Ayume O silêncio não começou de repente. Ele foi se instalando como poeira fina, dessas que não se percebe no primeiro dia, mas que, com o tempo, muda a textura de tudo. Foram dias sem proximidade. Não brigas. Não discussões. Não afastamento declarado. Apenas a ausência cuidadosa de gestos que antes existiam. Teo continuava ali. No apartamento. Na rotina. Nos horários. Mas havia uma distância nova, quase cerimonial, como se cada movimento fosse calculado para não invadir, não ferir, não repetir o erro. Ele me respeitava demais. E isso também dói. As manhãs passaram a começar com cumprimentos breves. Um “bom dia” contido, um olhar que não se demorava, um café preparado em silêncio. Eu o observava de longe, apoiada na bancada da cozinha, sentindo o corpo reagir a cada gesto mínimo

