As loucas da Tia Gertrudes e da Tia May estavam na chamada de vídeo do Skype.
Corri para atende-las e a Tia Lídia nos acompanhou.
-E aí amigas falsas!- ela gritou.
-Gente não grita- pus a mão em minha nuca, que ainda estava latejando.
-Oxi, ta com dor? o que foi? Precisa de remédio? - May sempre preocupada.
Tia Gertrudes deu um t**a na cabeça dela.
-Deixa de inocência, não tá vendo que ela com certeza tomou todas? e quem vai precisar de um remédio vai ser você e o Jonh que continua dizendo que brigadeiro é melhor q Nutella- ela revirou os olhos, claramente irritada. Lembrete: nunca dizer à minha tia que eu odeio Nutella. É igual dizer que quero parar de respirar.
-Ai você vai precisar de um caixão pra ele, que a Lola vai te ajudar a m***r- May rebateu.
Sobre essa chuva de tios e primos: meus pais foram adolescentes diferenciados dos demais e mantiveram seus amigos de escola para a vida toda. Infelizmente eram um g***o grande.
-Sempre a louca por Nutella ne tia- eu ri.
-É...eu vou no banheiro- Rebeca disse,meio sem jeito.
-Segundo corredor à esquerda- apontei sem olhar à ela.
-Quem foi que falou isso?- Tia Gertrudes sempre intrometida.
-Foi so minha amiga- dei de ombros.
-Bonito ne, vocês aí de folga e eu tendo que cuidar dessas crianças- Lídia revirou os olhos, entediada.
-Também te amamos, Lidi- Mari piscou, rindo.
Admiro essa amizade delas. Pena que minhas amigas nao sao assim.São piores por serem do mesmo sangue.
-Daqui a pouco minha casa vai virar uma creche- Lidi reclamou pra tela do computador.
-Ninguém mandou querer ser nossa amiga desde a escola. Agora vai conhecer o trabalho que dá ter filhos- Tia Gertrudes riu.
Abri um sorriso divertido.
-Denovo Trudes, que eu saiba você nao tem filhos- dava pra ver que Tia Lidia ja cansou de repetir isso.
-Sabe de nada inocente- uma voz murmurou perto de mim, tao baixa que nem reconheci.
Achei esquisito. Será se era algum dos idiotas tentando zombar de mim denovo? So pode.
-Deixa eu falar ok. Eu to dando uma lição de moral, nao me interrompa- Trudes suspirou, perdida em pensamentos.
-Foi m*l, Miss Revolta- Ray deu um sorriso sarcástico.
Tia Trudes lançou à ela um olhar mortal.
-Se disser esse apelido denovo será obrigada à dormir de olhos abertos- ameaçou. Acabei aprendendo essa ameaça com ela.
-Ui, medo - Ray parecia despreocupada.
-Enfim, como ta as coisas aí, gente? E meus pais?- perguntei, curiosa? Sempre!
-Seus pais tao bem e aqui ta tudo tranquilo , vamos ja sair pra umas comprinhas, so esperando a Júlia terminar de se arrumar- May respondeu.
Depois que Daniel nasceu, Tia Júlia reclama de sua aparência e passa horas lendo revistas de moda e se arrumando. Virou ate mesmo a melhor amiga da Tia Isabelle.
-E os garotos, como andam?- dei um sorriso s****o.
-Com as pernas- Gertrudes riu.
-Retardada - Lídia xingou a amiga.
-Te amo - Trudes sorriu e fez coração com as mãos.
May e eu rimos com aquelas duas.
Conversamos mais um pouco e as duas desligaram.
Subi para meu quarto e encontrei a Rebeca, a Sophia e a Rowan sentadas no chão, rindo. Rowan era a filha adotiva da tia Lola, irmã do Aaron.
-Tarde das menina e nem me chamaram? Que falsas- dei língua à elas, que gargalharam.
-Dá lingua e depois diz que nao é criança- Sophia revirou os olhos.
Ignorei minha prima e sentei-me ao lado de Rebeca.
-Oque estavam conversando?- perguntei, puxei a curiosidade do meu pai.
Rowan deu de ombros.
-Nada demais, apenas sobre os idiotas dos meninos- ela sorriu.
E nem me chamaram.
- Eu tava contando sobre como o Aaron é irritante- Rowan continuou.
-Nem me fale, mas pior é o Guillerme- Sophia se pronuncia. Uma coisa que nós três tínhamos em comum: a guerra contra nossos irmãos.
-Nao esqueça o Miguel- suspiro, irritada.
Nao há ninguém no mundo mais i****a, otario e burro que meu irmão.
- Eu conheço o Aaron, era melhor amiga dele na época que estudamos juntos- Rê fala.
Meus olhos castanhos encontraram os azuis de Rebeca.
-Sério? Você nao morreu de tédio perto dele?- Rowan perguntou.
Ri fraco.
-Nao, ele é legal, so um pouco i****a- Rê da de ombros, como se nao fosse nada.
-Ok, isso porque você não atura ele 24hrs por dia, toda semana, mês e ano- Rowan comenta.
-Isso aí- Sophy concorda, rindo.
Rê revirou os olhos.
-To com uma fome....- Rô olha pra parede do canto onde a Sophy dorme.
- Vou buscar comida pra gente, ja volto pra engordar vocês- disse e sai do quarto.
Rowan come tanto que nem sei que acsdemia ela fez pra estar sempre magra. Apesar de ter um corpo invejável.
Desci para a cozinha e ao chegar la, vi uma cena que acabou completamente com o meu coração.
-Estou interrompendo algo?- Cruzei os braços, paciente mesmo depois de cinco segundos paralisada olhando aquela cena.
