Acordei assustada porque já era tarde e a Tati sempre me acordava cedo. Estranho.
- Cadê a Tati? - Eu olhei pra mesa de café da manhã, quase não tinha nada além de leite, pão com presunto e mussarela. - E oque é isso? Estamos fazendo greve? Cadê o café da manhã?
Eu sentei ao lado da minha mãe à mesa, mas muito confusa.
- Bom dia minha filha, é que a Tati pegou folga hoje já que eu estou de folga também. E de nada por ter feito seu café da manhã, é o melhor que eu consegui...
- Desculpe mãe... está ótimo assim, eu não como tudo aquilo que a Tati faz todos os dias mesmo.
- Pois é. Coma logo e vai arrumar umas roupas pra você.
- Por que?
- Por que vamos viajar.
- Viajar!? - Eu quase engasguei com o leite.
- Sim. Vamos viajar todos juntos, mas não se preocupe, voltaremos amanhã mesmo. É pra uma pousada que fica à uns cem quilometros daqui. Já fiz as reservas.
Ela parecia tranquila e decidida enquanto mordia seu pedaço de pão.
- Espera! Todos quem?
- A nossa família... e a família do Marcelo. Filha, algum problema?
- Sinceramente, eu não estou com v*****e de ir.
- Filha, é uma oportunidade perfeita para nos conhecermos melhor! E você não tem que querer, você vai e pronto!
- É inacreditável! - larguei meu pão inacabado no prato e me levantei. - Depois que você começou a namorar com o Marcelo, parece que eu, a Sabrina e o Edu temos que namorar com ele e com os filhos dele também!
- Filha...
Eu sai e fui correndo pro meu quarto, sem dar chance pra ela falar alguma coisa. Sei que é egoísmo da minha parte fazer isso com a minha mãe, mas não quero ter que aturar ficar vendo o Rick, como um meio irmão. Isso era estranho e constrangedor, para mim e pra ele.
Mas também sei que quando a minha mãe coloca uma coisa na cabeça ela não tira de jeito nenhum, e eu não posso pensar só em mim, ela gosta desse cara, então eu tenho que deixar ela curtir... Só não precisava levar todo mundo pra curtir juntos!
- Que tipo de roupa eu tenho que levar? - Eu perguntei pra ela de dentro do meu quarto, pois sabia que ela já estava na porta ensaiando mentalmente um jeito duro de falar comigo.
Escutei que ela respirou aliviada.
- Biquíni! E roupas leves, lá tem muitas piscinas...
- Mãe, temos piscina em casa!
- Você vai adorar Isabella! Você vai ver. - Ela entrou no meu quarto, foi até o meu armário e pegou um biquíni verde que encontrou em uma gaveta.
- Mãe! Eu não uso mais esse biquíni, essa cor não combina comigo! - Eu levantei da minha cama, frustrada, peguei o biquíni das mãos dela e o guardei de volta.
Em seguida peguei um vermelho com babados, e cós alto e coloquei na bolsa.
- Você devia dar oque não gosta para outras pessoas. Não é legal ficar acumulando.
Cruzei os braços.
- Ok. Vou juntar tudo que eu não uso e doar.
- Essa é a Isabella de coração bom que eu conheço... - ela veio e me deu um beijo na testa. - Te espero lá embaixo.
Depois que eu me arrumei e peguei minhas coisas, eu fui na garagem, coloquei a minha bolsa no carro e vi a Sabrina entrar também, ela estava vestindo uma blusa longa preta com o biquíni preto por baixo, óculos escuros e segurando uma mochila. Ela estava usando chinelos, que por "coincidência" também eram pretos.
- Você não se cansa de preto Sabrina? - Eu disse sentada no banco da frente, enquanto arrumava o meu cabelo no espelho.
- Nunca. - Ela respondeu, toda grossa.
Revirei meus olhos.
Depois o Edu veio correndo com uma bóia gigante de patinho na mão, e minha mãe veio logo atrás vestida com uma blusa quase transparente, e biquíni por baixo, eu quase não via ela sem o terninho, então era estranho pra mim, ver ela toda casual. Ela colocou a bóia do Edu no porta malas e entrou no carro, então saímos de casa e fomos em direção à casa do Marcelo.
