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4553 Palavras
2017 A agente fantasma tem a fama de movimentos leves e silenciosos, cada passo seu é camuflado por um tipo de força maior que a faz ser quase invisível no grande complexo da OSAEU. Contendo habilidades excepcionais com facas, ninguém além da equipe de Phillip Thompson realmente a viu, exceto por alguns agentes que viram o vulto de um casaco escuro com o símbolo da OSAEU prateado bordado nas costas. Essa presença considerada fantasmagórica consegue se destacar, porém, Daisy Jones gosta de provocar ao dizer que essa fama não contém a parte que a agente fantasma é a pior atiradora que já colocou os pés no complexo. Por muitos anos, Elizabeth usufruiu dessa habilidade fantasmagórica para andar por aqueles corredores como se nunca tivesse passado por lá, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco e a cabeça abaixada com o capuz cobrindo parte de seu perfil. Os rumores na maioria das vezes não condizem com ela, na verdade, são tão fantasiosos quanto a real habilidade de Elizabeth. Pouco sociável e com experiência em campo quase inexistente, Elizabeth se contentava em afundar em uma cadeira atrás de um computador e vagar em seus projetos por horas até que Phillip Thompson aparecesse no laboratório reclamando sobre a quantidade de tempo que ela ficou olhando para uma tela. – Te achei, fantasma! – Daisy Jones falou, animada, contornando Lola, o conversível vermelho de Phillip Thompson. Ela esbanja um sorriso que Elizabeth não retribuiu de início, assistindo pelo canto de olho quando Daisy se senta ao seu lado no chão. – Adivinha quem está no complexo? Elizabeth não ergueu o olhar do laptop em seu colo, fazendo questão de apenas puxar um lado do fone de ouvido para prestar atenção no que Daisy dizia. Apesar de não ser muito importante os cálculos que resolvia, era mais um capricho seu para provar a Jemma Simmons que estava certa sobre um determinado assunto, ela não se moveu para olhar Daisy, que pressionava o ombro no seu. Em algum momento, Daisy começou a desenvolver a carência por toque que talvez fosse culpa de Elizabeth, que não sabia dizer se estava relacionado ao seu afastamento ou ao seu profundo medo de machucar as pessoas. Seja qual for o motivo, essa carência por toque só foi direcionado a Elizabeth. Ela não poderia culpar Daisy pelos gestos de carinho que transmitia através do toque, afinal, quando mais jovem, elas eram próximas ao ponto de serem consideradas irmãs. No entanto, isso foi há muito tempo atrás. Agora, Elizabeth precisava se conter para não encolher os ombros com a aproximação. Não era culpa de Daisy, mas era necessário todo cuidado quando o assunto era a força maior correndo pelas veias da adolescente. – Eu estava no salão de treinamento, Jay queria me ensinar golpes novos. – Daisy contou, num mero sussurro, como se estivesse compartilhando um segredo que poderia ativar a bomba que acabaria com o mundo. – E eu vi! Em silêncio, Elizabeth continuava a digitar a espera de Daisy parar com o tom dramático e finalmente revelar quem viu. Normalmente, a animação de Daisy vinha das coisas mais inesperadas possíveis, semana passada ela fez um caso inteiro para contar sobre o cara bonito que conheceu na missão que teve com a equipe. – Sabe quem eu vi? – Daisy insistiu, dando um leve empurrão com o ombro em Elizabeth que suspirou e desviou sua atenção do laptop para Daisy. Erguendo uma sobrancelha, Elizabeth olhou para Daisy com uma curiosidade fingida. – Diga-me, Daisy, quem você viu? – Tony Starking. – contou, aproximando-se mais apenas para sussurrar o nome e se afastar, absorvendo o semblante neutro de Elizabeth que lutou para continuar inexpressiva como se Daisy tivesse acabado de contar sobre o que comeu no café da manhã. Nos últimos dias, os sussurros que correm pelas