📓 NARRADO POR JAMILE O som da chave girando na porta foi quase um alívio. Finalmente, em casa. Brasília me recebeu com o mesmo silêncio de sempre calmo, controlado, mas cheio de olhos invisíveis. Larguei a mala no canto e fiquei parada, olhando a sala como se ela pudesse me lembrar quem eu era antes de São Paulo. As paredes continuavam brancas, o mesmo sofá gasto, a mesma planta meio morta no canto. Tudo igual. Menos eu. Suspirei fundo, chutando os sapatos pro lado. O corpo ainda doía do dia inteiro, mas a cabeça… a cabeça não parava. Tinha manchete, tinha flash, tinha beijo público e a frase dele ecoando entre os jornalistas: > “Em breve, vocês vão ter casamento pra cobrir.” Revirei os olhos só de lembrar. Agora, o país inteiro achava que eu era a noiva do chefe. A “esta

