Matteo
— Sinceramente, Matteo, você foi um porco com ela. — Milla fala enquanto nós dois ficamos parados no mesmo local olhando os irmãos Hills se afastando.
Olho para a minha irmã e dou um dos meus sorrisos característicos.
— Eu não tenho ideia do que você está falando, irmã. — digo, bagunçando o cabelo dela, porque sei que ela odeia e isso ajudará a mudar a atenção dela para outra coisa.
Como esperado ela faz cara f**a enquanto reajusta o cabelo, mas ela me surpreende ao não esquecer do tópico que estávamos a tratar.
— Sério, Matteo, eu não entendo porque você sempre tem que ser tão h******l com ela. — ela fala — É como se ela tivesse um lado seu que mais ninguém tem, o pior lado seu.
Rolo os meus olhos.
— Como se Vivian fosse uma santa. — digo.
Não, Vivian Hills é tudo menos uma santa.
Essa mulher inferniza a minha vida desde quando éramos bebés de fraldas.
Ela espalhou boatos sobre eu ainda usar fraldas na escola, vazou o meu número em um site de acompanhantes, destruiu o carro que eu ganhei quando eu fiz dezoito anos, chamou a polícia para a minha festa de aniversário em mais de uma ocasião, colocou ** de mico no meu uniforme de futebol...
Eu fui enquadrado pela polícia ou tive que visitar o hospital mais de uma vez na minha vida tudo graças a Vivian. E então ela cresce, ganha um corpo que faz os homens babarem, aprimora o seu olhar inocente e todos parecem se esquecer de tudo o que ela me fez passar ao longo dos meus vinte e nove anos.
— Sério, Matteo, já faz anos isso. — Milla continua argumentando quando voltamos a andar de volta para a casa de Travis Hill, avô de Vivian e melhor amigo do meu avô, Felipo Fiorini.
— Tem três meses que ela compartilhou o meu telefone num site de acompanhantes de luxo. — digo — a minha secretária ainda está trabalhando para distribuir o meu novo número para todos os meus parceiros de negócios.
— Sim, mas se eu não engano ela só fez isso depois de você colocar fotos dela de biquíni em uma reunião dos acionistas. — a minha irmã fala.
Sorrio, ao lembrar do feito.
Sim, eu fiz isso.
Ela tinha me irritado ao achar que poderia questionar o meu projeto. Ela acabou de sair da Universidade, está começando a trabalhar na empresa agora e achou que poderia questionar a minha autoridade. Foi pura sorte eu ter encontrado as fotos das férias dela na Italia.
Obviamente não foi a minha melhor ideia, mas foi o que eu consegui fazer no pouco tempo. A cara de mortificação dela foi impagável, apesar de eu não achar muito engraçado como alguns dos outros acionistas tentou manter para si uma das cópias das fotos.
Infelizmente ambos os vovôs descobriram e nós dois fomos chamados e castigados. Depois disso nós dois fomos colocados para trabalhar em prédios diferentes e foi criado um rodízio de reuniões para evitar que estivéssemos em um mesmo ambiente.
— Matteo, o que estou tentando dizer é que se você não fosse sempre tão odioso com Vivian vocês poderiam até mesmo se dar bem, ser amigos, não sei. — Milla fala.
— E quem disse que eu quero ser amigo dela? Eu não a suporto.
Milla solta um suspiro.
— Eu realmente desisto de você. — ela fala.
— Sinceramente, Milla, estou decepcionado. — eu falo — Nós deveríamos ser uma frente unida, assim como os irmãos Hills.
— Diferente de você, Vic não age como um i****a. — ela responde.
Semicerro os meus olhos.
— O nome dele é Victor, não Vic. E você, senhorita Fiorini de ve ficar bem longe dele, me ouviu?
Milla me responde com um revirar de olhos.
— Aí está vocês dois, estamos só esperando vocês para começar. — vovô fala no momento em que passamos pela porta da frente dos Hills.
E realmente é a verdade.
Todos, com excessão de nós dois, estão sentados em seus lugares na mesa. E por todos eu quero dizer Cassie, mãe dos Hills, e o seu novo namorado que ninguém se importa o suficiente para aprender o nome. Francamente, não há nem porque, semana que vem ele será substituído e se tornará história antiga. Nossos pais, Giuseppe e Marla, também estão na mesa junta a meu avô e ao senhor Travis Hills.
