Vivian
Eu tive um péssimo dia até agora.
Na verdade, a quem eu estou querendo enganar, eu tenho tido uma péssima semana até agora.
Lidar com fazendeiros velhos que acham que sabem de tudo quando se é uma mulher e muito mais jovem que eles é um pesadelo. Eles me tratam como se eu fosse uma criança, mas não qualquer criança, uma criança estúpida que é incapaz de compreender o que está sendo dito e apresentado aqui.
Eu preciso de prazo para conseguir trabalhar, para cumprir os meus contratos e reerguer a empresa, mas eles se recusam a me dar o que eu preciso porque eles não me consideram como uma mulher conhecedora, uma mulher capaz, uma mulher digna de um voto de confiança.
Eles só me consideram como algo bonitinho, que pe bom aos olhos. E olha que eu só estou julgando a questão deles não me darem confiança, eu nem mesmo estou falando sobre os olhares lascivos e extremamente sexualizados que são lançados em minha direção, há, e nem me permita falar sobre as cantadas, flertes e paqueras de homens os quais deveriam ser profissionais e com idade o suficiente para serem avô do meu avô.
Sendo assim, não é preciso nem mesmo ser um gênio para saber que eu estou extremamente satisfeita em encerrar o dia e ir para casa, mesmo que não seja a minha casa real, mas tem sido tão relaxante quanto.
Todavia, no momento em que eu abro a porta da frente eu sou tomada completamente por um cheiro delicioso de comida, o que faz com que eu tenha uma vontade avassaladora de chorar.
Eu tenho sofrido ultimamente para encontrar alguma comida que seja ao mínimo saudável e que não seja encharcada de óleo, e eu tenho sofrido miseravelmente. Eu estou sobrevivendo com frituras e comida enlatada, ou seja, apenas sentir esse cheiro de comida, comida de verdade é o suficiente para me pôr em joelhos.
— Deus, porque aqui cheira como o céu? — eu falo, incapaz de me conter.
— Porque é assim que a comida de Rosita se parece. — a voz de Matteo fala de algum lugar de dentro da casa.
Me movo até onde ele está, em minha defesa não estou indo até ele, estou deixando a comida me guiar.
— Por favor, me diga que você a convenceu a se mudar para aqui para os próximos noventa dias. — digo, porque uma garota poderia sonhar um pouco aqui.
— Nah, eu gostaria, mas... ela ainda se recusa a se quer chegar até mesmo perto de um avião. — ele fala — Mas a comida é dela. — ele fala do seu lugar próximo ao micro ondas enquanto tira um pote de dentro e o substitui por outro.
— Tem certeza que isso é seguro? — falo, apontando para o micro-ondas que ele parece manejar — Se o seu café é um pequeno gosto dos seus dotes na cozinha eu estou realmente preocupada com o que você está fazendo aqui.
Matteo rola os seus olhos.
— Eu consigo usar um micro ondas, não sou tão incapaz assim. — ele fala — Por que ao invés de reclamar e questionar cada coisinha que eu estou fazendo você não vai ficar confortável e quem sabe eu divida a minha refeição com você.
Olho para ele com os meus olhos se estreitando em suspeita.
— Por que? — eu o questiono — O que você ganharia com isso?
Ele dá de ombros.
— Milla conseguiu essa refeição para mim com a condição que eu a dividisse com você. — ele fala dando e ombros eu poderia apenas beijar Milla nesse momento por isso.
— Eu juro por Deus que se você começar sem mim eu vou cortar as suas bolas. — digo, dando as costas para ele e correndo até o meu quarto para seguir exatamente com a proposta que ele me fez de arrumar roupas mais confortáveis.
Não me demoro muito por dois motivos principais:
1) Matteo não é uma pessoa que merece uma superprodução da minha parte; e
2) Eu realmente não confio nele com toda aquela comida delicioso por muito tempo sozinho.
No momento em que eu volto com leggings e sueter ele já está com todas as vasilhas colocadas na mesa e praticamente flutuo até o lugar na mesa que aparentemente está reservado para mim.