tubulações de ar do complexo eram relacionados sobre a possível separação dos Thunderblood após a briga que houve entre Anthony Starkinginge Steve Rogers, que ocorreu no ano passado, e tem levantado discussões desde que o tratado de Sokovia voltou a ser falado nos noticiários. Aparentemente, Anthony Starkingingtem a intenção de criar um programa que permite que pessoas com poderes sejam catalogadas por tipo, julgando o quão perigosas podem ser. E o tratado de Sokovia poderia sofrer alterações, tornando-se diferente daquele que foi oferecido aos integrantes da equipe dos Thunderblood, que ainda são procurados, considerados criminosos após a fuga da Balsa onde Steve Rogers os ajudou. Pessoalmente, é a coisa mais estúpida que Elizabeth acha que alguém pode querer criar – um sistema que contém cada ser humano com poderes do mundo? Era como catalogar animais e questionar quem seria o primeiro a m***r alguém. Julgar o nível de risco que essa pessoa pode oferecer à sociedade? São pessoas, não animais que podem ser enjaulados ao menor indício de perigo. Havia uma grande chance desse sistema disponibilizar a localização em tempo real dessas pessoas com poderes, e, caso seja verdade, para isso acontecer seria necessário colocar um chip em cada ser humano. Era como negar a privacidade de alguém com a justificativa de proteger o mundo. Elizabeth odiava isso. – Alguma razão em especial para a visita dele? – Elizabeth perguntou, voltando a atenção para a tela do laptop, embora os números comecem a se embaralhar com a mera citação do nome de Starking depois de toda discussão que andava tendo na internet. – Perguntei para Simmons sobre, e ela disse que ouviu dizer que ele está negociando com Nick Farley. – O tom de voz de Daisy ficou mais sombrio, baixo até, diferente de quando ela sussurrou com animação. De toda a equipe, Daisy sempre fora a mais fácil de ler depois de Simmons e Leonard; os dois pombinhos pareciam livros de criança. Havia algo de errado, consequentemente Phillip Thompson deveria estar se esgueirando pelos corredores do complexo a procura de manter sua presença morta para os Thunderblood depois do ataque de Fallen a Nova York. Com Anthony Starkingingrondando os corredores da OSAEU, Elizabeth só podia imaginar que ele encontrou uma maneira de tornar seu projeto viável. – Negociando? E o que Starking iria querer com Nicolas Farleydepois do desmantelamento dos Thunderblood? – Elizabeth perguntou para si mesma, arriscando olhar para Daisy só para verificar e ter certeza que, sim, ela sabia de alguma coisa. – Qual o problema, Daisy? Parece que um problema está lhe corroendo por dentro. Daisy olhou para frente, encarando a tintura vermelha do conversível como se a verdade tivesse sido riscada ali – e se acontecesse, Phillip Thompson passaria dez vezes por cima da pessoa que fizesse aquilo com Lola. Seus olhos castanhos estão semicerrados, as mãos firmemente fechadas em cima dos joelhos, os cantos dos olhos enrugados. – Ficará com rugas antes dos trinta e cinco se continuar assim. – provocou, alcançando Daisy que virou a cabeça para encará-la com os olhos brilhando. – Qual, é? Você só tem mais alguns anos até lá, precisa poder se gabar sobre como não teve rugas ao trinta e cinco. – o sarcasmo não é muito útil na maioria das vezes, mas Daisy relaxou um pouco. – Anthony Starkingingveio perguntar sobre a Agente Fantasma. – Daisy revelou, voltando a olhar para Lola com os olhos estreitos novamente. – Existe a chance dele querer a sua ajuda? Elizabeth revirou os olhos e deu de ombros com desprezo, oferecendo o melhor que pode para fazer Daisy crer que era uma ideia i****a. – Claro, quando Anthony Starkingingestiver contratando adolescentes me avise que estarei deixando meu currículo lá na porta das Indústrias Starking. – Apesar de sua voz manter o tom descontraído, Elizabeth