📓 NARRADO POR MAXIMILIANO Ela segurou o lençol contra o peito, mas o olhar era puro aço. Nada de fragilidade, nada de medo. Tinha fogo nos olhos. — Eu vou com você. — disse, firme. Virei de frente pra ela, a mão ainda no botão do paletó. — Não. — cortei, seco. — Isso agora é jogo de bastidor. Política, imprensa, conselho... é lama. Você não pisa lá. Ela não recuou. Ergueu o queixo, o lençol escorregando só um pouco o suficiente pra me fazer perder o foco por um segundo. Um segundo é tudo que ela precisa pra inverter o jogo. — Eu já pisei em coisa pior. — rebateu, sem pestanejar. — E não vou ficar trancada esperando notícia sua. Aquela teimosia dela me corroía e, ao mesmo tempo, me mantinha são. Soltei o ar, olhei pro relógio. O ponteiro marcava o atraso, a responsabilidade, a