— Deus, esse realmente é o meu favorito. — digo, para os bolinhos de bacalhau que são especialidade de Rosita.
Matteo apenas sorri, mas fica em silêncio.
As minhas papilas gustativas choram de felicidade no momento em que elas encontram o maravilho preparo de Rosita.
— Deus, apenas me lembre de deixar bem claro para Milla o quanto eu a amo. — falo — isso é realmente o que eu precisava. Como ela conseguiu tudo isso?
— Ele conseguiu um voo particular para trazer tudo até aqui. — ele explica.
— Vocês alugaram um jatinho apenas pela comida? Isso certamente não é muito benéfico para o meio ambiente. — digo.
Todavia, Matteo me surpreende ao me impedir de dá outra garfada tirando o prato de perto de mim.
— Tendo em vista que você não concorda com a forma como a comida chegou até aqui talvez você não devesse compactuar com isso comendo ela. — ele fala com a sua voz de espertinho, aquela voz que eu odeio.
— Vamos ignorar tudo isso enquanto comemos, até porque não há mais nada que possa ser feito nesse momento, não é como se existissem máquinas do tempo. — digo, resgatando o meu prato do seu aperto.
Matteo sorri.
Continuamos a comer em silêncio por um tempo, mas Matteo parece cada vez mais agitado. Ele é aquele tipo de pessoa que quando tem algo a falar e se senti impedido a isso começa a suspirar, fazer pequenos barulhos com a boca, gestos com as mãos. E eu sou o tipo de pessoa que geralmente se irrita extremamente com isso.
— Apenas coloque para fora, Matteo. — digo, já me preparando física e mentalmente para mais um estresse.
— O quê? — ele me questiona, fingindo inocência, como se eu não pudesse ler ele como se fosse a porcaria de um livro.
— O que quer que esteja te incomodando para que possamos passar por cima disso. — digo.
Matteo suspira e solta o garfo.
— Tenho uma proposta para você. — ele fala e é a minha vez de soltar o garfo. — Uma noite em branco.
— Não, de jeito nenhum. — digo, sabendo exatamente onde ele está tentando ir com essa história.
— Qual é, Vivi, nós dois temos passado por problemas, problemas que nenhum de nós que dividir com as pessoas de casa, o que só resta nós dois. — ele fala, tentando me levar para a mesma página que ele.
— Eu não vou contar os meus problemas para você apenas para que você os use contra mim depois. — digo.
— Não seja ridícula, Vivian, você sabe exatamente para que serve uma noite em branco. Nós apenas falamos sobre o que quer que queiramos e então nós seguimos as nossas vidas como se ela não tivesse acontecido e como se não lembrássemos de nada que foi dito. Noite. Em. Branco. — ele fala.
— Isso nunca dá realmente certo, Matteo. — digo, lembrando da primeira vez que utilizamos essa porcaria de noite em branco.
— Agora nós somos adultos, Vivian. — ele fala.
Suspiro, olhando para ele fixamente.
— Ok, darei o salto de fé aqui. — Matteo fala, batendo palmas — Você sabia que Celly, a nossa vizinha é a minha secretária?
Sorrio.
— Sim, eu posso ter percebido isso quando apareci hoje para uma visita. — falo.
— Mas você deveria ver ela no dia a dia. Ela age como se fosse a maldita proprietária do lugar, chegando e saindo a hora que ela bem quer, dando ordens a todos, inclusive a mim. E, ah, você ainda não sabe a melhor parte, ela conhece os nossos avós.
— O que? — falo, realmente surpresa.
— Ao que parece eles eram pessoas que estavam constantemente por aqui enquanto cresciam. — Matteo fala.
— Isso é tipo impossível, é a primeira vez que eu escuto falar sobre essa cidade. — digo.
— Bom, mas Celly parece saber tudo sobre o seu avô, o meu avô e o triângulo amoroso que os dois viveram com a sua avó. — ele fala.
