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675 Palavras
Terror Narrando - O morro virou quartel… não tinha mais espaço pra erro, pra dúvida, pra vacilo. Era guerra. E guerra de verdade. Eu, o GB e o Fael lado a lado, organizando tudo. Cada detalhe, cada passo… tudo tinha que sair perfeito. Terror: Quero vigia dobrado na contenção — falei firme, olhando pro movimento lá embaixo. — Ninguém entra, ninguém sai sem eu saber. - O rádio não parava um segundo. Voz atrás de voz, código, posição, confirmação… o bagulho tava sinistro. GB veio na minha direção, sério. GB: As equipes já estão alinhadas. Só esperando teu sinal. - Assenti devagar. Terror: Hoje ninguém dorme. - Disse, mas na verdade, já temos mais do que dois dias sem dormir nessa loucura. - Fael tava mais afastado, conferindo armamento, munição, dividindo os caras. Fael: Se der r**m lá em cima, a gente já tem rota de recuo — ele falou, batendo no mapa improvisado. - Balancei a cabeça. Terror: Não vai dar r**m. - Quero atividade nessa rota de recuo, se nós sabemos, eles também sabem. Não quero ele fugindo. - Parei um segundo, olhando pro nada… ou melhor, pensando lá na frente. GB: Hoje a gente termina isso. - O clima tava pesado. Não era só tensão… Não era qualquer guerra, é uma guerra pessoal. Todo mundo ali sentia. Passei a mão no rosto, tentando manter a mente fria. Terror: Ferrugem acha que tá no controle… — soltei baixo. Olhei pros dois. Fael: Então deixa ele achar. GB: Porque quem vai bater primeiro… é nós. - Antes de descer pro inferno… eu precisava passar em casa, precisava ficar com minha dona e minhas crianças. Nem que fosse por pouco tempo. Entrei e o silêncio bateu diferente. Lá fora o morro fervendo, rádio cantando, tropa se armando… e aqui dentro, minha paz. Minha família. Maria tava sentada, quietinha… mas eu conheço. Só de olhar já vi que tinha algo errado. Fechei a porta devagar, me aproximando. Terror: Tá tudo bem? — perguntei baixo. Ela levantou o olhar e deu aquele sorriso… fraco demais pra me enganar. Maria: Tá sim… - Disse, mas eu sei que não estava. - Sentei do lado dela e puxei devagar, fazendo ela encostar em mim. Minha mão foi direto pra barriga dela, alisando de leve, automático… como se aquilo me acalmasse também. Terror: Tá sentindo dor, né? — falei, quase num sussurro. - Ela não respondeu na hora… só respirou fundo. Já entendi tudo. Apertei a mandíbula, sentindo aquele incômodo crescer dentro de mim. - Maria… tu acha que me engana? Falei sem peso, mas com verdade. Ela abaixou o olhar, passando a mão na própria barriga. Maria: É só um desconforto… - Balancei a cabeça, negando. Terror: Tu nunca sabe mentir pra mim. - Fiquei ali, fazendo carinho, tentando aliviar… mas por dentro, eu tava longe de estar tranquilo. - Porque eu sabia, não era só dor… era nervoso.E motivo não faltava! - Do outro lado, o GB já tava no corre, indo buscar a Bianca e a Eloah. Melhor deixar todo mundo junto, seguro… dentro do possível. Porque essa p***a podia durar dias ou acabar em uma hora. - Era o tipo de guerra que ninguém entra sabendo se volta. E isso que mais me deixava puto. Voltei a olhar pra Maria, minha mão ainda na barriga dela. Terror: Já já eu tenho que ir… - Falei baixo, quase travado. - Ela não respondeu. Só segurou minha mão com força. Aquilo bateu pesado, passei a mão no rosto, respirando fundo. - Eu odeio te deixar assim. - Minha voz saiu mais carregada do que eu queria. — Odeio mesmo. - Ela encostou a cabeça no meu peito, em silêncio. E aquele silêncio dela gritava mais que qualquer palavra. Abracei ela mais forte, como se pudesse segurar o tempo ali. — Queria ficar… — soltei, sincero. - Mas nós dois sabíamos que não dava. Fiquei alguns segundos quieto, só sentindo ela… decorando aquele momento, como se fosse precisar lembrar depois. Porque lá fora… Era incerteza, era sangue, era guerra.
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