reuniu suas coisas e colocou o laptop debaixo do braço ao se levantar. – Preciso que Simmons me ajude com alguns cálculos, onde foi que você a viu? – No laboratório do sétimo andar. – Ok. – Elizabeth arrumou a alça da mochila no ombro antes de fazer um gesto com os dois dedos na testa em saudação a sua partida, vendo Daisy sorrir com a atitude meio infantil. – Até mais tarde, Daisy. – Tente não atirar no próprio pé, fantasma! – Daisy gritou quando Elizabeth atravessava o estacionamento, recebendo um dedo do meio como resposta à provocação. ★★★ As tubulações de ar do complexo eram normalmente abafadas e estreitas, cabendo uma pessoa relativamente baixa e que poderia se esgueirar com os ombros encolhidos e os joelhos e as mãos pressionados contra a parte baixa do metal. Havia tantas passagens pelos mais de vinte andares do complexo que seria fácil alguém se perder ali e precisar de ajuda, mas há muito tempo Elizabeth memorizou cada corredor estreito e quente das tubulações com a intenção de fugir dos intermináveis treinos de tiro que Melinda Jay insistia em dar. Com uma chave de f***a entre os dentes, Elizabeth se arrastou pela tubulação com as palmas das mãos pressionadas contra o metal. Suor escorria por sua testa a cada curva que dava em direção a sala de reunião do décimo segundo andar, limpando a testa com a manga do casaco a cada sala que passava. Ela havia parado de bisbilhotar depois de ter sido descoberta por Leonard quando tinha quatorze anos, embora ele tenha prometido que não contaria seu segredo de se arrastar pelas tubulações, ele tinha insistido para que ela parasse com isso ou Nicolas Farleydescobriria e a mandaria para a Caixa de Areia – o lugar que fazia parte da OSAEU, mas que ninguém exatamente sabe onde fica. A ameaça foi o suficiente para fazê-la desistir de andar pelas tubulações. – Para onde agora, Karen? Elizabeth parou de se arrastar ao ouvir a voz, soltando a chave de f***a apenas para caso precisasse usar como arma. Fazia anos desde a última queda da OSAEU, quando agentes se rebelaram e se aliaram a Prateados. Só com o pensamento de acontecer novamente, ela alcançou uma faca que estava escondida no cano da bota. O movimento foi estranho e desconfortável, forçando seu braço para trás enquanto estava pressionado contra a lateral da tubulação. Com a faca na mão, Elizabeth seguiu a voz. – Não, aqui não, Karen. – No corredor ao lado, o Spider estava parado no meio da tubulação, um holograma azul sendo projetado através de seu traje com a planta do complexo. – Estamos no décimo segundo andar, mas tem dezenas de salas neste andar. Aqui, estamos em cima da cozinha principal, quero chegar à sala de reunião nove. – Peter, você tem que seguir em frente. – uma voz feminina soa, Elizabeth supõe que vem de dentro do traje. – Vire à próxima esquerda. O herói segue as instruções, olhando para frente e Elizabeth recua, tendo certeza que ele teve a visão de seu cabelo longo. Ele não a viu, ao menos não o seu rosto, porém descobriu que havia alguém ali além dele. Inesperadamente, os dois queriam chegar ao mesmo lugar e Elizabeth não sabia o porquê do Spider querer bisbilhotar a reunião que Anthony Starkingingtem com Nick Farley. – A-ah, eu sei quem você está aí. – Ele diz, inseguro, e Elizabeth ouve quando ele se aproxima até que esteja com a cabeça para fora do corredor, olhando para ela com os enormes olhos brancos. – Você… É uma adolescente. – percebe surpreso, tentando sentar sobre as pernas, mas o lugar é muito estreito e impossível de fazer muitos movimentos. Abaixando a cabeça e subindo o capuz, Elizabeth acenou para que ele seguisse em frente. – Você vai se perder, eu te guio. – Elizabeth disse simplesmente, preferindo ignorar o fato do Spider estar no complexo, no mesmo dia que Anthony Starkingingveio ter uma reunião com Nick Farley. Seria coincidência demais os dois estarem ali, algo acontecia e a preocupação de Elizabeth sobre isso só aumentava. – Você conhece aqui? – Só siga em frente, Peter. – insistiu, observando o herói respirar fundo e seguir em frente. – Vire na segunda direita. – guiou. – Mas… – Só faça isso. Elizabeth ficou feliz de estarem ao menos perto, guardando a faca na cintura, ela manteve a chave de f***a entre os dentes. Foram necessários apenas algumas voltas ali, quatro corredores e duas viradas à esquerda para pedir que Peter parasse depois da passagem de ar. – Você conhece muito bem aqui. – Peter comentou, animado ao deitar na tubulação com a cabeça mascarada em cima dos braços, observando Elizabeth enfiar os dedos entres as grades da saída de ar ao retirar os parafusos e os colocar de lado, puxando a pesada saída de metal para o lado. Estando em cima da sala de reunião, eles conseguiram encontrar uma maneira para que os dois assistissem ao que acontecia lá embaixo pela saída de ar. Embora não fosse possível ver muita coisa pela visão limitada que tinham, as vozes eram facilmente ouvidas e era nítida a irritação de Anthony Starkingingquando contrariado por Nick Farley. – Estou dizendo que quero ajuda. – Starking falou, aborrecido, as mãos se espalmando na mesa retangular da sala. Elizabeth não precisava ver Nicolas Farleypara saber que ele estava de braços cruzados e com o olhar indiferente, provavelmente acostumado com o temperamento de Anthony Starkingingquando recebia um não. – Você pode ter ajuda de qualquer um deste complexo, Starking, mas não irei permitir que pegue aquele projeto. Simplesmente não é seu, tão pouco meu, não posso oferecê-lo em uma bandeja de ouro. – Nicolas Farleydiz calmamente, a cadeira é arrastada. – Ele acabou de se sentar. – Peter sussurra, seu traje disponibilizando uma visão melhor do que a visão que Elizabeth tinha. – O senhor Starking está dando de um lado para o outro, parece irritado… Do que eles estão falando? Que projeto? – Fique quieto, Peter. – pediu num sussurro, preocupada com a possibilidade de descobrirem os dois. Ela não estava acostumada a ter companhia em suas sessões de bisbilhotar, muito menos do jovem herói que fez parte do time de Anthony Starkingingna briga no aeroporto. A OSAEU tinha informações básicas sobre todos os heróis envolvidos na briga, e, o herói à frente, Peter Parkinson, era o mais jovem de todos eles. – Os rumores por aqui correm a solta, a Agente Fantasma que ninguém sabe exatamente o que faz aqui. – A cadeira é arrastada e pela cabeça erguida de Peter, parecia que queria avisar que Starking também se sentou, mas ficou quieto diante do olhar sério que Elizabeth direcionou a ele. – Dizem que ela tem capacidade para se tornar a agente mais jovem… – São somente rumores, Starking. – Farley intervém como se soubesse aonde Tony queria chegar, e a suposição de Daisy voltou a mente de Elizabeth que sentiu o medo a envolver ao se aproximar mais da saída de ar. – Eles não saberiam nem dizer a idade dela caso perguntassem. – Então ela existe. – Sim, ela existe, e não é nada do que dizem. Duas batidas na porta e em seguida se abre, Peter segurou a respiração na frente de Elizabeth que ergueu as sobrancelhas em dúvida ao não conseguir ver quem havia acabado de entrar. Se arriscando a pôr a cabeça para fora, Elizabeth agarrou nas bordas da saída de ar e olhou para dentro da sala a tempo de ver Phillip Thompson fechando a porta. Aparentemente, Thompson não sabia se fingir de morto por muito tempo. Ele estava parado perto da porta, olhando para Anthony Starkingingque parecia ver um fantasma ao olhar para Phillip Thompson após ter ouvido Nicolas Farleyclaramente dizer que ele havia morrido quando Fallen perfurou seu peito. – Eu não acredito nisso! – Tony falou, perplexo com a presença de Phillip Thompson na sala