Todos saíram do carro para entrar na casa deles, menos eu. Depois de alguns minutos esperando, eu vejo eles saindo com o carro, o Marcelo no banco do motorista, a Natasha entra atrás toda empolgada usando um vestido colorido e com tracinhas no cabelo. Muito diferente do estilo da Sabrina. Logo em seguida o Ricardinho entra no carro, com uma expressão muito séria atrás de seus óculos de sol, bermuda e camisa, ele provavelmente estava tão chateado quanto eu, ou até mais, por ter sido obrigado a ir à esse passeio.
- Vocês demoraram. - Eu disse pra minha mãe, assim que ela entrou no carro e deu partida.
- Adivinha por que? O Rick não queria vir.
- Sério? - Eu fingi estar surpresa. - Que coisa não é.
Ouvi minha mãe suspirando a palavra "adolescentes" mas não reclamei.
Depois de mais ou menos uma hora na estrada, indo pra um lugar que eu não tinha a mínima ideia de onde seja, nós chegamos em uma pousada grande com decoração tropical, cheia de palmeiras altas e arbustos. Eu tinha ficado só ouvindo músicas com meus fones de ouvido o caminho todo, e contando para minhas amigas oque estava acontecendo e explicando porque eu ia ficar fora por um dia inteiro. Quando todos desceram do carro, eu fiquei apenas de cabeça abaixada quieta atrás de todo mundo, querendo evitar o Ricardinho ao máximo. Depois que minha mãe e o Marcelo falaram com a recepcionista e cadastrou nossos nomes, uma funcionária da pousada nos acompanhou até um quarto.
- Mãe, oque está pensando em fazer? - Eu me afastei com ela de todo mundo antes de entrarmos no quarto. - Só tem esse quarto para todo mundo?
- Não! Na verdade temos dois quartos, sendo um de casal, e o outro com duas camas de casal. Tínhamos planejado em você dormir em uma cama com a Sabrina e Natasha, e o Rick com o Edu.
- Não acredito que vou ter que dormir com duas pessoas!
- Não seja dramática Isabella, são só crianças, elas não ocupam tanto espaço, além disso você dormia com todas suas amigas em uma cama só nas suas festas de pijama.
- Algumas dormem no chão!
- Filha vamos, não se preocupe... vai ver que o quarto é enorme. - Minha mãe colocou o braço ao meu redor e me levou para o quarto. - Crianças, vão se aconchegando aqui... eu e o Marcelo estaremos no quarto ao lado e depois iremos para a piscina. Encontro vocês lá. - Ela fechou a porta e saiu com o Marcelo.
O quarto era realmente grande, a decoração tropical e uma enorme janela com vista para o campo, uma cozinha, duas camas de casal, duas TVs enormes e tinha um sofá cama também e um banheiro enorme. Tinha um armário ao lado da cama, onde eu coloquei as minhas coisas, sentei na cama e coloquei de volta meus fones para ouvir música. Logo todos saíram do quarto para encontrar minha mãe e o Marcelo, com seus trajes de banho e algumas toalhas do quarto, mas depois de uns minutinhos sozinha, a Sabrina entrou novamente no quarto.
- Ei, Isa! - Ela puxou os meus fones com rapidez - Você não vai para a piscina? A mamãe mandou eu te chamar.
- Diz que eu não estou a fim.
- Você sabe que se eu ir falar isso pra ela, ela vai vir aqui te buscar ou ela vai ficar muito brava com você.
- Meu Deus! Está bem... eu vou colocar o meu biquini, e já vou lá.
- Sabe onde fica a piscina? - dava pra ver que ela queria voltar logo, pela cara de chateada.
- Não se preocupe, eu me viro.
Ela nem esperou eu levantar da cama e já saiu correndo, batendo a porta do quarto. Depois de passar protetor solar, pegar meus óculos de sol, meu chapéu e minha bolsa com minha saída de banho e toalha, eu saí do quarto e fui caminhando pela pousada, com meu chapeu, e o óculos de sol na mão. Não foi difícil achar as piscinas, era só seguir os gritinhos de felicidade das crianças e barulho de água, tinham mais ou menos umas cinco famílias, brincando na beira das piscinas enormes e brinquedos, mergulhando ou nadando. Eu vi a minha mãe e o Marcelo dentro da piscina rindo um com o outro, depois eu vi a Natasha, a Sabrina e o Edu brincando em um escorregador, e bem mais longe deles, eu vi o Rick conversando com uma garota dentro da piscina, rindo como se já conhecesse ela à muito tempo... garota alta, cabelos loiros e até os ombros, usando um biquíni parecido com um que eu já tinha. Ela estava de costas pra mim, mas mesmo assim eu reconheci... Manu!