Aaron e Clarice, a chatice em pessoa, se beijando.
Os dois se separaram e me olharam, claramente assustados. Eu sou tão f**a assim?
- Gabi? O que ta fazendo aqui?- Aaron pergunta, sem jeito.
-Vim pegar comida pra mim e as meninas. Mas pelo visto atrapalhei a diversão de vocês- falei, tentando ser forte.
-Nao atrapalhou nada- Aaron se pronunciou.
-Atrapalhou sim. E podia fazer o favor de sair daqui e nos deixar continuar de onde paramos- a prima que menos gosto sibila. Chata e metida igual a mãe, a tia Edna.
- Nao vamos continuar nada Clarice- Aaron se voltou para ela, sem tirar os olhos de mim.
Clarice voltou seus olhos negros para ele, ofendida.
-Mas...pensei que você tivesse gostado do beijo- vozinha chata dessa menina. Principalmente quando ela se faz de vítima.
Aaron a segurou pelo braço e a levou para fora da cozinha.
-Depois eu falo com você Gabi- ele me olhou e saiu com a filhinha de cruz credo.
Me segurei para nao ir la e dar um soco nos dois.
Peguei várias besteiras de fastfood e voltei pro quarto.
-Finalmente, achei que tinha se perdido dentro de casa- Rô revirou os olhos, pegando um Doritos da bandeja.
-Por que demorou?-Sophy pegou uma das Cocas.
Suspirei e tentei esquecer a raiva que tive ao ver o beijo entre Aaron e Clarice.
-Vi o Aaron e a i****a da Clarice se pegando na cozinha- revelei.
Rô engasgou com o Doritos, fazendo Sophy bater fortemente em suas costas.
-Aii Sophia!- ela gritou.
Soso riu e deu de ombros.
-Quem é Clarice?- Rebeca analisou seu Cheetos como se tivesse veneno.
-Uma filhinha de patricinha. A mãe dela ja fez muito m*l à nossa família- expliquei, tomando um gole da minha Coca.
-Se existir uma garota mais h******l que Clarice Nolan vocês me avisam, porque por enquanto nao conheço nenhuma- Sophy revirou os olhos.
-E pra piorar meu irmão troca saliva com ela- Rowan revira os olhos.
Analisei Rebeca, que estava observando um ponto fixo na parede, pensativa. Me lembrou a Tia Trudes, que faz muito isso.
-Por acaso o nome da mãe dela é Jadylene Nolan, uma ex presidiária?- perguntou.
-É sim, voltou a ser diretora de marketing, o emprego dela antes da prisão- confirmei.
-Como você sabe disso Rebeca?- Sophy parecia desconfiada.
Rebeca engoliu em seco e tentou disfarçar que estava nervosa.
-Ja ouvi falar sobre a Jady- disse.
-Onde?- podem premiar Sophia Junky como Rainha Da Curiosidade.
Rê deu de ombros.
-Na internet. Por que?- Rebeca olhou firme para Sophy, confrontando-a.
-Nada, apenas curiosidade- Sophy falou, afinando a voz. É impressão minha ou ela ta sendo falsa?
Rebeca deve ter notado tbm, pois arqueou uma sobrancelha.
Ficamos em silêncio por um tempo, comendo nossas besteiras.
Quando todas terminamos de saciar a fome, peguei as latinhas e os sacos vazios e joguei no lixo da cozinha.
Rebeca age de um jeito estranho as vezes. Nao sei quem sao os pais dela, nao sei qual sua cor preferida e nem sei se ela tem irmãos.
Desconfio um pouco dela.
Porque ela é tao reservada quando falamos de família?
Era isso que eu queria entender.
-Quanta porcaria. Se continuar comendo tanto vai ficar mais gorda- alguém debochou, rindo.
Me virei e a pessoa que eu menos queria ver no momento aparece na minha frente.
-O que você quer Aaron?- reviro os olhos com sua presença.
Ele suspira e se aproxima de mim, quebrando um pouco a distância que me separava de seu belo rosto.
Minha respiração acelerou no mesmo instante.
-Apenas esclarecer umas coisas com você- ele começa.
Nao sei se é coisa da minha cabeça, mas Aaron parecia nervoso.
- Esclarecer oque? Que me beijou e no dia seguinte quase engoliu aquele projeto de esgoto com a boca? É isso que você quer esclarecer?! - pergunto, um pouco alterada.
Aaron se aproxima ainda mais.Desse jeito meu coração vai acabar ganhando as olimpíadas nos jogos de corrida.
- Em primeiro lugar foi você que me beijou ontem a noite e eu nao beijei a Clari porque quis- ele explicou, olhando dentro de meus olhos.
-Clari? Um beijo e ja estão com apelidinhos carinhosos?- debochei.
-E você ja ta com ciuminho?- Aaron sorriu de lado, divertido.
Claro. A i****a beijou o meu Aaron. Queria oque, que eu soltasse fogos de artificio pelo corpo?
-Eu? Ciúmes de você? Me poupe- digo incrédula.
Aaron riu e agarrou minha cintura, me puxando para mais perto dele.
Nossas respirações estavam ofegantes.
-Eu sei que está Gabi, você pode enganar qualquer um mas a mim é difícil- disse encarando meus lábios.
Fechei meus olhos, tentando me controlar.
-Você deve estar alucinado pra pensar que estou apaixonada por você- arqueei uma sobrancelha, irônica.
Aaron suspirou e senti seu hálito de cereja. Esse menino devia parar de beber suco dessa fruta, é muito vício.
-Pois bem, to mesmo alucinado. E vou te mostrar porque- nem deu tempo eu falar nada.
Numa fração de segundo, os lábios de Aaron esmagaram os meus.