de reunião, suas mãos se movendo para apontar para Thompson e depois para Farley que não demonstrava surpresa alguma. – Você sabia… Vocês… Por que mentir sobre a sua morte? – Gosto de um conflito. – Thompson brincou, dando de ombros, enfiando as mãos nos bolsos. Sua cabeça se inclinou, os olhos rapidamente olhando para Elizabeth que o encarou. Ele não disse nada, apenas encarou Nicolas Farleye Tony Starking, e ofereceu um pequeno sorriso. – Então, o que estamos discutindo exatamente? Elizabeth agarrou as bordas com mais força, tentando deslizar de volta, mas se desequilibrando. A chave de f***a caiu de sua mão na tentativa de se segurar em alguma coisa, sentindo o corpo ir para fora da tubulação a cada segundo que seu desespero aumentava em tentar não chamar atenção. Peter a segurou e a puxou no instante em que a chave de f***a colidiu contra a mesa, o som chamando atenção dos três na sala de reunião. Peter ficou desesperado para ajudá-la, resultando em puxá-la para cima e impulsionar seu corpo para fora ao tentar lançar uma teia na chave de f***a. Ele ergueu a cabeça para encará-la, os olhos brancos arregalados quando deslizou pelo buraco da saída de ar, caindo de seu esconderijo. Ele lançou teias, uma atrás da outra, para tentar amortecer a queda no instante que caiu em cima da mesa. Elizabeth arriscou um último olhar para dentro da sala de reunião, apenas para ver Peter aterrissar na mesa com uma mão segurando uma teia e a outra segurando a chave de f***a. A atenção estava voltada completamente para o jovem herói. Elizabeth recuou, se escondendo de qualquer olhar que pudesse ser direcionado para a saída de ar. Ela não queria abandoná-lo, porém não iria se arriscar por ele sendo que acabara de conhecê-lo e definitivamente nada de sério aconteceria com ele. – Garoto, o que você está fazendo aqui? – a voz furiosa de Starking fez Elizabeth repensar sobre o fato de que nada de sério aconteceria com o herói. – Eu não te deixei no seu apartamento? Você deveria estar na escola nesse horário! – Passeio escolar? – Peter ofereceu como resposta. – Você e eu vamos ter uma conversa séria, mas agora você vai sair e esperar lá fora, entendeu? – Tony perguntou, embora parecesse impossível Peter contradizê-lo. – Tudo bem, senhor Starking. – murmurou, e segundos depois a porta foi fechada. – Problemas em criar seu filho? – Nicolas Farleyperguntou e quase soou divertido, no entanto Elizabeth duvidou muito que ele estivesse tentando quebrar o clima tenso que se estabeleceu após a saída de Peter. – Esse dia está sendo uma m***a, não tem como ficar pior. – Starking falou, parecendo verdadeiramente cansado. – Tudo pode piorar, você pode ter um filho e nem sabe. – Thompson brincou. Elizabeth saiu de lá antes que também fosse descoberta, fazendo o seu melhor para cruzar as tubulações sem chamar atenção. Só quando deslizou para fora da saída de ar de seu quarto e parafusou a placa, que se permitiu relaxar mesmo que Thompson tivesse a visto, ele não faria muito além de confiscar seu laptop. E, no entanto, ela não conseguiu relaxar completamente ao repassar a conversa da sala de reunião. Anthony Starkingingouviu falar sobre ela, não sabia seu nome verdadeiro, porém sabia o nome que a chamavam e de alguma forma sabia sobre seu projeto. Era tão estranho, mas ela tentou não se preocupar com isso percebendo que Thompson tomaria as rédeas da situação. ★★★ Em 2015, Elizabeth se dedicou aos estudos sobre os Thunderblood o máximo que pode. Foi a primeira vez que pediu algo a Nick Farley, e o fato dele ter disponibilizado a sala de arquivos ainda a fazia pensar se Thompson não teve certo peso sobre essa decisão. Havia sido fácil demais convencê-lo sobre querer estudar na sala de arquivos, Nicolas Farleynão fez nenhuma objeção ao oferecer cada código de segurança. Durante seis semanas