Meu dia ainda poderia ficar pior, eu estava dando meia volta pra voltar para o quarto, mas a minha mãe me viu e acenou.
- Vem filha, a água está maravilhosa!
- Não, tudo bem... eu vou tomar sol um pouco aqui mesmo. - Eu caminhei até uma espreguiçadeira na beira da piscina e deitei, coloquei os óculos escuros e o chapéu por cima do meu rosto, e tentei relaxar. Mas tudo oque eu mais queria era que aquele dia acabasse rápido.
- Vamos filha... entra na piscina, você está aí faz horas enquanto todos estão se divertindo...
- E você já vai sair?
- Sim, eu já me diverti o bastante. - Ela riu, estonteante e linda, ela parecia mesmo feliz - Vou ficar aqui sentada, vai levanta e entra na piscina Isa! Vá nadar um pouco.
- Está bem... - Eu levantei da cadeira e decidi que eu também tinha que me divertir, então tirei os óculos e chapéu, dei pra minha mãe segurar e pulei na piscina.
Assim que mergulhei, vi que minha mãe estava mesmo certa sobre a água, estava tão morna... até fiquei mais relaxada, só que isso não durou muito tempo, pois assim que eu terminei de nadar até a outra ponta da piscina e saí, o meu olhar encontra o da Manu, que vinha até mim, provavelmente pra me provocar.
- Olha que coincidência agradável, minha amiga querida, Isa. A Smurfete. - Ela diz cinicamente. - Nosso colégio todo resolveu vir para esta pousada esse final de semana?
Eu não queria responder ela e nem falar com ela, então só fiquei quieta, enquanto ela me olhava dos pés a cabeça.
- Ah, achei você Manu! Onde você... - O Rick estava nadando e encontrou a Manu, mas quando me viu, ficou sério.
- Olha Ricardo é a Isa, ela também estuda no nosso colégio...
- Eu sei, - ele a interrompeu. - Inclusive, nossas famílias estão aqui juntas.
- Ah... tinha esquecido que ela é sua nova irmãzinha, não é?
- Nós não somos irmãos de jeito nenhum. - As palavras dele doiam mais do que o fato de ele não olhar pra mim nenhum segundo sequer. - Manu, você não quer sair daqui?
- Por que? Agora que está ficando legal essa conversa. E ai Isa? O gato comeu sua língua? - ela deu um risinho falso. - Soube que você montou uma banda... e que você vai ser a vocalista...
- Quem te disse isso? - Eu falei pela primeira vez com ela, num tom muito defensivo.
- As notícias naquele colégio correm muito rápido, querida! e se você e suas amigas pensam que podem ganhar o concurso com uma bandinha porcaria, estão enganadas!
- Manu, - o Ricardinho disse, a deixando surpresa. - Eu também entrei na banda, sou o baterista.
- Que ótimo! Irmãos trabanhando juntos, que lindo! Se você é amiguinho delas, então não fica dando em cima de mim! Porque se você é da banda delas, então você é um perdedor! E eu não fico com perdedores. - Ela empurrou ele na piscina e saiu.
- Rick...
- Ricardo. - Ele me olhou nos olhos pela primeira vez. - Para você é Ricardo.
Ele saiu da piscina e foi na direção da pousada, muito nervoso.
Eu não sei exatamente, porque eu fui atrás dele, fiquei evitando isso por um bom tempo, mas eu precisava saber uma coisa, pelo bem da banda e das minhas amigas. Quando eu entrei no quarto, que era onde eu pensei que ele estava, eu não vi ele, mas a porta do banheiro estava aberta, e eu ouvi barulho do chuveiro, então eu fiquei esperando por alguns minutos. Quando ele saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura, com gotas de água pelo corpo e cabelos sedutoramente bagunçados, ele pareceu surpreso por me ver, mas passa direto por mim, com expressão séria, e vai até o armário ao lado da cama dele, pega umas roupas, e vai em direção ao banheiro novamente.
- Rick... Ricardo! Eu preciso falar com você. - Eu pulo na frente dele antes que ele entra no banheiro e decida me deixar falando sozinha de novo.
Ele abaixou a cabeça pra não olhar pra mim, respirou fundo e mordeu os lábios.
- Oque você quer?
- É... humm... - eu quase não lembrava oque eu tinha pra perguntar, de tanto nervosismo. - Eu quero saber se foi você que disse sobre a banda à Manu... ou publicou em algum lugar. Porque as meninas não fariam isso...
