CAPÍTULO DOIS

1203 Palavras
MANSÃO DOS BITTENCOURT Virgínia era uma dessas madames de meia idade, que se vestiam muito bem e era mimada pelo marido, Gutierre. Ela colocava o dinheiro acima de tudo, e era mestre em controlar todos ao seu redor — tal como fazia com o marido e com seu sobrinho, José Felipe. — Senhora, telefone! — Adamastor levava o telefone sem fio para sua patroa. — Quem é? — Não quis se identificar, senhora. — Ok. E pode sair. Vai, vai! Anda! — Disse ao empregado — Alo? — Oi, senhora Bittencourt. Ligando para avisa-la de que o serviço foi feito, como nos encomendou. — Ah, mas que notícia excelente. A família toda está morta? — Bem, não toda, senhora. Os filhos deles não estavam no momento. — Maldição! Maldição! Vocês dois são uns imprestáveis! Mas bom, com aqueles dois caipiras fora do meu caminho eu consigo comprar as terras. Nesse instante uma das empregadas de Virgínia apareceu na sala, fazendo com que a madame diminuísse o tom de voz para não ser ouvida. — Está bem. Depois mando levarem o dinheiro do pagamento como combinado. Adeus! — Disse aos capangas desligando o telefone — Posso saber o que você quer, Carlota? — Senhora Bittencourt, eu estou me demitindo. Minha mãe passou m*l e preciso viajar as pressas para vê-la. Virgínia revirou os olhos, fazendo pouco caso. — É tão grave assim? Amanha darei um jantar e precisava de você aqui, Carlota. Sua mãe precisa mesmo que você vá com toda essa pressa? — Não há outro jeito, senhora. — Essa gente — Suspioru — Não gosta de trabalhar mesmo. Qualquer probleminha já pedem demissão. Pois bem, vá ao escritório quando puder para acertarmos as contas. — Obrigada, senhora! A partir dali a empregada já nao existia mais para a madame. — Adamastor! — Gritou Virgínia. — Pois não, senhora, — Estamos com um problema! Carlota acaba de se demitir e precisamos de uma nova empregada. Trate de encontrar uma até amanha de manhã. — Mas é pouco tempo, madame! — E eu te pergunteis, estrupicio? Eu disse que quero que arrume uma nova empregada. Ou então eu mesma farei isso, só que vou procurar um mordomo também! Adamastor engoliu em seco e assentiu. — E você, mulher? Tá fazendo o que parada aí feito uma estátua? Vai, vai logo ver sua mãe antes que ela morra!* Se bem que p***e* nao morre* tão cedo... Vocês tem uma resistência admirável. Nem Deus explica! SAIDA DO IML — LOGO APÓS JOSÉ FELIPE QUASE ATROPELAR SAMANTHA. — Eu não vi o senhor passando, desculpe! — Disse a moça sem olhá-lo nos olhos. — Mas deveria ser mais atenta, menina! Poderia ter sido atropelada. José Felipe olhou para as mãos daquela moça, e além das roupas gastas, reparou no papel que segurava com as mãos trêmulas. Parecia ser um atestado de óbito*. — Morreu* alguém? — Sim, senhor. Meus pais morreram* ontem. Desculpe, preciso ir! Ela não o olhou um segundo sequer nos olhos, como se fosse um cão abandonado e arredio. Isso o deixou intrigado. — Se cuida, moça! — Gritou ele de longe, porém Samntha não deu ouvidos e seguiu depressa o seu caminho. SÍTIO DA FAMILIA DE SAMANTHA — Menina, o conselho tutelar ligou aqui hoje cedo. — Mas como sabem que os meus pais morreram, dona Lourdes? — Samantha pegava o irmão no colo, que dormia. — Vixe, menina, essas notícias andam. Não se fala de outra coisa na cidade. Eu tô é preocupada com o que farão caso descubram que vocês dois estão aqui sozinhos sendo menores de idade. — Sim, dona Lourdes. Eles podem me separar do Benjamin. Não suportaria mais essa perda. Dona Lourdes aproximou-se da órfã. — Falta pouco tempo para você completar dezoito anos. Seja esperta. Arrume um emprego logo e saia daqui com o seu irmão. Seis meses passam rápido. Junte dinheiro e depois fuja da cidade. Porque quem matou* os seus pais pode estar atrás de você e de Benjamin também. — Tem razão. Ai, Deus, que desgraça!* Eu não tive tempo nem de chorar, dona Lourdes. Amanha será o velório dos meus pais. Quero dizer, uma cerimónia antes de enterrá-los. Será que a senhora não olharia o Ben de novo? Não quero leva-lo ao enterro. Eu nem disse a ele o que aconteceu de verdade. E depois devo procurar algum emprego. — Faço com todo gosto, Samantha. Não se preocupe. Amanhã antes de sair bata na porta que eu fico com o menino pra você! CENTRO DA CIDADE — DIA SEGUINTE Adamastor não fazia ideia de como faria para encontrar uma nova empregada. Todos os anúncios de jornal que leu já não estavam mais disponíveis. E as que encontrou, não estavam livre no prazo de vinte e quatro horas. Seria o fim do seu emprego. Mas uma luz surgiu quando passou em frente a uma padaria e uma menina mantinha uma conversa com a balconista. — Eu não tenho tanta experiência , moça, mas aprendo rápido! Eu preciso de um emprego logo! — Eu entendo, minha jovem. Mas o anúncio foi claro: precisamos de uma pessoa que já tenha trabalhado como caixa antes. Sinto muito em não poder ajudá-la! Adamastor quase sorriu ao ver o que os céus haviam feito por ele. Toda sua angústia* se dissipou rapidamente. Ele ficou parado na saída da padaria esperando Samantha sair para finalmente poder abordá-la. — Ei, moça, espere! Samanta estava desanimada, quase chorando. — Falou comigo? — Sim, falei. Eu vi você pedindo vaga de emprego na padaria. Não conseguiu, não é? — Não senhor. Não tenho experiência. — Eu sinto muito. Mas e se eu disser que tenho uma vaga de emprego para você? Samantha o olhou desconfiada. Ela era da roça, mas não era tonta. Um homem mais velho a abordando daquele jeito soava esquisito. — Não se preocupe, tenho referências. Adamastor sacou a credencial que tinha todos os seus registos para poder acessar o condomínio da família Bittencourt. — Emprego de quê? — Perguntou ela ainda com certa desconfiança; — De empregada, menina! Para começar ainda hoje. O mais urgente. E olha — Ele abriu a carteira — Estamos dando duzentos de adiantamento! Samantha olhou odinheiro todo. Ela e Benjamin estavam sem nada para comer, pois as contas dos pais foram todas bloqueadas após o assassinato*. Era um sinal dos céus? Um sinal de misericórdia? — É muito dinheiro, senhor! — Eu sei que é, menina. Se aceitar posso ver de dar um abono no seu primeiro salário. Só preciso que aceite e vá até à mansão o mais depressa. Nesse endereço. E ah, precisará morar lá. — Somente eu?? — Samnatha pensava no irmão. — Oras, sim, apenas você. Quem mais? — Riu o mordomo. Era uma oportunidade e tanto. Samantha não poderia disperdiçar. Ela daria um jeito de levar o irmão consigo. — Tá bem, senhor. Eu aceito. — Disse pegando o cartão com o endereço — Em duas horas mais ou menos apareço com as minhas coisas. — Oh, céus! Não sabe o quão sou grato, menina. Não esqueça de levar os seus documentos. Senão, não entra no condomínio, ouviu? — Certo, senhor. Obrigada.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR