A estrada parecia mais longa a cada passo dado. Os dois caminhantes estavam extremamente cansados pela jornada, a paisagem parecia não se alterar em momento algum. Eliot continuava a observar fora da trilha, o medo que a criatura aparecesse novamente, ainda persistia.
Amnie apenas continuava a caminha, não se importava com o que fosse encontrar desde que estivesse segura ao lado de seu parceiro. Seus pés, doloridos pelos repetidos passos, avisavam na para descansar, mas ela insistia em caminhar.
– Acho que podemos sair da estrada, talvez ela não leve a lugar nenhum. - O garoto olhava para a estrada, pensativo.
– E se realmente não for uma boa ideia? - Amnie continuava relutante.
– O que temos a perder?
– Nossa cabeça, talvez.
Os caminhantes optaram pela saída da rota. Adentrando a floresta, não se via nada além de plantas e uma extensa escuridão. A mata alta e verde, se estendia até o fim da zona de visão; o barulho dos animais se sincronizavam em uma bela sinfonia, uma belo paraíso aos ouvidos.
– Direito ou esquerdo? - Indagou a garota.
– Direito. - Eliote saiu correndo em meio a grande floresta, sem se preocupar se Amnie o seguia.
– Me espere!
Quanto mais corriam, mais percebiam a desistência da mata. A paisagem parecia mudar a cada passo dado, a vegetação ficava escassa e o chão se tornava mais poroso, uma sensação diferente que os visitantes desconheciam.
– O cenário mudou, interessante. - Eliote pensou alto.
A frente, um extenso mar envolvia a terra que se aproximava dos limites. Nada além do barulho das mares se movimentando, nada além dos próprios seres caminhavam pelas redondezas. O céu estrelado parecia ter seu auge em meio a paisagem – para todos os lados que se observasse, não se percebia nada além da imensidão de terras desocupadas. Após alguns instantes que os viajantes se deram conta, as chuva havia parado.
– Aqui choveu muito, deve ter parado para dar mais atenção ao lado seco. - A garota sentou sobre a areia e passou a observar o mar.
– Creio que podemos ficar aqui. – Eliote se jogou sobre a areia.
– Esta bem.
E com o passar da noite, os dois observaram os pontos brilhantes acima de seus olhos.
– Como se sente? – A garota se virou para o moreno, ainda observando a paisagem.
– Em relação a que? – Virou para o lado, interessado.
– Você sabe, acordar sem saber nada sobre onde estamos, estar com uma desconhecida...
– Não sei o que sentir. - O homem logo a cortou. Parecia querer evitar o assunto.
– Entendo. – Aquela altura, Amnie se sentia sem graça. – Enfim, que tal entrarmos lá?
A garota fez a sugestão, apontando para o mar.
– Na água? – Indagou ele. A menor apenas acenou com a cabeça.
– Pode ir, ficarei por aqui. – Eliote relutou em sair de onde estava.
Por fim, Amnie correu para a água, sozinha. Deixando o maior a observá-la enquanto se divertia.
– A água está me fazendo tremer! – Reclamou molhada.
– Está gelada? – Eliote riu com a reação da outra.
– Ele apenas quis se esquecer do passado. – Uma estranha voz, vinda do lado do observador, começou a surgir.
Eliote se virou para a direção do som, e se assustou ao ver uma criatura peluda, vestida com trapos semelhantes à trajes vitorianos masculinos. Sua face se assemelhava a de um coelho, se diferenciando apenas por traços humanos. O garoto se sentiu petrificado.
– Conhece o passado do tempo? – Indagou o coelho.
– Tempo? – Eliote tremia.
– Sim, aquele que você perdeu. Enfim, não posso dizer nada, pois, também perdi o meu. – O estranho parecia infeliz.
– Como assim?
– Gosta da garota? – O novo ser de pelos escuros, apontou com a cabeça para Amnie.
– Eu não sei… – O garoto respondeu sem olhá-lo nos olhos. Talvez não se pudesse dizer que o animal conseguia de fato ver algo, seu globo ocular era n***o com uma intensidade, sendo possível se ver no olhar da fera.
– Se continuar assim, melhor voltar para a estrada. Qual é o seu nome?
– Eliote…
– Quantos ciclos demorou para descobrir isso? – As perguntas do estranho não cessavam.
– Não estou entendendo, você conhece aquela mulher de antes? Você é ela? – Aquela altura, o moreno queria apenas sair correndo dali.
– Não me ofenda! Como pode me comparar a um sanguinário como aquele? Nojentos de destino. – O misterioso coelho deu uma bufada, extremamente irritado.
– Então me explique as coisas! – Eliote se exaltou, estava cansado.
– Ora, ora. Finalmente, o tinhoso deu as caras.
– É melhor ir embora, se não for dizer nada. – O menino queria se livrar do visitante.
– Quer uma ajuda ou uma história? – O coelho pareceu extramente interessado naquele momento.
– Escolha sabiamente, uma você ira prosseguir, outra regredir. – Continuou ele.
– E como posso confiar em ti? – Eliote estava inseguro.
– E o d***o tem escolha? – A criatura riu.
– Prefiro a ajuda.
– Dê o fora do meu território. Encontre o segundo cavaleiro e… hum, não confie na garota. – O visitante deu suas ultimas palavras e desapareceu na imensidão da noite.
Eliote, confuso e distraído pelas palavras do estranho, foi despertado pelos toques de Amnie. Agora os dois estavam molhados.
– Você viu o coelho? – O garoto perguntou.
– Coelho? O que é um coelho? – Amnie torcia o vestido na esperança de deixá-lo menos úmido.
– Vamos sair daqui.