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531 Palavras
Bianca Narrando Acordei diversas vezes durante a madrugada e senti que a Eloah estava com a pele bem quente. Levantei de imediato, dei um remédio para baixar a febre e fiquei ali, observando cada movimento. Meu coração quase saiu pela boca. Quando ela ficava doente, a minha mãe sabia exatamente o que fazer; afinal, ela era a mãe. Agora, comigo, é diferente. O desespero começou a bater à porta e a febre não dava trégua por nada neste mundo. Troquei de roupa rapidamente, vesti um conjunto de frio, prendi o cabelo num r**o de cavalo, separei os documentos dela — identidade, carteira de vacinação e cartão do SUS. Ajeitei-a dormindo mesmo, arrumei a mochila e parti em direção à UPA, aqui mesmo no morro. A respiração dela estava muito rápida e era visível a dificuldade que tinha para respirar. Acomodei-a no meu colo e saí de casa descendo o morro. O vento estava gelado, o que não era bom para o estado dela, mas no momento não tinha escolha. Não demorei nada, fui praticamente correndo com ela nos braços e cheguei na UPA gritando por atendimento. Estava toda trêmula e com um medo surreal; não estava preparada para passar por isso. A sensação de impotência me acertou em cheio. Tentei manter a calma ao máximo, pois sabia que o meu nervosismo só iria atrapalhar ainda mais. Passamos pela classificação de risco e foi constatado que ela realmente estava bem debilitada. Logo a médica nos chamou e expliquei tudo o que estava acontecendo. — A ausculta dela está limpa, não há sinais de pneumonia. Vou receitar três sessões de bombinha com Aerolin e três sessões de inalação com Berotec e Atrovent. — Disse a doutora, examinando a Eloah, que já estava toda molinha no meu colo. — Está bom, doutora. Muito obrigada. — Falei, saindo do consultório em direção à sala de inalação. Passei pela recepção e vi ele ali, mas não estava com cabeça para puxar assunto com ninguém. Fui seguindo direto com a minha irmã, mas ele veio logo atrás de mim. — Qual foi? O que a sua filha tem? — Perguntou, me olhando com atenção. — Está resfriada e muito cansada. Acho que a bronquite dela atacou. E ela não é minha filha, é minha irmã. — Respondi, sem ânimo para prolongar a conversa. — Jurava que era sua filha. Mas fica na paz que logo logo ela estará melhor. Eu também estou passando por essa mesma situação. — Tentou me tranquilizar. — Tomara... Nem sei como usar a bombinha nela, a minha mãe que fazia essas coisas. Mas agora vou ter que aprender sozinha. Vou indo, que ela já vai começar a inalação. — Falei, caminhando para a sala de tratamento. — Eu também vou fazer um pouco de oxigênio, bora junto. — Disse ele, pegando a Eloah do meu colo com cuidado. Agradeci mentalmente, pois meus braços já estavam pedindo socorro de tanto peso. Chegamos na sala, as enfermeiras providenciaram logo os inaladores para os dois. Fiquei observando a Eloah confortável no colo dele, ambos fazendo a nebulização. Percebi que ele realmente não estava nada bem, com os olhos avermelhados e um semblante de cansaço profundo.
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