Capítulo 5 - Família fora do normal

1666 Palavras
As loucas da Tia Gertrudes e da Tia May estavam na chamada de vídeo do Skype. Corri para atende-las e a Tia Lídia nos acompanhou. -E aí amigas falsas!- ela gritou. -Gente não grita- pus a mão em minha nuca, que ainda estava latejando. -Oxi, ta com dor? o que foi? Precisa de remédio? - May sempre preocupada. Tia Gertrudes deu um t**a na cabeça dela. -Deixa de inocência, não tá vendo que ela com certeza tomou todas? e quem vai precisar de um remédio vai ser você e o Jonh que continua dizendo que brigadeiro é melhor q Nutella- ela revirou os olhos, claramente irritada. Lembrete: nunca dizer à minha tia que eu odeio Nutella. É igual dizer que quero parar de respirar. -Ai você vai precisar de um caixão pra ele, que a Lola vai te ajudar a m***r- May rebateu. Sobre essa chuva de tios e primos: meus pais foram adolescentes diferenciados dos demais e mantiveram seus amigos de escola para a vida toda. Infelizmente eram um g***o grande. -Sempre a louca por Nutella ne tia- eu ri. -É...eu vou no banheiro- Rebeca disse,meio sem jeito. -Segundo corredor à esquerda- apontei sem olhar à ela. -Quem foi que falou isso?- Tia Gertrudes sempre intrometida. -Foi so minha amiga- dei de ombros. -Bonito ne, vocês aí de folga e eu tendo que cuidar dessas crianças- Lídia revirou os olhos, entediada. -Também te amamos, Lidi- Mari piscou, rindo. Admiro essa amizade delas. Pena que minhas amigas nao sao assim.São piores por serem do mesmo sangue. -Daqui a pouco minha casa vai virar uma creche- Lidi reclamou pra tela do computador. -Ninguém mandou querer ser nossa amiga desde a escola. Agora vai conhecer o trabalho que dá ter filhos- Tia Gertrudes riu. Abri um sorriso divertido. -Denovo Trudes, que eu saiba você nao tem filhos- dava pra ver que Tia Lidia ja cansou de repetir isso. -Sabe de nada inocente- uma voz murmurou perto de mim, tao baixa que nem reconheci. Achei esquisito. Será se era algum dos idiotas tentando zombar de mim denovo? So pode. -Deixa eu falar ok. Eu to dando uma lição de moral, nao me interrompa- Trudes suspirou, perdida em pensamentos. -Foi m*l, Miss Revolta- Ray deu um sorriso sarcástico. Tia Trudes lançou à ela um olhar mortal. -Se disser esse apelido denovo será obrigada à dormir de olhos abertos- ameaçou. Acabei aprendendo essa ameaça com ela. -Ui, medo - Ray parecia despreocupada. -Enfim, como ta as coisas aí, gente? E meus pais?- perguntei, curiosa? Sempre! -Seus pais tao bem e aqui ta tudo tranquilo , vamos ja sair pra umas comprinhas, so esperando a Júlia terminar de se arrumar- May respondeu. Depois que Daniel nasceu, Tia Júlia reclama de sua aparência e passa horas lendo revistas de moda e se arrumando. Virou ate mesmo a melhor amiga da Tia Isabelle. -E os garotos, como andam?- dei um sorriso s****o. -Com as pernas- Gertrudes riu. -Retardada - Lídia xingou a amiga. -Te amo - Trudes sorriu e fez coração com as mãos. May e eu rimos com aquelas duas. Conversamos mais um pouco e as duas desligaram. Subi para meu quarto e encontrei a Rebeca, a Sophia e a Rowan sentadas no chão, rindo. Rowan era a filha adotiva da tia Lola, irmã do Aaron. -Tarde das menina e nem me chamaram? Que falsas- dei língua à elas, que gargalharam. -Dá lingua e depois diz que nao é criança- Sophia revirou os olhos. Ignorei minha prima e sentei-me ao lado de Rebeca. -Oque estavam conversando?- perguntei, puxei a curiosidade do meu pai. Rowan deu de ombros. -Nada demais, apenas sobre os idiotas dos meninos- ela sorriu. E nem me chamaram. - Eu tava contando sobre como o Aaron é irritante- Rowan continuou. -Nem me fale, mas pior é o Guillerme- Sophia se pronuncia. Uma coisa que nós três tínhamos em comum: a guerra contra nossos irmãos. -Nao esqueça o Miguel- suspiro, irritada. Nao há ninguém no mundo mais i****a, otario e burro que meu irmão. - Eu conheço o Aaron, era melhor amiga dele na época que estudamos juntos- Rê fala. Meus olhos castanhos encontraram os azuis de Rebeca. -Sério? Você nao morreu de tédio perto dele?- Rowan perguntou. Ri fraco. -Nao, ele é legal, so um pouco i****a- Rê da de ombros, como se nao fosse nada. -Ok, isso porque você não atura ele 24hrs por dia, toda semana, mês e ano- Rowan comenta. -Isso aí- Sophy concorda, rindo. Rê revirou os olhos. -To com uma fome....- Rô olha pra parede do canto onde a Sophy dorme. - Vou buscar comida pra gente, ja volto pra engordar vocês- disse e sai do quarto. Rowan come tanto que nem sei que acsdemia ela fez pra estar sempre magra. Apesar de ter um corpo invejável. Desci para a cozinha e ao chegar la, vi uma cena que acabou completamente com o meu coração. -Estou interrompendo algo?- Cruzei os braços, paciente mesmo depois de cinco segundos paralisada olhando aquela cena. Aaron e Clarice, a chatice em pessoa, se beijando. Os dois se separaram e me olharam, claramente assustados. Eu sou tão f**a assim? - Gabi? O que ta fazendo aqui?