- Não fui eu.
- Tem certeza? - ele me olhou irritado. - Tudo bem... De qualquer modo a notícia já se espalhou mesmo, mas... você sendo amigo da Manu... você não disse nada? Nenhuma pista? Nome da banda, ou a música que a gente vai tocar...?
- Não.
Ele parecia sincero, e sem paciência, então eu resolvi acreditar nele. Suspirei.
- Olha... eu sei que você não quer falar comigo e está com muita raiva de mim... e na verdade eu não sei o porquê. Só sei que é importante para as minhas amigas e para mim, que venceremos o concurso e se a Manu ou qualquer outra saber coisas sobre a banda, ela vai fazer de tudo para nós não ganharmos, porque ela me odeia, sempre odiou, e não quer que eu seja feliz... Ela guarda mágoas do passado...
- Que você pegou o garoto que ela amava, sim, ela já me contou. - ele cruzou os braços.
- Não foi exatamente isso que aconteceu...
- Você não precisa me explicar nada sobre isso. Tem mais alguma coisa que você queria me falar?
Não - minha mente me dizia.
- Hum... É... Tem sim. Eu também quero saber... por que você está me evitando de propósito?
- Não estou te evitando de propósito... estou apenas cumprindo o nosso acordo, lembra? Que você não quer me ver e nem falar comigo nunca mais? Você mesma disse.
- Ah sim, - engoli seco. - Eu lembro. Mas... Não precisa ser assim! Olha... já que a nossa família estão juntas, temos que tentar ser amigos...
- Eu não quero ser seu amigo.
- E por que não?
- Eu já disse.
- Você não disse.
- Eu disse! Duas vezes... aquele dia no telefone, e depois no cinema, quando você beijou o Mateus...
- Tá, tudo bem... Mas oque isso tem a ver? Nós estavamos apenas curiosos, e você me beijou porque queria saber se...
- Espera aí... - Ele chegou mais perto de mim, confuso. - Você disse "Nós"? Você também queria me beijar?
De repente eu comecei a sentir uma forte dor de cabeça, oque eu iria fazer? Oque eu iria responder? Eu sempre encorajo as pessoas a dizer a verdade, mas eu estava prestes a mentir... Mas, qual era o problema afinal? Oque eu senti quando eu conheci ele, foi exatamente, oque qualquer garota sentiria por um garoto gato como ele.
- Está bem! Eu preciso te dizer a verdade... Sim! Desde a primeira vez que nos esbarramos um no outro no corredor do colégio, eu sentia a mesma coisa que você, eu queria ficar com você para saber se eu gostava mesmo de você, ou se era apenas... um interesse comum, por um garoto lindo...
- Agora você me acha lindo? - Ele riu pela primeira vez no dia, um sorriso que me faz sorrir de volta.
- Ah, que ótimo... O i****a voltou.
- Então... Você gostava de mim?
- Não, era só...
- Tá eu já sei... "Curiosidade" mas e depois do beijo... - Eu estava rezando para que ele não fizesse essa pergunta, mas ele fez. - Oque você começou a sentir por mim?
- Além de ódio?
- É. Além de ódio...
- Me diz você primeiro. - Ele ficou sério. - Porque eu já disse coisas que eu não queria dizer, então fala... Oque você sentiu? Porque você ficou longe de mim... um sinal de que você não gostou... Mas você não ficou com outra garota... ao menos eu não vi.
- Você observou isso? Eu não... - Ele brincou.
- Fala... Logo! Você achou o beijo comum como todos ou sentiu alguma coisa especial... sonhou comigo a noite toda? Não conseguiu parar de pensar em mim ou algo parecido? - Eu brinquei de volta.
- Você é se acha muito sabia? - Ele disse, também brincando... Eu acho.
- Não, você é que se acha muito... Se acha o garoto mais lindo do colégio... O fortão... O desejado...
- As meninas do segundo ano vão poder te responder...
- Viu? Você se acha! Mas na verdade, você não passa de um galinha!
- Um galinha? Eu? Atá... Eu prefiro ser um galinha do que ser uma patricinha mimada... a*******e, e s*******o.
- Então é isso tudo que você acha de mim? Uma patricinha mimada? a*******e e s*******o? - Eu realmente fiquei ofendida, minha expressão devia ter me entregado, porque a expressão dele mudou de brincalhão para sério.