— O quê?! — Digo, com um grande grito.
— Sim, essa realmente foi a minha reação. — Matteo fala.
— Soraia já esteve com o seu avô?! — digo, achando toda a situação totalmente irreal — E o meu avô sabia disso?
Vivíamos todos juntos enquanto crescíamos e eu totalmente duvido que o meu avô ficaria bem crescendo junto a um ex namorado da minha avó.
— Parece totalmente irreal para mim também. — ele fala — Estou esperando que o meu avô retorne a minha ligação, mas você sabe que o homem funciona de acordo com o seu próprio calendário. Alguma chance que você converse com a sua avó sobre? — ele fala, parecendo esperançoso.
— Ah, não, de forma alguma. — falo, convicta.
— Qual é, Vivian? Vai me dizer que você não ficou curiosa?! — ele fala.
— Claro que eu fiquei curiosa, Fiorini, mas nenhuma curiosidade é o suficiente para me colocar novamente no radar de Soraia. — digo — Já foi difícil o suficiente me livrar dela na primeira vez.
O divorcio dos meus avós não foi fácil.
Na verdade, a minha avó nunca foi fácil.
No momento em que os papeis estavam assinados e que a minha avó saiu do divórcio com muito menos do que ela esperava conseguir no final ela tentou se agarrar a mim de todas as forma possíveis, achando que eu seria a sua nova fonte sem fim de dinheiro.
Não terminou tudo bem, a minha adorável vovozinha é conhecida por sua enorme capacidade de manipulação, sendo assim me livrar dela foi difícil, mas eu consegui depois de um tempo.
E não, não importa qual seja o segredo que os nossos avós estejam escondendo, eu não abrirei novamente as portas da minha vida para ela.
— Você é chata. — ele fala, mas está a sorrir também — Bem, agora é a sua vez. — ele fala.
— Eu não concordei com isso. — digo.
— Qual é, Vivi, deixa de ser tão difícil.
Rolo os meus olhos, mas Matteo convencido que eu desabafe.
— Ok. — falo, tomando fôlego — O que eu estou sentindo é que o meu avô preparou o terreno para que eu falhasse. — digo, finalmente colocando para fora o que eu estou sentindo.
— Vivian, ele não... — Matteo tenta me interromper, mas eu não permito, o calando ao erguer uma mão.
— Sim, eu sei que ao assumir o cargo de presidente da empresa eu teria que lidar com homens machistas e que me desqualificariam, mas eu teria uma equipe que me apoiaria e não seriam como fazendeiros da velha guarda que acreditam que mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos. — suspiro — Eu tenho outras qualidades que vão muito além do meu útero.
— O seu avô de ama, Vivian. — ele fala.
— Sim, eu sei que ele me ama e o amor que ele sente por mim não é o que está sendo colocado em evidência aqui, Matteo, a grande questão é se ele acredita na minha capacidade ou se ele me limita ao meu útero também. — desabafo.
— Sinto muito que se sinta assim, Vi. — ele fala.
Dou de ombros.
— Não importa de qualquer forma. — falo.
— Claro que importa. — ele fala e então se levanta — A forma como você se sente importa.
— O que diabos você está fazendo? — falo, no momento em que ele se coloca de frente a mim e pega o meu braço, me puxando de forma para que eu fique de pé.
— Eu acho que você precisa de um abraço. — ele fala.
— Não, não, de forma alguma, Matteo, eu estou bem. — digo.
— Nah, venha, a verdade que nós dois precisamos disso. — ele fala e então me puxa em direção a ele, fechando os seus braços ao meu redor, me prendendo em seu corpo enorme.
Me vejo sem outra alternativa a não ser envolver os meus braços em torno do homem enorme que está me enjaulando.
— Sabe, Vivi — ele fala, ainda me mantendo presa nos seus braços — Qual seria a graça de termos uma noite em branco sem algumas loucuras.
Sinto os pelos do meu pescoço se eriçarem.
Essa realmente não foi uma boa ideia.