Mesmo depois de tanto tempo, o nojo no olhar do pai não havia mudado. Arben ainda a encarava com o mesmo desprezo antigo, como se os anos não tivessem passado, como se tudo o que Aisha viveu longe dali não tivesse importância alguma. Era o mesmo olhar duro, frio, que sempre a fez sentir que jamais seria suficiente. — O que fazem aqui? Quem deixou vocês entrarem? A voz dela cortou a sala. Autoritária. Cheia de acusação. Arben abriu a boca para responder, mas não teve tempo. Artem estava ali, encostado perto da porta, observando tudo em silêncio. O rosto impassível. Ele falou antes dele, com uma calma que beirava a indiferença. — Fui eu. A palavra ecoou dentro do peito de Aisha como um golpe. Foi como se alguém a tivesse apunhalado por dentro, sem aviso. Depois de tudo… depois de tudo o