Milla e eu tomamos o nosso lugar, no extremo oposto dos irmãos Hills. Os nossos familiares já interromperão discussões e guerras de comida o suficiente para saber que devem nos colocar o mais distante possível um do outro.
Victor me lança um olhar de ódio do seu lugar. Francamente eu estou cansado dele me odiar apenas porque eu sou melhor que ele em tudo.
Vivian me ignora e eu me sinto tentado de pegar algo na mesa e jogar nela só para vê-la irritada. Pouca coisa me diverte tanto do que quando Vivian volta o seu ódio em minha direção.
A comida começa a ser servida e todos mantém conversas superfulas. A verdade é que estamos todos nervosos sobre o porque fomos reunidos hoje aqui, mas conhecemos dessa família o suficiente para saber que teremos que esperar até que os nossos avôs considere que seja adequado que o assunto seja abordado.
Sendo assim Milla fala sobre as suas aulas na Universidade de Artes, Cassie fala da nova cirurgia que está planejando fazer e os meus pais falam do cruzeiro que embarcarão na próxima semana e que irá atravessar toda a Europa.
Victor e Vivian não participam do resto da conversa da mesa, mantendo a conversa apenas entre eles dois como sempre foi enquanto nós crescíamos. Eles sempre foram a fortaleza um do outro e Victor surgiu em todas as ocasiões que conseguiu como o príncipe de armadura brilhante pronto para salvar a sua princesa, Vivian.
Em toda e qualquer ocasião em que eu fazia algo para Vivian ele aparecia para consertar a situação e me dar um soco na cara. Nem sempre nessa ordem, mas ainda assim, o cara era brutal.
E então eu comecei a aprimorar o meu jogo para ver até onde ele conseguia se manter perfeito para a sua irmã e ele nunca falou.
Ainda não me sentindo satisfeito eu mudei o meu jogo e decidi desafiar ele em outros aspectos da sua vida, como no trabalho e na vida amorosa. Como já era esperado eu consegui vencer ele em ambas as coisas.
Eu sempre fui melhor em tudo comparado a ele.
Menos relacionado a Vivian.
E isso me irrita de uma forma que foge ao meu controle.
— Ficamos muito felizes de ter todos vocês aqui hoje. — Travis fala, interrompendo os meus devaneios.
Sinto todos na mesa prenderem a respiração, já antevendo que o que quer que seja que esteja vindo é algo grande.
— Nós podemos não compartilhar todos o mesmo sangue, mas somos família de todas as maneiras que importam. — Travis contínua e nesse momento os olhos de Vivian encontram o meu. Sorrio para ela e ela me dá um dedo médio. — Vivian, por favor, vamos manter a elegância. — Travis a repreende e ela lança um pedido de desculpas para o avô.
O meu sorriso se torna ainda maior.
Mas então eu pego a carranca do meu avô na minha direção e o meu sorriso some.
— Ao longo dos anos nós trabalhamos muito para construir o nosso nome, as nossas empresas e o nosso património liquido, mas nada disso importa tanto quanto a família que nós construímos e, independente das nossas diferenças — nesse momento Travis olhe de mim para Vivian — Somos todos uma única família.
— Nós trabalhamos muito ao longo da vida e achamos que chegou o momento ideal para nos afastarmos e aproveitarmos a nossa velhice e a nossa família sem precisarmos nos preocupar com o trabalho a cada segundo ao longo da caminhada. — o meu avô fala.
Conserto a minha postura na cadeira.
Esse é o momento pelo qual eu esperei toda a minha vida. Eu trabalhei mais horas do que qualquer um naquela empresa, subi de cargo por mérito e não por causa do meu sobrenome e depois que Victor decidiu se afastar dos negócios da família para trabalhar por conta própria eu trabalhei ainda mais duro.
Merda, minutos atrás Vivian estava me questionando sobre a minha vida pessoal, ou a falta dela e ela não poderia estar mais correta. Ultimamente eu tenho vivido apenas para o escritório e diversão nem tem aparecido na minha lista de prioridades.
— Mas a empresa é como um dos nossos filhos — vovô continua — E depois de muito conversarmos chegamos ao denominador comum sobre a melhor forma de determinamos o nosso sucessor.
