Capítulo 1

1100 Palavras
Queridas leitoras, Ser escritora é viver cercada de ideias. Mundos inteiros nascem na nossa mente, crescem em silêncio e nos permitem sonhar, sentir, e, às vezes, escapar um pouco do peso do dia a dia. Espero que embarquem comigo nesse novo romance. Que cada capítulo seja uma porta aberta para emoções, suspiros e desejos. Não se esqueçam de adicionar o livro à biblioteca. Esse gesto simples me ajuda imensamente a crescer como escritora. ✨ Prólogo Aisha Talvez ela nunca devesse ter permitido que aquele sentimento criasse raízes dentro de si. O certo seria destruí-lo. Destruir cada partícula daquele homem, até não restar nada. Mas Artem Dragunov passou despercebido em sua arrogância. Aisha ignorou os sinais, não viu a bandeira vermelha tremulando diante de seus olhos. Não percebeu que ele era pecado. Perdição. Algo que jamais deveria desejar. Agora reconhecia a verdade: o inferno para onde ele a arrastava era um tormento deliciosamente c***l. Um abismo do qual ela não queria sair. E, por fim, Aisha entendeu o que mais a assustava. Estava doente. Havia nela uma obsessão estranha, profunda e perigosa pelo homem que jurara destruir. Capítulo 1 O som da terra batendo no caixão se misturava a risadinhas abafadas. Aisha puxou o véu preto, escondendo o rosto. O dia estava cinzento, chuvoso, sem qualquer sinal de sol. Ainda assim, seus olhos ardiam. Não era o tempo que incomodava. Eram as pessoas. Ela apertou o cabo do guarda-chuva quando chegou sua vez de jogar terra sobre o caixão de Cassandra. Tão linda. Tão cheia de vida. Tão diferente dela, que apenas sobrevivia. Nunca viveu. Aisha pegou um punhado de terra e o lançou sobre a madeira. No gesto, percebeu o pai olhando para o lado oposto. Seguiu o movimento com os olhos e não se surpreendeu ao ver quem estava ali: a amante de Arben Krastani. Sua mãe havia morrido há menos de um ano. Mesmo assim, ele já exibia outra mulher ao lado. Todos sabiam que o caso existia muito antes da tragédia. A amante tinha uma filha. E aquela garota acreditava ter direito ao sobrenome Krastani. Como se fosse uma delas. Não que Aisha tivesse orgulho daquela família. A corrupção que os cercava era conhecida. E, mesmo sem querer estar ali, o sangue a prendia como uma corrente invisível. A terra caiu. Depois vieram os sussurros. — É ela? — cochichou uma mulher. — Sim. Nunca vi alguém tão pálida. Parece transparente. — Fale baixo, ela pode ouvir. — Ah, mas todos falam. Olhe só. Diga que não é uma criatura estranha. Aisha tentou ignorar, mas estava cansada. Fugir dos olhares nunca adiantava. Pessoas diferentes sempre seriam julgadas. Era uma aberração. Como o pai costumava dizer. Albina. Uma condição genética. Inegociável. Ela se afastou. Não aguentava mais. Caminhava em direção à saída quando ouviu a voz da filha da amante. — Aisha, papai está te chamando. Ela revirou os olhos. Papai. Já se apropriava daquele título. — Não preciso que você venha me dizer isso. Se ele quer falar comigo, pode vir até aqui. — Pelo visto sua língua continua afiada. Mas agora você não tem mais sua irmã para te proteger. A garota se aproximou. Hana tinha cabelos escuros, olhos escuros. Aisha sentiu inveja disso. — Você se engana — respondeu, firme. — Nunca precisei que Cassandra me defendesse. Eu mesma sei fazer isso. E posso começar por você. Posso te fazer sumir do mapa, e ninguém jamais vai te encontrar. Mesmo que procurem. — Está me ameaçando, sua aberração? — Interprete como quiser. Só não esqueça que, aberração ou não, eu sou a única herdeira do meu pai. Hana sorriu. Num gesto rápido, puxou o véu de Aisha, revelando os cabelos prateados e os olhos esverdeados que, sob a luz, pareciam violeta. — Seu pai te detesta. E você é patética com essa aparência. Quem deveria ter morrido era você, não Cassandra. — Pelo que vejo, a burrice também corre na família. Eu sou albina. É uma condição genética causada pela deficiência de melanina. Afeta pele, cabelo e olhos. Isso não me torna fraca. — Tanto faz. Hana saiu pisando forte. Aisha recolocou o véu. A chuva caía fina, insistente. A empregada de confiança se aproximou. — Senhorita, por que não conta ao senhor o que essa garota faz? Ela não é ninguém. — Não se preocupe, Vherla. Ela não significa nada. Aisha entrou no carro preto. Vherla sentou-se ao seu lado. O caminho até a mansão Krastani foi silencioso. Ela ainda não conseguia aceitar a morte de Cassandra. A irmã havia largado tudo pela carreira de modelo. Dois anos depois, era uma supermodelo. Aisha guardava cada revista, cada capa. Cassandra era sua inspiração. Tudo o que ela não era. Beleza angelical. Cachos dourados. Olhos castanhos claros. Um anjo que caiu neste mundo, e que o mundo tomou de volta. A última notícia que tivera era que Cassandra estava apaixonada por um homem chamado Artem. Nunca o conheceu. A irmã dizia que ele era perigoso. Mas, depois de crescer naquela família, o que poderia ser pior? — Senhorita, chegamos. Aisha desceu do carro. m*l deu dois passos quando o pai a alcançou, segurando seu braço com força. — Eu disse que precisava falar com você. Hana contou que você a tratou m*l. Qual é o seu problema? — O meu problema são vocês. O tapa veio rápido. Não era novidade. Já fazia parte da rotina. — Você nunca aprende, Aisha. Ela o encarou, o ódio queimando nas íris claras. As mulheres atrás riam baixo. Aisha manteve a cabeça erguida. — Quem nunca soube ensinar foi você, pai. Se quisesse respeito, deveria ter me ensinado a respeitar. — Sua c****a… sua aberração. Está passando dos limites. Entre. Depois eu termino com você. Aisha se afastou depressa. Vherla a acompanhou até o quarto. Ela se jogou na cama, exausta. Talvez todos estivessem certos. Por que Deus não a levara também? Por que Cassandra? Vherla entrou com gelo, tocando de leve o rosto marcado. — Senhorita, precisa controlar seu gênio. Veja o que ele fez com você. — Se eu me curvar ao que aquele homem quer, viro um capacho. — Mas pense na senhorita. Todos aqui se preocupam com você desde criança. Ela sabia. Dentro daquela casa, ainda existia algum carinho. Do lado de fora, só risos e repulsa. Os homens a desejavam como fetiche. As mulheres a desprezavam como aberração. — Senhorita… temos novidades. O detetive que contratou disse que tem respostas. Aisha se sentou na cama. — Ótimo, Vherla. Que isso morra aqui. Preciso descobrir o que realmente aconteceu com Cassandra. Só assim vou ter paz.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR