Capítulo 37

1182 Palavras

Aisha permaneceu naquele banheiro por quase uma hora. Do lado de fora, os murros contra a porta ecoavam junto aos gritos para que ela abrisse, mas, por algum motivo, seu corpo simplesmente não reagia. Era como se estivesse presa dentro de si mesma, paralisada, incapaz até de dar um passo. Talvez aquilo fosse um castigo. Em algum ponto, acreditou que Deus estivesse cobrando algo dela, talvez o simples fato de ter nascido. Aproximou-se do espelho com movimentos lentos e se encarou. Os olhos inchados, vermelhos de tanto chorar, m*l pareciam seus. O reflexo mostrava uma mulher exausta de sobreviver. O estrondo veio de repente. A porta foi aberta com violência. Pedro surgiu segurando uma pistola, o rosto tomado por tensão e urgência. Curiosamente, aquilo não a chocou. — Aisha, você está bem

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