Revelações

1885 Palavras
 — Você está bem? — A voz de Johan cortou seus pensamentos.    Max olhou por cima do ombro.  — Não. — Você bateu muito bem nele. — Ele fez ela chorar pra c*****o. Você não a viu, Johan. Ela estava de joelhos, como se estivesse a ponto de quebrar completamente.  — Existe alguma não escrita em que só você é o único cara autorizado para fazer ela chorar? Johan se jogou no sofá.  — O que você quer dizer com isso? — Ele balançou seu copo com gelo, enquanto se virava para encarar Johan, seu melhor amigo, que simplesmente se convidou para o seu apartamento.   — Você costumava fazer ela chorar o tempo todo, p***a. Porque você tem um passe livre, mas nenhum outro cara tem? — De que p***a voê está falando?  Johan levantou uma sobrancelha para ele, curioso.  — Cara, você passou quase todos os dias, do sexto ao décimo segundo ano, fazendo ela chorar.  — Não, não fiz. Cristo. Ela é como minha irmã. Eu não faria ela chorar.    — O tempo todo, cara. O tempo todo.    — Cita uma vez.    — No terceiro ano quando ela conseguiu sua carteira de motorista e a v***a da Mona perguntou se vocês iam estacionar o carro e você respondeu se também era esperado que você entrasse no banco de trás com o seu cachorro, já que os dois eram seus melhores amigos?    — Ela riu. Ela não chorou.    — Não? Ela não chorou. Então, quando ela apareceu na aula de química com os olhos vermelhos e inchados, não tinha nada a ver com você.     Max franziu a testa.  — Eu não estava na aula de química dela. Eu estava na aula de biologia.    — Eu estava. Eu estava na maioria das aulas dela. Toda vez que você a ridicularizava na hora do almoço, ela vinha para a primeira aula da tarde com os olhos inchados e super quieta.    — Eu nunca a ridicularizei! — Você é o meu melhor amigo, Max. Passamos por tudo junto. Vi você fazer muitas coisas, mas sabe a única coisa pela qual você e eu já brigamos? Somos amigos desde os dez anos de idade. Só há uma coisa que já brigamos.    — Nunca brigamos. Inferno, nem discutimos.    — É verdade, porque ela saiu antes mesmo do baile terminar e não havia motivo para brigar por ela desde então.    — Espera, você está dizendo que brigamos por causa da Lark?    — Lembra do jogo de volta para casa? Ano sênior. Ambos tínhamos encontros. Você deveria levar as garotas para a festa do jogo de futebol. Ollie se mandou com a garota gótica da outra escola. Você saiu com uma das líderes de torcida. Eu acabei tendo que colocar a Lark no carro comigo e meu encontro e meu encontro ficou fodidamente chateada. Surtei com você porque você estava transando e eu não estava porque minha garota me largou assim que chegamos na festa porque ela era um peso morto.    Max afastou a cabeça.  — Não. Ollie levou ela e um cara com quem ela flertava no jogo.    — Não. Você deveria levá-los. Na verdade, você disse para o seu pai e o pai dela que você levaria quando estávamos todos no estacionamento e então você se mandou e a deixou lá. Ambos vocês fizeram. Sozinhos.    — Mas o cara!    — Não tinha um cara!    Max pensou sobre isso.  — Foi uma vez.    — E quanto à feira de ciências quando você deveria fazer parceria com ela, mas você decidiu que queria trabalhar com a morena do time de debates? Ou seja, t*****r com ela nas mesas do laboratório de ciências. Nós vimos, a Lark e eu, quando fomos forçados a trabalhar juntos no projeto porque você pegou minha parceira. Fomos até o laboratório buscar nossos materiais e você estava fodendo a garota nas mesas de aço inoxidável.    — Você está mentindo. — Ele lutava para não sorrir para seu amigo e então o deixava cair enquanto Johan levantava uma sobrancelha interrogativamente em sua direção.    — O comentário da Lark foi que ela realmente esperava que vocês limpassem as mesas depois. Só para constar, ela odiava aulas de ciências. Ela fez as obrigatórias, mas sempre soube que ia estudar direito corporativo. Você sabe quanto trabalho duas pessoas que odiavam aulas de ciências precisavam fazer para tirar uma nota de aprovação em nosso projeto? Você me deixou com a Lark. — Johan esticou os braços ao longo do sofá. — Eu posso continuar e continuar e continuar sobre o número de vezes que você ou Ollie deixaram a Lark ou a fizeram chorar.    — Isso é besteira. Você também era amigo dela.    — Sim, eu era. Eu não sou aquele que abandonou ela na sala de estudos e a deixou chorando atrás das prateleiras da biblioteca enquanto você transava com a colega de estudos dela.    — Agora, espera. Por que ela estaria chorando se eu dormi com a colega dela?    — Sério, você deveria saber que ela estava afim de você, cara.    Ele deu um passo atrás com a acusação.  — Ela não estava.    — Você é um i****a. — Johan riu alto. — Maximilian Villeneuve finalmente encontrou uma mulher que ele não consegue decifrar e é sua suposta melhor amiga desde a infância.    — Ela não estava afim.    — Não? Você tem certeza? Por que você acha que todo mundo na escola pensava que vocês eram um casal que sempre voltava e terminava. Ninguém tinha respeito por ela porque achavam que ela era seu tapete. Você a fodia e quem você quisesse. — Eu nunca a toquei uma vez sequer.  — Aposto que você a tocou várias vezes nos sonhos dela. Ele se recusou a responder, e Johan resmungou. — Tudo que eu sei é que havia um grupo de caras na escola que teriam feito qualquer coisa por uma chance com ela, mas ela rejeitou todos. Todos nós sabíamos que ela estava esperando você notá-la. O único cara que a convenceu foi o cara do baile e isso só aconteceu depois que você deixou claro para a cafeteria inteira durante uma das suas famosas performances em cima da mesa que você iria sozinho para o baile porque não estava se comprometendo com uma garota por uma noite inteira. Ele esfregou o rosto pensativo e balançou a cabeça. — Você a queria? — Todos os caras queriam. Ela é linda. Você já a viu? — Sim, eu já vi. Droga, Johan, eu nunca deixei de vê-la. — Ele estava chocado. Todo esse tempo, todos acreditavam que ela estava interessada nele. — Por que você não disse nada? — Nós dissemos! Todos nós dissemos, caramba. Quem era o cara que trabalhava na biblioteca? — Johan estalou os dedos enquanto tentava lembrar. — Um cara esquisito com um nariz enorme e óculos com aro preto. Ele disse na sua cara no último ano. Se uma garota olhasse para ele do jeito que Lark Hoffman olhava para você, ele a pediria em casamento. Rimos dele porque ele era um nerd total que nunca teria uma chance. Todo mundo ao nosso redor perguntava constantemente se vocês eram um casal e era porque - — Por minha causa. — Max o corrigiu. — Todos sabiam como eu me sentia, e eu facilitei para a Lark. Jesus. Ela me via como um irmão. Ela ficava humilhada toda vez que alguém falava alguma coisa, então eu tirei o foco dela. — Espera. — Johan ergueu as mãos incrédulo. — Como você se sentia? — Bem, é claro. Meu pai costumava me provocar o tempo todo por gostar da Lark. Pelo menos até o ensino médio. Johan agora estava seriamente envolvido na conversa, se inclinando para a frente com os cotovelos nos joelhos, estudando Max como se ele tivesse desenvolvido uma cabeça extra.  — Você não está na minha frente agora, me dizendo que transou com vinte garotas do décimo ao décimo segundo ano porque estava apaixonado pela Lark Hoffman. Ninguém transa com outra pessoa quando ama outra. Ele lutava para respirar enquanto tomava assento na cadeira em frente a Johan. Ele juntou as mãos na testa com os olhos fechados.  — Ela não fez isso. Ela não poderia ter feito. — Ah, sim, ela fez. Ela estava apaixonada por você. Quando você a levou para o baile, todos pensaram finalmente, e então você a abandonou. — O que você quer dizer com 'eu a abandonei no baile'? — Ele se inclinou na ponta da cadeira, sentindo um m*l-estar no estômago. — Você a deixou plantada no baile. — Eu não. Eu fiz isso? Ela ficou tão arrasada quando o i****a disse que tudo era uma brincadeira para levá-la. Eu pensei que ela realmente gostava dele. — Ele saiu imediatamente quando ela chorou sobre como Dylan não a havia gostado de verdade. Ele pensou que ela estava chateada porque realmente gostava do cara. Ele imediatamente afogou suas mágoas em uma das meninas do time de líderes de torcida. Merda. — Max, o que você está pensando? — Eu não sabia. — Como você não poderia saber? — Ela era minha melhor amiga! Eu pensei que ela me considerava um irmão. — Ele estava se sentindo m*l. — Você transava com qualquer pessoa com pulso! — Johan retrucou. — Como diabos você está sentado aí dizendo que teve uma queda por ela também quando transava com todo mundo? — Eu achava que ela não estava interessada, então fui com quem estivesse interessada. Só estar perto dela na escola me torturava. Ela ficava observando todos os caras fazendo esportes e essas coisas e isso me deixava louco. Eu me forcei a me afastar dela antes de fazer papel de i****a. — Ele olhou para cima. — Você está brincando comigo, certo? Isso é tudo uma piada? Ela nunca gostou de mim, certo? — Pelo amor de Deus, por que eu brincaria com você? Você está sentado aqui me dizendo que estava apaixonado por ela? Sentia algo por ela? — Foi, é, provavelmente sempre será. — Ele esfregou o peito. — Bem, droga. Eu mandei uma mensagem para ela perguntando se ela quer sair quando ela estiver melhor depois de descobrir que o namorado estava transando com a secretária. Ela ainda não me respondeu, mas se você quer que eu dê um tempo. — Johan deixou suas palavras caírem. — Ela me odeia. — Ele sussurrou. — Ela me disse ontem à noite na boate que me odeia. Ela disse que eu era um amigo de merda, e ela me odeia. — Max, você está bem? — Não. — Ele apertou o peito. — Eu não consigo respirar. — Ele estava ofegante. Ele começou a se levantar da cadeira, mas então caiu de volta. — Ela me odeia. Eu sempre senti uma paixão por ela e ela me odeia. — Ela não te odeia. — Johan puxou os lábios como se estivesse tentando convencer os dois. — Ela disse isso claramente. — Seu peito doía. A dor inundava seus pulmões. Era assim que morrer se sentia? Ele ofegava por ar. — Merda, Max. Você está bem? — Johan estava de joelhos na frente dele. — Não consigo respirar. Acho que estou tendo um ataque cardíaco. — Ele a perdeu por causa de sua própria estupidez e agora estava prestes a morrer.
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