempre ajudo os velhinhos à atravessar a rua... - Talvez porque você foi destinada à ser especial. - A Carol riu ao meu lado, enquanto me ajudava tirar o jaleco sujo de tinta. - Amiga, por que você dormiu na aula? - Eu estava com sono... dormi muito tarde ontem. - E por que está dormindo tão tarde? - Eu não sei. - Menti. - Só não... consegui dormir. Acho que eu preciso tomar mais cafeína. - Tem que resolver isso rápido, porque se você dormir durante a aula de educação fisica... Você pode levar uma bolada bem na cara. - Ela riu. - Eu vou tentar resolver. Prometo. - Eu tirei a toalha do meu cabelo, e quase gritei quando vi que a tinha não tinha saído. - Eu... não estou... acreditando nisso... - Xiii. Acho que é permanente. - Ela não se controlou, e começou à rir. - n******e ser! Carol, eu nunca tingi o meu cabelo, e nunca imaginei que a primeira vez, seria de azul! - Tentei molhar mais o meu cabelo na pia, mais não saia. - Pensa pelo lado bom Isa, são só algumas mechas... - E a minha franja inteira! - eu gritei, ainda me olhando no espelho. - Azul, definitivamente, não é a minha cor! - Fica calma, vamos perguntar para professora oque fazer. Talvez ela tenha um antídoto, ou algo assim. Enquanto isso... vamos secar o seu cabelo. Ela tirou o meu secador da bolsa, que eu sempre deixo no meu armário para secar o cabelo depois da educação fisica ou natação. - Mas eu não posso sair lá fora assim... Estou parecendo uma doida. - Eu achei radical... até acho que vou pintar também. - Ah, Carol não piora as coisas! - eu resmunguei, enquanto ela secava o meu cabelo e penteava. Eu passei um pouco de rímel, gloss lábial e depois voltei para a aula. - Professora, a tinta é permanente no cabelo? - Tentei ignorar a sala inteira rindo de mim e fazendo piadas, e perguntei à professora. - Pelo que eu vejo, é sim. - Ela riu de mim. E quando eu fiz cara de "eu vou ter um ataque". Ela me interrompeu. - Não, eu estava brincando... acho que vai ficar aí por umas duas semanas, no máximo. - Duas semanas?! - Eu acho que sim. E eu só não te dou uma suspensão por ter dormido na aula, porque você já teve o seu castigo. - E que castigo! - alguém gritou no fundo da sala. - Fica tranquila Isa, você está linda! Não é verdade pessoal? - Ela se dirigiu à sala toda, e eles levantaram o polegar, confirmando e disseram "É!" em coro, o Vitor e o Gabriel até assobiaram e disseram "Está Smurfgata!". Mas eu sabia que era mentira. - Seus traidores! - Eu brinquei. - Se eu fiquei tão linda, então vamos todos pintar o cabelo de azul! A sala inteira ficou quieta, e fingiram que não ouviram. Então o sinal para o intervalo tocou, e todos saíram imediatamente, guardando os jalecos e os óculos nos armários. *** - Tem certeza que não vai sair para o intervalo Isa? - A Bianca perguntou. - Todos vão adorar o seu novo visual. Ela riu, e a Ju e a Carol também. - Tenho. Não saio daqui nem morta! - Eu coloquei os fones de ouvido como sempre, e os pés na outra cadeira. - Quer que eu compre alguma coisa para você comer? - A Carol perguntou. - Não, obrigada. Não estou com fome. E obrigada pela preocupação meninas, eu amo vocês, mas prefiro que ninguém me veja assim. - Eu fechei o capuz do moletom cinza que emprestei do Vitor. - Tá, mas... Você vai ficar se escondendo dentro desse moletom horroroso por duas semanas? - A Ju me perguntou. - E no dia da apresentação? - Espero que até lá meu cabelo já esteja normal. - Vamos torcer por isso. - A Bianca disse. - Mas agora, eu vou conversar um pouco com o Hian, depois eu venho aqui, tudo bem? - Tudo bem, pode ir. Você também Carol pode ir ''conversar'' com o John. - Tá, depois eu venho aqui. - Ela e a Bia saíram da sala e a Ju e eu ficamos sentadas uma ao lado da outra, ouvindo música e vendo mensagens no celular. - Já que eu não tenho namorado. Eu vou ficar com você. - Ahh, só por isso? - Fingi estar ofendida. - Não amiga. Você sabe que eu jamais colocaria um garoto na frente da nossa amizade, não sabe? - Ahn, sim... eu sei sim. Pensei muito sobre isso. *** - Oi, John. - A Carol deu um beijo no rosto do John, que estava conversando com o Léo, o Mateus e o Ian. - Oi seus macacos loucos por futebol. Ela acenou para eles, e eles responderam com o mesmo entusiasmo. - Oi, minha roquerinha favorita. - O John a beija no rosto, e os meninos começam à fazer sons de enjoos. - Anh, que coisinha mais bonitinha... "roqueirinha favorita"! - O Mateus riu. - Ao menos eu tenho uma namorada, não é? - Ele retrucou, e os meninos riram do Mateus. - Eu tenho meu segredo... - Ele tentou se defender. - É gay? - O John provocou, e todos riram do Mateus novamente. - Carol, você não viu a Isa? - O Luan perguntou para a Carol. O Mateus esperou a resposta com entudiasmo. - A Isa está na sala mas não quer ver ninguém. - Por que? - O Mateus perguntou. - Eu não sei, ela só disse isso. - Ela voltou a abraçar o John. Os dois ficaram em silêncio, sem fazer mais perguntas. O Léo sabia que eu não queria ver ele nunca mais, e o Mateus não queria