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834 Palavras
Terror Narrando - Depois da merda que aquele covarde fez aqui no pé do morro, eu não quis nem saber. Coloquei tudo em alerta máximo. Aqui dentro agora só pisa quem é cria. Não quero gringo, não quero curioso, não quero ninguém de fora circulando como se nada tivesse acontecido. - GB tá cego de ódio. Irredutível. Quer ir atrás do desgraçado de qualquer jeito, como se isso fosse resolver tudo. Não tá pensando, só reagindo. Eu entendo… de verdade. Se fosse comigo, talvez eu já tivesse feito coisa pior. Mas alguém precisa manter a cabeça no lugar. - E, pra ser sincero, eu também não tô muito diferente dele. Porque a mulher que aquele desgraçado tá obcecado… é a minha. E isso tem acabado comigo. - Eu quase não durmo mais. Fico rodando a noite inteira, pensando em mil formas de acabar com esse filho da p**a. Não é só raiva… é proteção. Eu tenho dois filhos vindo aí. Dois. E, dessa vez, eu não posso errar. Não posso vacilar nem por um segundo. - Tem mais ou menos um mês e meio que a gente foi na consulta. Os bebês tão bem, fortes… vivos. E foi ali que eu decidi falar a verdade pra ela. Contei sobre um dos nossos guerreiros que tava lutando pra sobreviver. - Achei que ela ia explodir. Que ia jogar tudo na minha cara. Mas não.Ela chorou. - Chorou agradecendo a Deus… e a mim. Disse que eu fiz certo em proteger ela daquilo. Naquele momento eu entendi que ela não era só forte… ela era muito maior do que eu imaginava. - Só que, de lá pra cá, ela mudou. Tem dia que ela não desgruda de mim. Fica manhosa, dengosa, grudada… me querendo perto o tempo todo. E tem dia que ela simplesmente não quer nem olhar na minha cara. Me evita, se fecha, some dentro dela mesma. Esses hormônios da gravidez vão me deixar maluco. Eu fico perdido, papo reto hahaha. - Outro dia, no meio da madrugada, ela cismou que queria comer jaca. Isso mesmo, jaca parceiro. E não era qualquer uma, não… tinha que ser do pé e de preferência, grande. Lá fui eu, no escuro, atrás dessa bendita fruta, arrumando jeito de pegar em pé de morador, me virando como dava. - No final das contas, é aquilo… manda quem pode, obedece quem tem juízo. - Bianca e GB sumiram daqui. Nem aparecem mais. Maria se culpa pelo que aconteceu, carrega isso nas costas como se fosse responsabilidade dela. Mas, no fundo, ela é a maior vítima dessa história toda. - Só que tenta enfiar isso na cabeça dela… impossível. - Enquanto isso, eu sigo pensando. Todo dia. Toda hora. Em como eu vou fazer esse cara pagar. E não é só com ele, não. O morro que deu abrigo pra esse vagabundo também vai sentir. - O cara teve a coragem de trair quem tava acolhendo ele… isso não fica barato. Não é só eu querendo a cabeça dele. - Essa obsessão dele pela Maria não é normal. É doentia e perigosa. Por isso eu não baixo a guarda. Deixei tudo pronto aqui dentro do posto. Tudo que ela precisar, ela tem. Não quero ela tendo que sair do morro pra nada. Prometi pra mim mesmo que ia devolver a liberdade dela… e eu vou cumprir. - Não quero a minha mulher vivendo com medo. O dia que eu ouvi ela dizer que queria ir à praia e não podia por causa desse desgraçado… aquilo me quebrou. De verdade! - Só quem já perdeu a liberdade sabe o valor que tem poder sair, andar, respirar sem olhar por cima do ombro. Eu já tô acostumado com esse tipo de vida. Foi escolha minha. Mas ela não e isso vai mudar. - Vai passar. Eu vou garantir que passe. Fael apareceu com outra história agora. Disse que não quer mais ficar no Jorge Turco. Que a mina dele cismou que quer se mudar. Pelo que entendi, a única opção seria vir pra cá. Não entendi direito… mas depois a gente resolve. - Deixei o morro com o Dado. Espero que ele segure a bronca como deve, porque eu não gosto de nada fora do lugar. Aqui tudo funciona na risca. Não vou entregar o que é meu pra n**o fazer bagunça. f**a-se se foi o morro mais fácil que eu já peguei. Não durou nem uma hora de guerra. Agora é meu! - E vai ser respeitado.. Fael disse que chega amanhã… mas até agora não mandou ninguém ver casa pra mulher. Não tô entendendo mais nada. Tá todo mundo surtando. - GB perde a cabeça do nada. Fael larga tudo e resolve voltar com a mina, sem nem saber onde vai enfiar ela. Costela até agora não apareceu pra trocar uma ideia comigo. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que, às vezes, eu paro e penso… Será que não sou eu que tô ficando maluco também? Que doideira irmão.
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