Capítulo 2

1100 Palavras
Capítulo 2 Aurora Narrando Eu não pude acreditar quando o meu pai se sentou no nosso sofá e jogou alguns papeis sobre a mesa de centro. — Aurora, — ele disse me chamando como se fosse me dar uma sentença e em seus olhos eu podia ver certo desgosto, — você irá se casar. Em 3 dias, assinará esses papeis e ao fim dessa semana, seu marido estará aqui para leva-la para sua nova casa. Eu cheguei a me iludir e pensar que aquilo não passava de uma brincadeira boba, mas o rosto impassivo do meu pai, deixava claro que esse não era o caso. Mamãe, atônita — não parecia saber nada sobre aquilo, — e Jasper, meu irmão gêmeo e confidente, parecia confuso e abismado com a possibilidade de papai estar me vendendo, me dando a um qualquer como uma moeda de troca. — Não, eu não vou. — Eu disse me erguendo do sofá de couro. — Por que eu me casaria com um completo estranho? Por que eu-... Ele bateu com a mão sobre a mesinha de centro de mogno e cristal. — Chega! Você não tem uma escolha, eu não estou perguntando se você quer isso ou não, estou dizendo que vai se casar . Ele disse e eu senti o sangue subir a minha cabeça. Como o meu pai podia estar fazendo uma merda dessas comigo ? — Pai, você não pode forçar ela a-... — Jasper tentou intervir, mas era óbvio que ele não dava a mínima . Os olhos do meu pai estavam carregados de irritação . — Quando essa família começou a questionar as minhas ordens? — Ele vociferou e eu bufei . — Quando essa família se tornou uma escola militar? Eu não me lembro de ter me escrito em algo assim, — rosnei e os olhos daquele homem que eu pensei que me protegeria e sempre respeitaria a minha opinião, me encarou com ódio . — Aurora, pare de ser mimada! O mundo não gira em torno de você e esse acordo vai além de futilidades ! — EU NÃO VOU ME CASAR COM ALGUÉM QUE NÃO AMO! — Gritei, mas o tapa que foi desferido em meu rosto, me fez arquejar e me encolher, dando dois passos para trás . — Quem liga para amar? — Papai falou e eu não pude acreditar no que ele dizia e em como agia . Era irreal . Ele não podia ter me batido . Não . Papai nunca me batia . — Você vai se casar e vai sorrir. Vai cumprir o acordo e será uma boa... esposa... — ele completou parecendo ter dificuldades para falar, — não dificulte isso para nós, Aurora . Eu endireitei a minha postura, lágrimas em meus olhos . — Eu não me importo com quem você fez esse maldito acordo. CANCELE. Porque eu não vou me casar . Minha voz estava trêmula e falha enquanto eu falava . Papai suspirou e deslizou uma das mãos pelos próprios cabelos . — Como você pode ser tão teimosa ? Acha que a nossa família pode ir contra a palavra que eu dei? Acha que sobreviveríamos a um acordo como esse sendo quebrado? — Seus olhos me fuzilaram, — isso é algo que você precisa fazer, Aurora. É algo que você vai fazer . — Ou o quê? — Eu o desafiei e naquele momento, vi um lado do meu pai, que nunca pensei que veria . Ele se aproximou e segurou em meu queixo com certa força . — Ou você não é uma de nós, e nós fazemos tudo pela família, — ele disse e agora, ele já não falava como George, o meu pai gentil e doce que me carregava nos braços e via filmes da Barbie comigo. Não. Ele agora era George o líder da máfia americana e o responsável pelos territórios latinos. — Você sabe o que acontece quando alguém trai a família, não sabe, Aurora ? Eu me encolhi, as lembranças de quando eu era uma criança, invadiram minha mente . Os gritos que vinham da sala do papai, os pedidos de perdão. Ele tentava deixar Jasper e eu, longe de sua sala, mas era impossível não notar que as pessoas que era “ruins” com a família, acabavam muito m*l . Eu tinha apenas 12 anos quando entendi o que meu pai fazia. Entendi que ele era uma daquelas pessoas, escondidas atrás de traficantes menores e falsos líderes de gangues. Papai era o homem por trás de tudo e usava seus negócios legais e o seu cargo de CEO em uma empresa metalúrgica multimilionária, para esconder o seu verdadeiro legado . O legado do crime que se expandia por gerações em nossa família . — George... — mamãe tentou chama-lo, mas com apenas um olhar dele, ela se calou e nem mesmo Jasper se moveu para me defender . Eu estava sozinha naquilo, estava sozinha e seria forçada a me casar com um homem de quem não sabia nem mesmo o nome . — Ao menos me diga que ele não é um velho... — eu me ouvi murmurar e papai suspirou . — Não, Aurora. Ele não é um velho, é um CEO renomado e muito poderoso . Aquelas palavras de alguma forma não me acalmaram em nada, e tudo que pude pensar, foi em quanto tempo ele me deixaria naquele casamento, ou se papai sempre havia planejado isso para mim . Todos os meus planos como futura chefe da família, meus desejos e sonhos, foram largados e jogados para fora como se não fossem nada, como se não passassem de coisas irrelevantes e desajeitadas . Minha vontade não era algo que fosse ser levada em consideração pelo meu pai, então por que eu deveria esperar que meu marido (um homem capaz de casar-se com uma garota de 20 anos, que nem mesmo conhecia), fosse se importar com isso ? Sem esperanças, eu apenas suspirei e subi as escadas em direção ao meu quarto e quando fechei a porta atrás de mim, desabei no chão, pensando em qual havia sido o meu erro . Papai sempre tinha me amado e protegido, então... o que eu tinha feito para deixar ele bravo ao ponto de fazer algo assim ? Onde eu tinha errado ? Ou na pior das hipóteses, eu apenas havia me permitido ser enganada? Todas as conversas, os treinamentos, tudo havia sido em vão? Talvez aquela fosse apenas a sua forma de me dizer que Jasper seria o herdeiro da família e que eu não deveria ter esperanças.
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