- Uma patricinha linda, mimada... Mas linda... a*******e, mas que eu gosto... - Ele chegou mais perto de mim e olhando nos meus olhos. - E a s*******o, quem eu não paro de pensar um minuto sequer... Desde quando eu te conheci...
Meu coração acelerou e eu prendi a respiração. Quando ele já estava colocando as mãos no meu rosto, alguém entrou no quarto e nós demos um salto um pra longe do outro, ele entrou no banheiro e eu recuperei minha respiração.
- Filha, oque está acontecendo aqui? - minha mãe me olhou desconfiada.
- Eu... humm... Eu estava só conversando... com o Ricardo! - engoli seco.
- Sobre oque?
- Sobre nossa banda... por que?
- Nada. Que bom que estão se dando bem... É que já está na hora do almoço e nós vamos estar no restaurante perto das piscinas, não quer vir?
- Ah sim, quero. Mas antes eu quero tomar um banho... para tirar o cloro da piscina, sabe? E vestir uma roupa seca.
- Tudo bem, e você Rick? - Eu olhei pra trás e vi que o Rick tinha acabado de sair do banheiro, enxugando o cabelo com a toalha, ele já estava seco.
- Claro, vamos. - Ele foi atrás da minha mãe, mas antes de sair pela porta ele sorriu pra mim, único gesto que me arrepiou da cabeça aos pés. Corpo traidor.
Depois que eu tomei banho, eu vesti um short florido rosa de cós alto e uma blusa branca por dentro, e fui no restaurante onde minha mãe, o Marcelo, os meus irmãos, a Natasha e o Rick, estavam sentados rindo e conversando e tomando refrigerante, eu sentei entre a Sabrina e minha mãe.
- Quer tomar refrigerante filha?
- Não, obrigada. Tem suco? Estou evitando um pouco refrigerantes - Neste momento eu olhei para o Rick e ele disse baixinho, "patricinha" só pra me provocar.
Garoto irritante.
- Tem sim. Você quer de que?
- De morango.
Depois que nós almoçamos todos juntos, com o Rick me perturbando e fazendo cócegas nos meus pés com os pés dele, debaixo da mesa, nós fomos todos andar à cavalo no campo.
- Mãe, tem certeza que é seguro eu ir sozinha? - Eu estava com muito medo de montar naquele cavalo branco, enorme. - Ele é muito grande.
- Claro que é seguro. - Ela estava já montada em um cavalo branco igual ao meu. - Senão eu não estaria montada.
- Ele é inofensivo. - O homem que estava querendo me ajudar a montar, me disse. - O nome dele é Ray.
- Ray. Que lindo nome - Eu me aproximei dele devagar e passei a mão na crina, vi que ele era muito lindo, e calmo. - Mas eu estou morrendo de medo de montar em cima dele.
- Olha só Isabella, a Sabrina e a Natasha já estão bem... - O Marcelo disse montado em um cavalo preto, eu segui o olhar dele, e vi a Natasha montada em um cavalo marrom bem grande, e a Sabrina em um preto grande também, mas elas estavam sendo guiadas pelos homens, e andando bem devagar.
- Claro que sim, elas estão cavalgando tão rápido quanto uma tartaruga.
- Vamos filha, monta logo! - minha mãe disse, perdendo a paciência. - Se não você não vai sentir a adrenalina...
- Ah, eu não vou não...
- Eu vou com ela... - Eu virei pra trás e vi o Rick, vindo com um capacete de segurança na mão - A medrosa vai precisar disto. - Ele me deu o capacete e montou no cavalo tão rápido que me assustou. - Você não vai vir? - Estendeu a mão pra mim, como ele podia ser tão irritante e ao mesmo tempo tão lindo, eu não entendia.
- Agora você não tem mais desculpas filha, te vejo na chegada. - Minha mãe olhou pro Marcelo e os dois saíram cavalgando bem rápido, sem guia, pelos campos de areia.
- Hey princesa, o cavaleiro aqui está cansado de esperar. - Olhei pro Rick e ele me deu um sorriso, então eu peguei na mão dele e subi no cavalo, atrás dele, quase me desequilibrei, mas consegui agarrar nas costas dele. - Pode me agarrar bem forte quando ficar com medo, isso pode te impedir de cair.
Ele riu, mas eu não tinha achado nem um pouco engraçado, e então ele saiu cavalgando tão rápido, que eu cravei minhas unhas na cintura dele na tentativa de evitar levar um tombo.