📓 NARRADO POR MAXIMILIANO O jantar terminou com o som das taças se encostando num falso brinde. Minha mãe ainda sorria daquele jeito frio e protocolar enquanto Jamile mantinha a postura impecável, o garfo pousado com delicadeza no prato, e o olhar firme demais pra quem acabara de sobreviver a um interrogatório travestido de jantar em família. Meu pai, por outro lado, não disfarçava nada. O silêncio dele já era um discurso. E quando ele deixou o talher sobre o prato, o som seco da faca contra a porcelana fez minha espinha enrijecer. — Quero falar com você a sós, Maximiliano. — disse, sem olhar pra ninguém além de mim. A voz dele não era um pedido. Era uma ordem. A mesma que comandou minha vida desde que aprendi a andar. Assenti em silêncio. Levantei da mesa, e antes que Jamile

