A primeira dose não produz milagres e não acordamos no dia seguinte com Melissa conversando à mesa do café, a mudança, se é que terá uma, é subterrânea, um ajuste silencioso nos alicerces dela, mas com o passar dos dias percebo uma ligeira diferença na forma como ela me encara às vezes, seus olhos um pouco mais focados, menos propensos a se perderem em um ponto distante quando falo com ela e durante as sessões com Irene, ela parece se engajar com um grau extra de paciência, como se estivesse escutando não apenas com os ouvidos, mas tentando sentir o som vibrar em um lugar novo dentro dela. A rotina da nova casa começa a se estabelecer, um esqueleto de normalidade sobre o qual vamos moldando a carne dos nossos dias, as mudanças chegam em caixas, e a mansão, aos poucos, vai se esvaziando,

