GB Narrando
- Sabia que tinha alguma coisa, mas ainda bem que dessa vez ela se abriu e contou tudo que estava incomodando. Fico feliz pra c*****o da forma que nós tá conseguindo ter uma relação saudável e de respeito. As vezes o p*u quebra normal, ela é ignorante, o cão quando quer. Mas na maioria das vezes ela é uma princesa, Fiona mas é.
- Subimos pro quarto sem falar muito, mas o clima já dizia tudo. Assim que a porta fechou, eu puxei ela pela cintura, colando nossos corpos. O silêncio entre a gente não era vazio, era carregado. De vontade, de saudade, de tudo que a gente não tinha dito ainda.
- Fomos pro banho juntos… e ali, debaixo da água quente, parecia que o mundo lá fora simplesmente não existia. Entre risadas, provocações, carinho… a gente foi se reencontrando. Mão boba, beijo demorado, aqueles olhares que falam mais que qualquer palavra.
- E sem cerimônia, sem preliminares, me enterrei nela. Eu passaria a vida inteira dentro dessa mulher apertada e quente. Ela é a minha perdição. Sou completamente maluco, neurótico, apaixonado e obcecado nessa mina.
- Era leve, era gostoso… era nosso. Não era só desejo, era conexão. Depois, já mais tranquilos, um pouco satisfeitos um do outro, descemos pra sala. Peguei duas cervejas, entreguei uma pra ela e me joguei no sofá ao lado. Ficamos ali… conversando. Sem pressa. Sem máscara.
- E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti vontade de falar de mim.
GB: Meu pai é desembargador… — soltei, encarando a garrafa. — Minha mãe, advogada das brabas. Nome forte, respeito, essas paradas todas. - Dei uma risada sem humor, mas continuei:
- E olha onde eu vim parar. - Balancei a cabeça, meio desacreditado comigo mesmo.
- Filho único… pressão do c*****o pra ser perfeito, pra seguir o caminho deles. Mas nunca foi minha realidade… nunca me encaixei naquele mundo. - Dei um gole longo na cerveja.
- E o pior… é que às vezes é solitário pra c*****o. Porque tu não pertence nem lá… nem totalmente aqui. - Olhei pra ela desabafando.
— É uma parada que ninguém entende.
Ela ficou quietinha, me ouvindo… daquele jeito dela. E aí, quando começou a falar, foi como levar um soco.
- A história dela… pesada. A mãe doente, problema no rim, hemodiálise… rotina puxada, sofrimento diário. E o padrasto? Sumiu. Não aguentou a pressão e meteu o pé. Fechei o punho na hora, sentindo a revolta subir.
GB: Covarde… — murmurei.
- Ela continuou… falando que o mundo caiu nas costas dela. Teve que largar a faculdade, cuidar da mãe, da irmã, segurar tudo sozinha. E quando parecia que não tinha como piorar… A mãe faleceu. Uma semana antes dela vir pra Rocinha. O silêncio que ficou depois disso… falou mais que qualquer coisa.
- Me aproximei mais, encostando nela.
GB: Tu é forte pra c*****o, sabia? — falei, baixo. E era verdade.
- A gente ficou ali… trocando vivência, dor, história. Se conhecendo de verdade. Sem filtro, sem pose. Depois de um tempo, voltei a falar, ela me deixa confortável ao ponto de querer falar sobre tudo.
GB: Eu conheci o Terror muito novo… — disse, pensativo. — Moleque ainda.
— A gente cresceu nisso junto. Virou amizade, parceria… lealdade de anos.
Dei um leve sorriso de canto.
Bianca: Dá pra ver que a amizade de vocês é algo real. - Disse bebendo sua cerveja.
GB: Ele é meu irmão nessa p***a toda. -
Passei a mão no rosto, refletindo. — E mesmo com tudo… com meu pai sendo quem é… do lado da lei… eu nunca fui traíra. -Balancei a cabeça, firme.
— Nunca passou pela minha cabeça entregar ele, ou qualquer um, pro sistema. Nunca coloquei meu caráter em jogo desse jeito. Olhei pra ela, sério.
— Eu fiz minha escolha… e sustento ela até o fim.
O ambiente ficou quieto de novo… mas não era desconfortável. Era aquele tipo de silêncio que se conecta. Duas pessoas quebradas… tentando, de alguma forma, se entender… e talvez, se curar um pouco no processo. Mas de qualquer forma, conseguindo ou não se curar, estamos dispostos a cuidar das feridas um do outro.
- E ali, com ela do meu lado…Pela primeira vez em muito tempo…Eu senti paz.