Bruno Eu tô de boa no sofá do apê, celular na mão, rolando feed sem prestar muita atenção, quando a porta abre com tudo. Valentina entra correndo, rosto branco, cabelo solto e bagunçado, blusa larga que ela usa pra esconder que ainda nem barriga tem direito — tá de três meses, m*l dá pra notar, mas eu já sei. Ela fecha a porta com força, tranca, encosta as costas na madeira como se estivesse sendo perseguida. — Estão nos seguindo, Bruno. Temos que ir. Meu pai quer te matar. Eu fico em choque. Imóvel. O celular escorrega da minha mão e cai no chão. O mundo para por uns segundos. Eu olho pra ela, tentando entender se ouvi direito. — O quê? Ela respira rápido, peito subindo e descendo, olho arregalado de pavor. — Meu pai descobriu. Descobriu da gravidez. Descobriu que eu não abortei. El