Todos na mesa prendem a respiração e o meu cérebro começa a trabalhar mentalmente no meu discurso de agradecimento e nas formas como eu posso provocar Vivian e Victor com a minha nova posição.
— uma competição. — Travis fala, cortando todo o meu barato.
Todos olham para ele estupefado.
— De que diabos você está falando? — falo, incapaz de me parar.
— Nós explicaremos tudo. — vovô fala.
— Não há nada para explicar. Nós somos proprietários de um conglomerado que emprega milhares de pessoas e lucra milhões por ano, colocar tudo isso como prêmio de qualquer jogo não é só e******o como irresponsável. — falo.
— Nós concordamos com você, Matteo, por isso que propomos essa competição. Queremos testar a capacidade de vocês de gerir antes de colocar tudo nas mãos de vocês. Queremos ter certeza de que, quem quer que assuma o cargo, seja capaz para tal. — vovô fala e eu sinto como se uma faca tivesse sido enfiada em meu coração.
Eu não tenho feito nada nos últimos anos além de me dedicar a essa m***a de empresa. Se isso não foi o suficiente para provar a minha capacidade eu não sei mais o que será.
— Qual é o jogo? — Vivian pergunta e eu sinto vontade de fuzilar ela.
— É bem simples. — Travis fala — Compramos dois pequenos negócios falidos em uma cidade vizinha e queremos testar a capacidade de vocês de trabalhar com pouco, gerir um negócio e se adaptar a realidade de vocês. Iremos nos aposentar de vez em noventa dias e, no final desse prazo, aquele que tiver transformado o negócio em algo mais lucrativo ganha a competição e fica com o cargo de CEO.
— Isso é ridículo. — falo.
— O que foi, Fiorini? — Vivian fala, o seu tom gotejando provocação — Não me diga que você tem medo de alguma competição.
— Eu estou fora. — a minha irmã fala, impedindo que eu dê a Vivian a resposta que ela merece — Eu tenho as aulas e, francamente, eu sou uma artista. Gerir uma empresa é a última coisa que eu gostaria de fazer com a minha vida.
Lanço um olhar f**o para a minha irmã. Ela deveria estar no meu lado e enfrentar os nossos avós com essa ideia ridículas deles.
— Também estamos fora. — o meu pai fala — Estou velho para isso e eu já me considero aposentado há muitos anos, nem mesmo saberia por onde entrar de novo nos negócios.
— Eu quero competir. — o menino brinquedo de Cassie fala, ganhando um olhar f**o de todos na mesa.
— Não seja ridículo. — Travis o corta —Você não é da família.
— Eu sou da família, mas não tenho interesse em competir por anda disso — Victor fala, o que não é surpresa. Ele rompeu com os negócios da família há anos e pelo que eu sei os negócios dele tem sido bastante lucrativos — Tenho a minha própria m***a para lidar.
— Vocês estão realmente aceitando essa m***a? É sobre a nossa vida, o nosso património, se cair em mãos erradas poderemos perder tudo. — falo.
— E quais seriam as mãos certas? — Vivian questiona — As suas?
— Sim. — falo como se fosse óbvio, porque realmente é — Eu sou a pessoa melhor qualificada aqui nessa sala para assumir a cadeira.
— Você é realmente inacreditável. — ela fala.
— O que? Eu estou mentindo? Quem mais aqui tem qualificação para assumir o papel na empresa? — questiono para todos ao mesmo tempo.
— Eu. — Vivian responde depois de um tempo em que todos ficam em silêncio — Aceito a competição, vovô.
Solto uma gargalhada sem nenhum pingo de humor.
— Não seja ridícula, Vivian. O que você sabe de gerir uma empresa? — falo.
Ela sorri para mim e o seu sorriso é como um nocaute.
— Não se preocupe, querido. Logo você descobrirá. — ela fala.
— Você irá apenas envergonhar a si mesma. — digo.
Ela apenas dá de ombros.
— Daqui de onde eu estou parece que você está com medo. — ela fala.
O restante da nossa família apenas acompanham a nossa troca. Eles tem sido assim ao longo dos anos, só interferindo quando fica realmente muito f**a.
— Quer saber, que seja. — digo — Se vocês querem inventar um jogo para provar o óbvio por mim tudo bem. Eu aceito o jogo e******o. E que vença o melhor.
— A melhor. — Vivian diz — Que vença a melhor. Eu.