estragar tudo entre a gente e contar à todos sobre nós. - Aqui gente, - A Bia deu alguns doces para a Carol e para os meninos, incluindo chicletes e pirulitos. - Eu comprei muito. - Onde você estava? - O Ian puxou ela pela cintura, e colocou os braços ao redor dos ombros dela. - Xiii, um é meloso demais e o outro é ciumento compulsivo! - O Mateus interrompeu, rindo. - Mateus, vê se não se mete onde não é chamado. - A Bia rebateu, e depois voltou sua atenção para o Ian. - Eu só fui comprar uns doces, por que? - É que eu já estava com saudades. - Ele a puxou para mais perto, dando beijos em sua bochecha. - Nossa. - Ela riu. - Mas eu só demorei dois minutos. - Isso são dois séculos para mim. - Ual! - O Mateus interrompeu mais uma vez. - Acho que eu vou sair daqui antes que eu acabe vomitando com tanta melação! Ele se levantou da cadeira que estava sentando e caminhou em direção à um grupinho de meninas que conversavam no corredor. O Léo saiu também, mas foi em uma direção diferente. - Ele só fala isso porque ainda não tem uma garota. - O Ian comentou, e o John riu. - Acho que ele tem sim... - A Bia comentou sem querer. - E é nossa amiga. - A Ju? - O Hian levantou as sobrancelhas, sorrindo. - Não! A Isa. - A Carol corrigiu, e os meninos ficaram sérios. - Quero dizer... eles estão só saindo. - A Isa? - O John perguntou. - E o Léo já sabe disso? - Acho que não. - Quando ele souber vai ficar "P" da vida. - O Ian disse. - Vai mesmo. Porque já faz um tempo que ele está cercando ela. - O John completou. - Que garoto sinistro. - A Bia disse. - Que seja! Mas se ele pertubar minha amiga... - A Carol cerrou os pulsos. - Eu vou bater nele até ele ficar azul. - Azul? - A Bianca levantou uma sobrancelha, e quando a Carol percebeu a piada, elas riram juntas. Mas os meninos ficaram sem entender o motivo das risadas. *** - Olha só quem está enterrada dentro da sala... será um dos Smurfs? - A Manu entrou na sala com a Cristine e com o Alex. Ela estava usando o uniforme da escola, com uma saia identica a minha, só que laranja. - Ignora ela Isa. - A Ju me disse, e continuamos a ler os nossos horóscopos pelo celular. - Sabe Cris, - Ela parou com os amigos à alguns passos de distância de nós duas, e disse com uma voz provocadora. - Eu estava pensando em pintar o meu cabelo de azul também... Você acha que iria ficar bem? - Acho que iria ficar super brega. - A Cristine respondeu no mesmo tom, e usava o mesmo estilo de roupa da Manu, só que a saia não era rodada, e era preta. - Isso mesmo. - Ela riu e balançou os cabelos louros para o lado. - Iria ficar super brega, porque azul é super brega! Elas riram tão alto que os meus ouvidos doeram. - Manu, por que você nunca para de provocar a Isa - Para minha surpresa, foi o Alex que disse, dando alguns passos na minha direção. - Você não tem uma coisa melhor para fazer? Eu olhei para ele, depois para a Manu e para a Cristine, que estavam pegando fogo de raiva, e depois voltei à olhar para ele. - O seu cabelo ficou bem legal Isa. - Ele disse, com sinceridade. - Obrigada. - Eu respondi, e depois sorri para ele. Ele saiu da sala rapidamente, deixando todos de boca aberta. - Oque deu nesse garoto? - A Manu perguntou para a Cristine, com um tom de nojo. - Sei lá, só sei que ele está muito louco. - Ela respondeu, e depois de revirar os olhos carregados de maquiagem e jogar os cabelos, elas saíram da sala. Para a minha paz. - Será que essa menina nunca vai se cansar de te encher Isa? - A Ju olhou para mim. - Acho que não. - E eu não sei se é só coincidencia, mas ela parece se vestir igual à você. Parece até uma espécie de clone. - Um clone m*l feito... Porque ela não é nada parecida comigo. - Eu disse, e nós duas rimos. Mesmo depois que o intervalo acabou, eu tive que suportar duas aulas inteiras de comentários e interrogações sobre o meu cabelo. Que chato! *** - Não quero ir neste ensaio, eu tô h******l. - Você sabe muito bem que isso não é verdade. - A Carol disse por telefone. - Você sabe que ainda está uma gata. - Você só diz isso só porque é minha amiga. - Isabella, você vai nesse ensaio nem que eu tenha que entrar na sua casa e te trazer amarrada, me ouviu? - Carol, eu já disse que não quero ir, além disso... - Fingi uma tosse. - A minha voz não está muito boa hoje... - Sua voz estava perfeita hoje de manhã. - É que eu fiquei assim de repente... assim que cheguei em casa. - Isabella, eu conheço você à tempo suficiente para saber quando você está mentindo. Tem alguma coisa que você não me contou? - Não. Tudo bem... me desculpe. É que eu estava com muita preguiça mesmo. Mas eu não posso furar com vocês. - Vai ser legal, você vai ver. E não se preocupe com o seu cabelo porque está no estilo da banda de rock. - Carol, eu já falei que a banda não é de rock... é uma girlband com um garoto. - Eu ri. - Já entendi. - Que ótimo. Ela revirou os olhos. Sempre fiquei chocada como nós éramos tão diferentes e nos dávamos tão bem juntas.
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