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2359 Palavras
Christopher  Eu observava ela rir a cada boa piada do programa de humor. E eu olhava mais para ela do que para a tela. Muito mais do que bonita, Dulce era fascinante. Olhar para ela me trazia um sentimento de tranquilidade, como se nada jamais pudesse me atingir enquanto eu pudesse observar a obra de arte que eram os traços dela.  Meu celular começou a tocar e eu me afastei, deixando-a sozinha no sofá. Era Alfonso quem me ligava.  — Oi? — falei ao atender.  — Os ventos cessaram, estamos prontos pra sair, só estamos esperando você.  — Tem certeza que vai a essa hora? — olhei pela janela e observei o céu estrelado.  — O barco com os pesquisadores não responde, temos que ir até lá o mais rápido possível. Você vem? — olhei para a Dulce. Ela continuava rindo e comendo aquela pipoca rapidamente. Dulce foi capaz de correr sobre pedras afiadas só pra me pedir que ficasse aqui. Ela não queria que eu viajasse.  — Não, eu não vou. — respondi.  — Tudo bem, eu te mando notícias. E já que vai ficar aí, eu posso te pedir um favor? Acenda o farol para nos guiar.  — Claro! Em vinte minutos eu estarei lá. — desliguei o celular e voltei para o sofá.  — Era o seu irmão? — ela perguntou.  — Sim, eles vão viajar agora.  — Ah... você vai? — ela deitou a cabeça no encosto do sofá e me olhou docemente. Fiz o mesmo que ela, ficando bem próximo.  — Não.  — E por que não? — sorriu de lado.  — Porque eu prefiro ficar aqui com você. — eu pude ver o rosto dela se iluminar. — Que tal a gente ir até o farol? Alfonso me pediu pra acendê-lo essa noite.  — Eu sempre quis ir até lá! — se animou.  — Sendo assim, vamos fazer disso um evento. Levamos vinho e passamos numa lanchonete pra comprar uns hambúrgueres, que tal? Vamos observar o oceano lá de cima.  — Eu vou adorar! Lhe emprestei chinelos da Maitê e ela se apoiou em mim para poder andar. Peguei o vindo mais antigo da despensa e duas taças.  Compramos alguns hambúrgueres e seguimos até o farol. Para não dificultar a subida até o farol, eu peguei Dulce no colo enquanto ela segurava as coisas e subi as escadas. Ela ficou na varanda do lado de fora enquanto eu acendia a lanterna.  Quando terminei, fui até onde ela estava e nós nos sentamos no chão. Eu enchi as duas taças e ela tirou os lanches das embalagens.  — Pra onde pretende ir depois daqui? — perguntei, lembrando que ela disse que não ficaria aqui por muito tempo.  — Eu não pensei sobre isso. — deu um gole em seu vinho. — Faz décadas que eu não bebo isso, até tinha me esquecido como era bom.  — Meu pai estava guardando essa garrafa para uma ocasião especial...  — Ah... — ela me olhou com tristeza.  — Tudo bem, eu acabei encontrando a ocasião perfeita. Nada é mais especial do que beber esse bom vinho observando o mar com uma vista privilegiada, na companhia da mulher mais maravilhosa que eu já conheci. — sorri para ela. — Eu gostaria que você não tivesse medo de tentar. — Dulce mirou o oceano por longos segundos, parecendo pensar.  — Talvez eu não precise ter medo. — me encarou.  — É sério?  — É claro que ainda existem muitas coisas que martelam na minha cabeça, mas eu não consigo fingir que não gosto de você. Talvez seja loucura deixar esse sentimento tomar a frente das minhas decisões, mas eu simplesmente não consigo negar mais. A gente só tem que tomar cuidado. — Cuidado? — franzi a testa.  — Eu não quero me apaixonar e acabar te perdendo.  — Dulce... — segurei sua mão. — Eu vou fazer o possível e o impossível pra ficar ao seu lado. — ela sorriu para mim e continuamos a fitar o rosto um do outro incessantemente.  — Você não vai me beijar? — eu ri e me aproximei mais.  Rocei meu nariz no dela, inalando o perfume doce que emanava de sua pele. Levei meus dedos até seu rosto e acariciei de leve. Ela soltou um longo suspiro e fechou os olhos, sentindo o meu toque.  Olhei para a sua boca e cheguei perto até que nossos lábios se tocassem. Com movimentos sutis, pedi passagem para que a minha língua adentrasse e ela permitiu, fazendo nossas línguas bailarem juntas.  Eu entornei meu braço em sua cintura e a puxei, a fazendo sentar em meu colo sem parar o beijo. Ela enlaçou seus braços em meus ombros e colou seu corpo ao meu.  