Lobo Eu tô na varanda da casa velha que a gente reconstruiu com o suor de anos, rede balançando devagar, sol se pondo laranja atrás do morro verde, cachorro velho dormindo no degrau, cheiro de café fresco e jabuticaba madura no ar. A família tá toda aqui. Toda. Pela primeira vez em muito tempo, eu olho em volta e vejo todo mundo junto, sem medo na cara, sem olhar pros lados, sem esperar batida na porta. O Bruno tá no quintal com a Aline. Ela tem um ano e meio agora, correndo descalça na grama, cabelo preto cacheado voando, risada alta que enche o lugar. O Bruno corre atrás dela, finge que não pega, deixa ela escapar, depois levanta no colo e gira no ar. Ele é pai. Pai de verdade. O mesmo moleque arteiro que me dava dor de cabeça agora é homem feito, barba rala, mão calejada de quem traba
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