- Aaron pergunta, sem jeito. -Vim pegar comida pra mim e as meninas. Mas pelo visto atrapalhei a diversão de vocês- falei, tentando ser forte. -Nao atrapalhou nada- Aaron se pronunciou. -Atrapalhou sim. E podia fazer o favor de sair daqui e nos deixar continuar de onde paramos- a prima que menos gosto sibila. Chata e metida igual a mãe, a tia Edna. - Nao vamos continuar nada Clarice- Aaron se voltou para ela, sem tirar os olhos de mim. Clarice voltou seus olhos negros para ele, ofendida. -Mas...pensei que você tivesse gostado do beijo- vozinha chata dessa menina. Principalmente quando ela se faz de vítima. Aaron a segurou pelo braço e a levou para fora da cozinha. -Depois eu falo com você Gabi- ele me olhou e saiu com a filhinha de cruz credo. Me segurei para nao ir la e dar um soco nos dois. Peguei várias besteiras de fastfood e voltei pro quarto. -Finalmente, achei que tinha se perdido dentro de casa- Rô revirou os olhos, pegando um Doritos da bandeja. -Por que demorou?-Sophy pegou uma das Cocas. Suspirei e tentei esquecer a raiva que tive ao ver o beijo entre Aaron e Clarice. -Vi o Aaron e a i****a da Clarice se pegando na cozinha- revelei. Rô engasgou com o Doritos, fazendo Sophy bater fortemente em suas costas. -Aii Sophia!- ela gritou. Soso riu e deu de ombros. -Quem é Clarice?- Rebeca analisou seu Cheetos como se tivesse veneno. -Uma filhinha de patricinha. A mãe dela ja fez muito m*l à nossa família- expliquei, tomando um gole da minha Coca. -Se existir uma garota mais h******l que Clarice Nolan vocês me avisam, porque por enquanto nao conheço nenhuma- Sophy revirou os olhos. -E pra piorar meu irmão troca saliva com ela- Rowan revira os olhos. Analisei Rebeca, que estava observando um ponto fixo na parede, pensativa. Me lembrou a Tia Trudes, que faz muito isso. -Por acaso o nome da mãe dela é Jadylene Nolan, uma ex presidiária?- perguntou. -É sim, voltou a ser diretora de marketing, o emprego dela antes da prisão- confirmei. -Como você sabe disso Rebeca?- Sophy parecia desconfiada. Rebeca engoliu em seco e tentou disfarçar que estava nervosa. -Ja ouvi falar sobre a Jady- disse. -Onde?- podem premiar Sophia Junky como Rainha Da Curiosidade. Rê deu de ombros. -Na internet. Por que?- Rebeca olhou firme para Sophy, confrontando-a. -Nada, apenas curiosidade- Sophy falou, afinando a voz. É impressão minha ou ela ta sendo falsa? Rebeca deve ter notado tbm, pois arqueou uma sobrancelha. Ficamos em silêncio por um tempo, comendo nossas besteiras. Quando todas terminamos de saciar a fome, peguei as latinhas e os sacos vazios e joguei no lixo da cozinha. Rebeca age de um jeito estranho as vezes. Nao sei quem sao os pais dela, nao sei qual sua cor preferida e nem sei se ela tem irmãos. Desconfio um pouco dela. Porque ela é tao reservada quando falamos de família? Era isso que eu queria entender. -Quanta porcaria. Se continuar comendo tanto vai ficar mais gorda- alguém debochou, rindo. Me virei e a pessoa que eu menos queria ver no momento aparece na minha frente. -O que você quer Aaron?- reviro os olhos com sua presença. Ele suspira e se aproxima de mim, quebrando um pouco a distância que me separava de seu belo rosto. Minha respiração acelerou no mesmo instante. -Apenas esclarecer umas coisas com você- ele começa. Nao sei se é coisa da minha cabeça, mas Aaron parecia nervoso. - Esclarecer oque? Que me beijou e no dia seguinte quase engoliu aquele projeto de esgoto com a boca? É isso que você quer esclarecer?! - pergunto, um pouco alterada. Aaron se aproxima ainda mais.Desse jeito meu coração vai acabar ganhando as olimpíadas nos jogos de corrida. - Em primeiro lugar foi você que me beijou ontem a noite e eu nao beijei a Clari porque quis- ele explicou, olhando dentro de meus olhos. -Clari? Um beijo e ja estão com apelidinhos carinhosos?- debochei. -E você ja ta com ciuminho?- Aaron sorriu de lado, divertido. Claro. A i****a beijou o meu Aaron. Queria oque, que eu soltasse fogos de artificio pelo corpo? -Eu? Ciúmes de você? Me poupe- digo incrédula. Aaron riu e agarrou minha cintura, me puxando para mais perto dele. Nossas respirações estavam ofegantes. -Eu sei que está Gabi, você pode enganar qualquer um mas a mim é difícil- disse encarando meus lábios. Fechei meus olhos, tentando me controlar. -Você deve estar alucinado pra pensar que estou apaixonada por você- arqueei uma sobrancelha, irônica. Aaron suspirou e senti seu hálito de cereja. Esse menino devia parar de beber suco dessa fruta, é muito vício. -Pois bem, to mesmo alucinado. E vou te mostrar porque- nem deu tempo eu falar nada. Numa fração de segundo, os lábios de Aaron esmagaram os meus.
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