seguidas, Elizabeth tomou café e dormiu na sala de arquivos, vasculhando as gavetas e o computador em busca de cada informação que pudesse achar sobre eles. Seu interesse maior era em Bruce Howard e Tony Starking, ambos inteligentes o suficiente para fazê-la virar a noite lendo artigos de cada um deles. Ela arriscou a sair do complexo para assistir a uma palestra de Starking, mentindo para Simmons dizendo que iria fazer algumas compras numa livraria. Foi uma obsessão sua passageira na época, mas, agora, fazia muito sentido saber informações confidenciais de Tony Starking. Olhando para dentro de seu quarto, através da saída de ar, Elizabeth observou Starking parado perto da escrivaninha que continha alguns de seus protótipos feitos às pressas e consequentemente repletos de falhas. Ele estava de costas, o que permitiu que Elizabeth simplesmente empurrasse a tampa da saída para o lado e agarrasse as bordas, se segurando ao pousar em cima da cama. Os movimentos foram silenciosos o suficiente para não chamar atenção, e, novamente, os rumores sobre uma força maior acobertando os sons dos movimentos de Elizabeth a fizeram pensar até onde os rumores se tornam apenas rumores e até onde vai a verdade neles. – O senhor tem mania de invadir quartos com frequência? – Elizabeth perguntou, em pé, ao lado da cama com as mãos enfiadas nos bolsos. – Tenho quase certeza que isso é crime, mas – ela dá de ombros, Starking se virando assustado para encará-la. –, quem sabe, né? – Como… – Ele olhou para trás, vendo a porta trancada e em seguida para a janela atrás da cama. – Por favor, esse quarto fica no décimo quinto andar, é impossível eu ter entrado pela janela. – Elizabeth falou, calmamente, erguendo uma sobrancelha em divertimento com o semblante de Starking. Ela praticamente podia ver as engrenagens girando em seu cérebro para tentar desvendar como ela conseguiu aparecer ali sem fazer nenhum som. – Vamos lá, se não foi pela porta nem pela janela, por onde vim? Tony m*l ergueu seu olhar para o teto, parecendo ter concluído que seria impossível Elizabeth ter vindo por lá, embora, se tivesse olhado, teria encontrado a tampa da saída de ar desparafusada. Normalmente, as pessoas pensavam igual ele, preferido pensar na possibilidade de Elizabeth se teletransportar do que considerar o óbvio. – Nicolas Farleynão me falou que você tem poderes… – Sério, Starking? É isso que você pensa? – Suspirando, Elizabeth senta na cama. – Nem tudo precisa ser tão complicado. Olhe para cima. Ela assistiu a Starking olhando para o teto e encontrando aquele buraco, sua testa franzida em dúvida como se não acreditasse em algo tão simples. – Eu teria te ouvido. – diz, olhando para Elizabeth que oferece apenas um dar de ombros como resposta. – O que está fazendo aqui, Starking? – indagou, analisando-o da melhor forma possível. Apesar de suas intenções, Starking não demonstra preocupação e tão pouco dúvida sobre a possível proposta que fará. Na verdade, ele está tão calmo, estupidamente calmo para alguém que conseguiu convencer Nicolas Farleyde uma ideia i****a. Ele acreditou nos rumores, foi i****a o suficiente para confiar nas palavras sussurradas que vagam pelos corredores do complexo. Seus ombros estão relaxados, as mãos enfiadas nos bolsos da calça e a cabeça ainda levemente inclinada para cima como se esperasse que mais alguém saísse da tubulação. – Imagino que você saiba, levando em conta que estava espionando a reunião. – Se Starking queria que ela ficasse surpresa por ter sido descoberta, então se decepcionou pelo semblante neutro que Elizabeth moldou ao redor de sua face. Sua preocupação maior estava mais voltada com Nicolas Farleydo que com Starking, a possibilidade dele confiscar seu acesso na sala de arquivos a fez quase se arrepender de ter bisbilhotado. – Você sabia que eu descobri sobre