Eu estava nas nuvens, sentindo como se minha mente flutuasse sobre a brisa mais refrescante do oceano. E o mais estranho era que eu literalmente me sentia sendo banhado pelo mar, envolto num abraço oceânico que fazia parecer que a própria água me agraciava com o sentimento mais doce que um homem podia conhecer.  Não era a primeira vez que Dulce me causava sensações fora da normalidade. Essa mulher era mesmo especial, em todo o seu ser. Beija-la não era como tocar o céu, era como tocar o mar. Ninguém nunca me fez sentir desse jeito. Era novo, estranho e espetacularmente prazeroso.  Ela levou suas mãos para dentro da minha camisa e eu deixei que Dulce me despisse, tateando meu tórax como se procurasse por algo.  Agora era a minha vez, tirando seu vestido com cuidado, ela levantou seus braços para facilitar e então eu fiquei paralisado olhando aquele corpo que parecia ter sido desenhado pelas mãos de Deus.  Observei cada centímetro da sua pele pálida, correndo meus olhos por seus s***s, sua barriga que continha algumas pintinhas parecidas com estrelas, seus braços que ela quase nunca mostrava, sempre usando mangas longas que escondiam todos os pelinhos dourados que os cobriam. E então, voltei a atenção para os seus olhos, tão brilhantes que por um breve momento, eu achei ter visto a luz da lua ilumina-los.  — Como você consegue ser tão linda? — perguntei. Ela sorriu e segurou o meu rosto.  — Se eu te dissesse, você não acreditaria. — deu uma piscadela e eu ri de leve.  Voltamos a nos beijar e eu desci meus lábios para o seu queixo, maxilar, pescoço, até chegar em seus s***s. Os segurei com minhas duas mãos e comecei a depositar vários beijos, respirando fundo para sentir o máximo do cheiro dela que coubesse em meus pulmões.  Beijando todo o seu corpo, eu me esquivei, a deitando sobre a toalha de mesa que havíamos trazido. Desci meus lábios para o seu tórax, até chegar em sua calcinha. A olhei de relance e pude ver ela começar a acelerar sua respiração.  Tirei sua calcinha devagar, deixando-a completamente nua, totalmente a mercê dos meus desejos.  Beijei o interior de suas pernas e fui subindo até finalmente chegar onde eu queria. O gosto dela era viciante, capaz de me inundar das formas mais profundas possíveis.  Ela jogou sua cabeça para trás, segurando meus cabelos e soltando gemidos que mais pareciam cânticos harmônicos. Era como se a voz dela estivesse entrado no centro do meu cérebro e me deixando agir por meus instintos, sem pensar totalmente nos meus próximos movimentos. Era um som tão intenso que eu comecei a ficar tonto e parei de chupa-la.  — O que foi? — ela me olhou confusa.  — Nada. — fiquei por cima dela. — Eu quero muito ter você.  — E o que está esperando? — sorriu maliciosamente.  Desabotoei minhas calças e as tirei junto com a cueca. Me posicionei entre suas pernas e fixei meu olhar nela, que sorria de forma serena. Devagar, eu "entrei" em seu corpo e já na primeira estocada, eu senti o prazer correr por todos os lados.  Enfiei meu rosto em seus cabelos enquanto os segurava, mantendo-a firme contra mim, gemendo ao meu ouvido. E aquele gemido de outro mundo me induziu a ir mais rápido, trabalhando todos os meus músculos sem me permitir cansar.  Ela abraçou minha cintura com suas pernas, me deixando praticamente preso. Outra vez, seu gemido começou a me deixar tonto, mas eu não parei. Ignorei aquela sensação estranha até que ela sumisse sozinha.  Ela me empurrou, parecendo desesperada e sentou sobre mim, começando a mover-se para cima e para baixo, rebolando vez ou outra.  O vento que vinha do oceano jogava os cabelos dela de um lado para o outro, seus fios vermelhos bailavam a medida que ela acelerava seus movimentos. Ela deitou sobre mim e nós nos abraçamos, fazendo nossos suor se misturar e nossos murmúrios de prazer se tornarem um só.  Eu beijava seu rosto, ombros e pescoço, sem deixar de dar total atenção aos nossos movimentos frenéticos.  E foram horas de puro desejo trocado, doses repetidas um do outro, beijos que pareciam não ter fim e a sensação de sermos um só. Naquela noite, eu me senti um homem renovado, incapaz de ser atingido por qualquer sensação r**m. Dulce era a personificação do remédio para a felicidade.  ••• Ouvi meu celular tocar e abri os meus olhos. Dulce estava deitada em meu braço, de costas para mim enquanto eu a abraçava. O sol estava apenas começando a nascer, sendo somente uma pequena linha de luz no horizonte do oceano.  Peguei o celular e após ver o nome de Alfonso, eu atendi.  — Sim? — minha voz era sonolenta e exausta, foi uma noite em que eu praticamente não dormi.  — Christopher, eu não liguei antes porque precisávamos cuidar disso, mas você não vai acreditar! — ele ofegava, parecia não ter dormido.  — O que aconteceu? — comecei a me preocupar.  — O barco com os pesquisadores e mergulhadores naufragou! Mas o pior de tudo é que todos os homens sumiram! Não há nenhum corpo!  — Meu Deus... — senti meu peito pesar.  — É estranho, porque não foi um grande naufrágio, aqueles homens eram mergulhadores profissionais! Tinham boias no barco e eles estavam equipados até os dentes. Não faz nenhum sentido nenhum deles ter se salvado.  — Nada faz sentido quando se trata dessa cratera... — suspirei. — Alfonso, volte pra casa. Eu sei que passou a noite investigando, mas está se arriscando ficando aí.  — Nós já avisamos às autoridades e estamos voltado agora mesmo. Tudo ficará por conta deles agora, assim como o último acidente, onde você foi o único que sobreviveu... — falou em tom de insinuação.  — Eu já disse que não lembro o que aconteceu de verdade.  — E se o que você lembra for mesmo verdade? — ele não estava falando sério, estava?  — Aí nós teremos que internar você ao invés de mim.  — Tem razão... é loucura, eu só preciso dormir o dia inteiro. Passar todo esse tempo acordado está me fazendo criar paranóias.  — Assim que voltar, vá direto pra casa.  — Farei isso. — desliguei o celular e olhei para o chão, pensativo sobre tudo. Poderia ter sido o barco do meu irmão, nós dois poderíamos estar perdidos no mar agora. Era loucura voltar até aquele lugar sem antes saber porque acidentes tão estranhos aconteceram.  — Christopher? — Dulce acordou e sentou. Esfregou seus olhos e deu um sorriso preguiçoso.  — Bom dia, dormiu bem? — a puxei e ela deitou a cabeça em meu ombro.  — Ainda estou com sono, mas aqui está frio e você parou de me abraçar.  — Desculpe por isso. — a apertei em meus braços. — Alfonso me ligou.  — Mesmo? — ela me olhou. — O que ele disse? — perguntou curiosa.  — Aconteceu um acidente. O barco com os mergulhadores naufragou. Não conseguiram achar ninguém.  — Ah... — ela abriu levemente a boca e desviou o olhar. — Seu irmão vai voltar?  — Sim. Eles não acharam nenhum corpo, o que é estranho. Aqueles homens passaram a maior parte da vida deles nadando, além de estarem bem equipados pra ficar no mar. Por que eles sumiriam?  — Deve ter uma boa explicação.  — Eu ouço isso desde o acidente com o barco do meu pai. E sinceramente, nenhuma explicação parece ser boa o suficiente.  — Ainda tem a teoria de que a cratera tenha algum tipo de força gravitacional, por isso não encontraram os corpos.  — E por que as pessoas afundam e os barcos não? — arqueei a sobrancelha.  — Eu... eu não sei...  — A gente não tem que ficar pensando sobre isso. Eu só lamento que mais vidas tenham sido perdidas naquele lugar.  — Ainda bem que você não voltou. — sorriu de lado.  — Ainda bem que você me convenceu a ficar. — acariciei seu rosto.  — Promete que sempre vai estar ao meu lado?  — Claro.  — Jura que nunca vai ficar zangado ou pensar em me deixar pra trás? Independente de qualquer coisa? — Dulce segurou minhas mãos e me olhou com súplica.  — Eu juro. — beijei cada uma das mãos dela. — Tudo o que eu menos quero é que você tenha medo de estar comigo. Confia em mim?  — Só se você confiar em mim.  — Mas é claro que sim! — beijei sua testa.  Nós ficamos ali para ver o nascer do sol e depois retornamos para nossas casas. A levei até a pensão primeiro e convenci ela a ligar para o Albert avisando sobre seus pés machucados, que a impediriam de trabalhar. Por mais que eu não gostasse nada disso, Albert tinha uma queda pela Dulce e aquilo facilitava pra que ele pegasse leve com ela.  Deixei para trabalhar mais tarde. Queria esperar Alfonso em casa e conversar com ele antes que ele pegasse no sono.  Meu irmão estava atordoado, pálido e suas roupas estavam sujas, rasgadas e com um cheiro forte. Abalado, ele relatou que tentou fazer de tudo para encontrar pelo menos um sinal de que pessoas haviam estado ali, mas pareciam ter simplesmente sumido.  Eu consegui convencê-lo a não voltar mais para aquele lugar. Não valia a pena arriscar a própria vida em busca de respostas que provavelmente nunca seriam encontradas.
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