você. – notou. – Era uma possibilidade, Peter parecia o tipo de garoto que não sabia controlar sua própria língua. – Elizabeth falou. – Então as notícias são verdadeiras, você quer criar uma rede com capacidade de catalogar todos os seres com poderes. – a amargura em sua voz era visível e Tony ergueu uma sobrancelha, um ato muito parecido com o qual Elizabeth fazia frequentemente quando tentava trazer certo humor. – Você não parece gostar da ideia. – Com todo o respeito, acho uma ideia estúpida. – confessou, Starking ri do comentário e Elizabeth não pode deixar de pensar que provavelmente Farley o avisou sobre sua opinião antes dele aparecer em seu quarto. – Eles não são animais, Starking, são pessoas. Adicionar eles em um sistema com o intuito de controlar eles é… Desumano. – Eu entendo o que você quer dizer, porém tecnicamente eles não são humanos. – falou, olhando para Elizabeth. – Pessoas podem se machucar por erros… – Como em Sokovia? Essa é a sua justificativa? – Elizabeth não tinha a intenção de soar ríspida, na verdade, ela nem queria estar discutindo sobre aquilo em primeiro lugar. Porém, suas palavras se envolveram em arame farpado e deslizaram pelos seus lábios com uma amargura incomum, criando um clima estranho no quarto. Starking apenas a encarou, parecendo digerir as palavras da adolescente com a mesma amargura que foram jogadas. – Olha – começou, suspirando com pesar. –, é uma péssima ideia. Não sei o que ouviu sobre mim, ou o que acha que sabe, mas está errado. Não posso lhe ajudar com nada… – Chamam você de agente fantasma por uma razão. – Tony a interrompeu, sua frustração começando a ser visível no modo que se aproximou da cama e se sentou na beirada, ao lado de Elizabeth. Seus movimentos eram mais duros, quase como se estivesse enferrujado e precisasse de óleo, engolindo em seco ao voltar a falar: – Você vem desenvolvendo um projeto incrível e quero ajudá-la… – Não sou i****a, Starking! Você não quer ajudar ninguém além de si mesmo. – A conversa virava para um caminho difícil, uma possível discussão, Elizabeth não queria seguir por ali. – Não me olhe assim, você não estaria aqui se não quisesse alguma coisa que o beneficia. E, por alguma razão, você acha que tenho o que precisa. Tony a encarou com os olhos estreitos, como se não acreditasse no que ouvia. – E você tem! – Não, não tenho! – Elizabeth se levantou abruptamente, lançando as mãos ao redor do quarto pequeno. – Isso aqui é o que tenho, nada de projetos mirabolantes ou habilidades especiais. O maldito projeto que todos falam nem saiu do papel. – Ah, então você tem um projeto! Céus, estamos mesmo discutindo sobre isso? Elizabeth se perguntou, respirando fundo. – Eu conversei com Phillip Thompson e Nick Farley, e eles falaram que você tem potencial. – Starking disse, muito mais calmo. – Estou lhe oferecendo um acordo… Uma parceria. Trabalharmos juntos nesse projeto, e eu sei que você está fazendo algo semelhante ao que eu quero, embora não tenhamos os mesmos objetivos. – Eu… – Pense, em uma semana eu volto e se você não concordar, tudo bem. Eu dou um jeito de fazer essa rede acontecer de qualquer maneira, só estava pensando que seria uma boa ideia ter ajuda de alguém que dizem ser tão brilhante. – São apenas rumores, Starking. – Talvez, mas eu esperava que não fossem apenas rumores. – Confessa, ele enfia a mão no bolso do terno e retira um cartão. – Me ligue caso mude de ideia. Elizabeth pegou o cartão sem nenhuma pretensão de ligar, oferecendo um pequeno sorriso ao abrir a porta e gesticular para o corredor. – Adeus, Starking. – falou, o assistindo sair do quarto. Suspirando, Elizabeth fecha a porta e joga o cartão na lixeira antes que pudesse ponderar sobre a proposta, preferindo ignorar ao invés de ser levada pela possibilidade.
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